A morte anunciada de Seara

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Não tenho nada contra o ex-casal Judite Sousa-Fernando Seara, mas depois de falar dela, terei, agora, de falar dele. Mas pronto, não é falar propriamente mal, mas da relação entre família e política.

Para já, um momento Zandinga: Fernando Seara não vai ganhar as eleições em Lisboa. E não vai ganhar por muitas razões. Mas parecia escrito desde o início que esta candidatura estava condenada.

Se calhar muita gente já não se lembra, mas Seara foi anunciado como o candidato do PSD a Lisboa por Miguel Relvas, quando este estava debaixo de fogo político e social. Logo na altura, muita gente brincou com o assunto, e disse que aquele era o apoio de que Seara não necessitava, o rosto ao lado do qual não queria ser visto. Primeiro tiro no pé.

Depois veio o espectro de dúvida sobre se Seara poderia ou não ser candidato a Lisboa, já que, por lei, estava impedido de voltar a concorrer a Sintra. A candidatura avançou de forma tímida, o partido não quis atirar-se de cabeça num candidato que poderia ter de abandonar a corrida. Só há uma semana é que o tribunal de Lisboa decidiu que Seara poderia avançar.

Mas esta boa notícia coincidiu com uma avalanche de outras sobre a sua vida pessoal que o fragilizam enquanto político. Começou com a capa da “Caras” a anunciar a sua separação de Judite de Sousa, seguiram-se as chamadas de capa do “Correio da Manhã” que revelaram que Seara traía Judite de Sousa há mais de um ano com uma mulher mais nova, e que a pivô da TVI terá descoberto tudo através de mensagens que apanhou no telemóvel do marido.

A juntar a tudo isto há ainda o “detalhe” de o PS ter um candidato mais forte do que o seu próprio líder, o homem que os próprios socialistas vêem como o futuro secretário-geral do partido e (desejo eu) o próximo candidato a primeiro-ministro (eu disse desejo, não disse “acredito”, porque embora esse fosse o melhor cenário para o País, duvido que António Costa queira lançar-se já para a liderança do governo).

Do ponto de vista político, e mesmo numa sociedade ainda marcadamente machista, como a nossa, acredito que esta semana negra trouxe a morte anunciada de Fernando Seara enquanto candidato. E enquanto figura política relevante. Dificilmente conseguirá enfrentar uma população sem que a grande maioria das pessoas olhe para ele como “o traidor”. E isso retira muitos votos, toda a credibilidade e toda a força de argumentação de um candidato político. Nos Estados Unidos, a máquina partidária já teria obrigado Seara a retirar-se, já teria pensando numa alternativa, e faria dessa nova escolha um exemplo de honestidade intelectual. Ao manter Seara, o PSD está a levar o candidato para uma derrota histórica, humilhante, e, pior que isso, está a colar-se a uma candidatura e a um candidato que é, aos olhos dos eleitores, “imoral” e de “um traidor”.

Em Portugal, os políticos continuam a achar que podem ser portugueses normais, como todos os outros, que deixam contas por pagar, que traem as mulheres e os maridos, que não pedem recibos das casas de férias, que fazem umas maroscas para conseguir uma licenciatura, que não fazem contratos às mulheres-a-dias. Não podem. Os políticos não podem ser portugueses como os outros, devem ser vistos como pessoas excepcionais, acima do comum mortal, gente que inspire confiança, que nos dê esperança e nos faça acreditar no futuro. Mas esse caminho ainda vem tão, mas tão longe. E é uma pena.

51 Comentários

  1. Engraçado aparecerem sempre uns leitores neste tipo de blogues que fazem questão de marcar posições de propaganda aos seus partidos ou gurus. É uma perspectiva um bocado determinista e redutora, mas tudo bem, as pessoas em geral também não são parvas e sabem ler.

  2. Eu já li bastantes. Mas mesmo partindo do princípio que ninguém lê, não achas que aspectos como o carisma, a credibilidade, o trabalho feito ou a máquina partidária são todos eles diferentes da perspectiva redutora e "bigbrotheriana" que é a vida familiar do candidato?

    Sinceramente, acho que o único passado do candidato que nos deve interessar é o profissional, não o passado pessoal.

  3. A edite assassinou o concelho de sintra e devia estar presa por isso.
    Quanto ao polis, se tivesse tido inicio c o seara ainda hoje estavamos à espera. Dependia de "N" entidades, aconteceu qdo tinha d acontecer. E houve "melhorias" da treta, como semaforos pela avenida dos bons amigos fora e (agualva, bem sei, mas tb polis) e uma rotunda desnecessaria no inicio da mesma. Sintra continua com um problema só solúvel com um terramoto ao estilo do de 1755.

  4. Boa noite,

    Falo de quem já esteve de forma activa dentro de um partido e, dessa forma, participou em todo o tipo de campanhas. E as autárquicas são as mais diferentes de todas. Porque desde logo são muito locais mas levam com a pressão nacional. Por isso, para concelhos chave e/ou emblemáticos são escolhidos figuras "populares". E ai o PSD perde logo em Lisboa. Não que Seara fosse mau,, nesse particular, mas porque quando já havia um outro candidato "popular" não se podia escolher um um nível abaixo. E depois é tudo aquilo que dizes.

    E a máquina já o teria retirado. No EUA, dás o exemplo, o mesmo seria em UK. Aqui acho que o PSD – PSD partido nacional que é quem tem de ratificar o candidato, porque a concelhia acredito que preferisse ter um outro – não o retira porque nunca o fez a nível nacional – com o Passos pelo menos. E também não o retira porque, além de mostrar que Seara é um homem como os outros – seja lá o que isto queira dizer nesta questão da sua privacidade – quer quase mostrar o seu distanciamento de um laicismo, e assim ir buscar uns votos à esquerda. Esquece-se é de um pormenor curioso, a hipocrisia do eleitorado e ainda do povo português em certas matérias.

    Por fim, que isto já vai longo, a questão dos programas. Mais uma vez, de quem esteve por dentro, os programas autárquicos, pelo menos, são feitos para consumo interno. para os que fazem parte da sua elaboração mostrar aos restantes que são "muita bons" e têm ideias – toda a gente tem ideias!. O consumo externo, em autárquicos é banal e fraco. uns beijinhos e uns chavões. Uma ideia de fácil aplicação e imediata e vamos às urnas.

    Cumprimentos,

  5. Não me interessa nada a vida amorosa do sr Seara, mas não gosto dele nem um bocadinho. É um lambe-botas, um pedante e um vaidoso. Quando participava no "dia Seguinte" e se falava de qualquer jogo, estava sempre no camarote presidencial, era sempre o maior. Eu que sou benfiquista, cheguei a gostar mais do Dias Ferreira.

  6. Está a esquecer-se que a Judite Sousa também não está propriamente nas boas graças dos portugueses – muito pelo contrário. Assim, não me parece que, neste momento, alguém nutra alguma compaixão por ela em detrimento do Seara. E não te esqueças que ele é uma figura simpática, que fez muito por Sintra (e as pessoas sabem-no) e, ainda por cima, Benfiquista (o que tem influência – não devia).

  7. Não quero saber de traições, quero pessoas que cuidem da minha cidade. E António Costa já falhou por (até agora) não ter dito uma palavra acerca de uma das mais importantes instituições culturais de Lisboa, a Cinemateca, que está prestes a fechar portas por falta de dinheiro.

  8. A prova que não tens qualquer razão e que os portugueses ao contrário dos americanos não se deixam levar por falsas moralidades e moralismo é o caso do Francisco Sá Carneiro. Apaixonou-se pela Snu Abecassis, traiu a mulher, deixou-a e passou a viver com a "amante" que o acompanhava para todo o lado (até na morte). Outro exemplo é o Marcelo Rebelo de Sousa, toda a gente sabe que ele ainda é casado mas vive com a namorada há séculos (namorada que foi, tanto quanto se sabe, o motivo da separação da mulher). Os Portugueses este defeito não tem, honra lhes seja feira. Sabem distinguir bem o foro intimo, pessoal e familiar do público.

  9. Acha que Portugal vai começar a fazer política à Americana?……. Espero que não. Seria demasiado mau. Se assim for, eu deixo de ir votar!

    Mariana Nunes

  10. O homem pode ser um excelente político, presidente da camara ou outras funções e trair a mulher até porque não sabemos toda a verdade.Isto faz parte da vida privada do casal e se não fossem figuras públicas, com as suas vidas nas capas os jornais tudo ainda podia ser resolvido como acontece tantas vezes. Eu, que até nem gosto nada do Seara, não é da minha côr política e até sou mulher mas acho que uma coisa não tem nada a ver com a outra como a hipocrisia americana. Ah e nunca traí o meu marido.

  11. Que o Seara vai perder é tão óbvio, mas tão óbvio (derrota que não tem nada a ver com questões de cama)que acho mesmo que este post só foi escrito para, na noite das eleições, poderes vir aqui vangloriar-te "Eu não disse? Tal como eu escrevi aqui antes [link para este post], blá, blá, blá …"
    O que me surpreende verdadeiramente é o tom preconceituoso de todo o post. Podias ter escrito sobre a anunciada derrota do homem sem misturar as águas.
    Falas numa sociedade machista, mas, neste caso, o machismo está, antes de mais, em ti.

  12. François Mitterrand teve uma filha ilegítima, todos os franceses sabiam e isso nunca o prejudicou politicamente.

    A forma como uma pessoa encara as relações pessoais e se quer ou não ser bígamo não implica falta de ética ou de capacidade de liderar uma câmara municipal.

  13. Melhorou? Sim
    Onde? No Cacém, que é a zona a que me refiro. Também em Mira-Sintra. Noutras freguesias não sei, e acho bem provável haver freguesias que não registem melhorias. Basta serem PS.
    O quê? Acessos (parte disto é Polis, mas que durante a época Edite resultou num relógio), construção desenfreada parou, mercado saiu do sítio e passou a ser uma zona de lazer. Mira-Sintra passou a ter mais zonas verdes e arranjadas.

    Já agora, o que é que a Edite fez de melhor?

  14. concordo..o Rui Rio tem muitos defeitos..mas defende a cidade do Porto com unhas e dentes..e a culpa de estar o Porto como está hoje..melhor do que nunca deve-se a ele!

  15. Cada vez gosto menos dele.
    Gostei muito do último parágrafo com o qual estou inteiramente de acordo. Os políticos deveriam ser um exemplo… (o que infelizmente está muito longe da realidade)

  16. Sempre me orgulhei de em Portugal não se fazerem devassas da vida pessoal (passada e presente) dos políticos, como se fazem nos EUA.
    Até esse orgulho se foi agora…
    Sinceramente: acham legítimo que se esmiúce a vida do casal? Só porque são figuras públicas?
    Anunciaram o divórcio. Os motivos para o mesmo interessam?!

  17. E para terminar, o comentário ficaria incompleto se não falasse também do sr António Costa.

    Se eu fosse munícipe de Lisboa não sei se votaria nele, é um homem que dá uma no cravo outra na ferradura e sobretudo defende mal a cidade dos constantes ataques de que é vítima INDECOROSAMENTE. Lisboa e a sua região estão constantemente e ser roubadas de instituições essenciais à sua vida como capital e como região mais produtiva do pais que é EM TODOS OS SETORES económicos (contrariamente às mentiras divulgadas pelos lóbis doutras regiões), verdadeiro motor económico nacional, sem que alguém denuncie isso.

    Veja-se a atitude passiva da CML perante o caso da Alfredo da Costa, a inacreditável tentativa de retirar o aeroporto da cidade, o desvio já feito do IAPMEI para o Porto, a tentativa atual de pôr o Banco de Fomento também no Porto, e o recente caso da Trafaria, que pejudica gravemente a que é (de longe) a melhor praia dos lisboetas – a Caparica – não falando na horrivel vista que teríamos do outro lado da foz do Tejo.

    Só mentes aberrantes para defender uma monstruosidade destas, quando em qualquer país civilizado toda a gente luta contra este tipo de barbáries.

    E onde andam o Costa e o Seara em tudo isto, será que ainda estão vivos? Se coisas destas acontecessem no Porto, até o contínuo da Câmara subia pela parede, quanto mais os líderes da cidade…

  18. Em 2º lugar, fui munícipe de Sintra durante mais de 30 anos, e discordo do “colega” ali das 16:45 quando diz que o concelho melhorou. Pode até ter melhorado, mas tão pouco que não se nota…

    A gestão do Seabra é a cara dele: um homenzinho ambíguo, low profile, que nos debates televisivos em que se autopromove à custa do Benfica, nunca defende o clube abertamente perante os ataques repugnantes dos opositores (e eu, como benfiquista, até estou numa fase muito crítica do meu clube); ao contrário, refugia-se em tábuas e passa o tempo a fugir aos assuntos em vez de responder aos que rebaixam o SLB. Se a ideia dele fosse não descer ao nível dos detratores, até concordava. Mas então, que fizesse uma declaração solene, e saísse a seguir do programa.

    Mas, voltando a Sintra, basta ver que o concelho – que tem o tamanho demográfico dos Açores e Madeira juntos, e é o 2º maior do país depois de Lisboa, nem sequer a voz própria duma estação de rádio tem, quanto mais um canal de TV – que seria o mínimo. Isto, porque o grupo Jornal de Sintra, pertencente à família da minha amiga Almira Medina, cujo pai foi o fundador, era quem detinha a R.C.Sintra. Mas o grupo foi vendido maioritariamente a uma cooperativa próxima do PCP (a Veredas) que deixou a rádio ir parar às mãos duma igreja adventista ligada aos EUA. Sabemos donde vem o dinheiro para estas mini-igrejas comprarem estações de rádio regionais por esse país fora.

    Enfim, muito haveria a dizer sobre a lamentável história do esquecido e marginalizadissimo concelho de Sintra – dava para vários livros – mas o comentário já vai longo.

    Por isso, só mais uma: as pessoas têm memória, e lembram-se que Seara prometeu uma atitude forte aquando das absurdas portagens na CREL no troço entre a A5 e o IC19, que retirava imenso trânsito da 2ª circular. Pois bem, as portagens existem até hoje, a 2ª circular e o IC 19 estão o caos diário que se sabe, e estamos à espera (sentadinhos) da tal “atitude firme” do sr. Seabra.

    Este tipo de assuntos são os tais mais importantes de que eu falava no início.

  19. Em 1º lugar, gostei deste debate, mesmo se ainda não focou alguns pontos essenciais. É importante as pessoas defenderem o que acreditam, estejam certas ou erradas.

    Salutar haver quem debata ideias num país tão estagnado. Essa estagnação é para mim pior do que a crise.

    Quanto ao sr Seara parece-me que não devemos entrar pela política à americana, essa fantochada onde ganha quem tem dinheiro. Ali, entre os dois candidatos magnatas, ou apoiados por magnatas, que chegam à 2ª volta, ganha o que tiver menos sujeira marginal a apontar, em vez do verdadeiro debate político.

    Até concordo com o Ricardo que um político deve ser exemplar, mas avaliar essa exemplaridade por um caso sentimental que saiu nas revistas, já acho um pouco leviano. É que… terá sido mesmo assim? E não haverá culpas de parte a parte? Vá-se lá saber… A vida é deles, não nossa.

    Enfim, há aquele ditado: “entre marido e mulher, não metas a colher”. Salvo casos de violência e de abuso, acho que o ditado vale, e é extensivo a outro qualquer assunto íntimo de cada um. Intimidade na praça pública parece-me ter mais a ver com voyeurismo do que com ética, e é típico duma sociedade despolitizada que, à falta do verdadeiro conhecimento social, se alimenta dos sensacionalismos promovidos pelos media.
    (continua)

  20. Pensar que um dia me queixei da Edite Estrela, e eis que fez mais ela que Seara pela minha freguesia (queluz). É possivel que tenha notado melhorias no cacém, porque estou convicta que quanto + perto de sintra, melhor correm as coisas. Infelizmente, fez zero pela freguesia que tem um palacio nacional. Acesso à amadora um ano! fechado, é so a rua que serve psp, bombeiros e hospital, peanuts. Um novo centro saude prometido ha anos nao avança pq as cores partidárias locais são diferentes. Genial, ignorar uma freguesia pq nao se dão. É isto que temos…

  21. Olá Arrumadinho.

    Eu moro em Sintra desde que me lembro respirar e posso dizer-te sem qualquer problema que nunca vi este conselho tão limpo, desenvolvido e organizado desde que o Seara foi para lá.

    Eu não apoio o PSD mas é com muita angústia que vejo o Seara a sair de Sintra (até porque já nem o pode ser presidente mais vezes).

    Se as pessoas não o quiserem em Lisboa é porque são verdadeiramente parvas.

  22. Claro que faz todo sentido que haja o minimo de escrutinio da vida pessoal nem que seja para perceber a integridade e os valores com que regem a sua vida!

    Entao se uma pessoa aparentemente tem a bussola moral estragada, vamos coloca-lo(a) no centro do poder onde existe ainda uma maior probabilidade de ser corrompido?

    O poder corrompe, e se a possivel for facilmente corrompivel, o resultado ainda 'e pior por isso faz todo o sentido existir algum tipo de escrutinio da historia de vida do candidato.

    Isto tudo para dizer que concordo contigo Arrumadinho!

  23. Caro Ricardo,

    Neste post não estou consigo. Para além de uma escrita tendenciosa rosa com que nos brinda, há aqui um falso moralismo que não vai de encontro ao que apregoa aos sete ventos noutros posts. O que uma pessoa faz na sua vida pessoal nunca, mas nunca, deve ser requisito para o julgar na sua vida profissional.

    Consta que Churchill gostava dos "copos", que Pessoa também, mas isso não impediu um de ser um dos mais brilhantes PM ingleses e outro um dos maiores escritores portugueses. Tiger Woods é o que se sabe, tal como JFK e sua Marilyn o que não impediu ambos de serem brilhantes naquilo que faziam profissionalmente. Como os supracitados há muitos mais exemplos. Já de Hitler, reza a história de um tipo "calminho" em termos familiares.

    Um político é comum mortal tanto aqui como em "democracias adultas"… Não os endeusemos, têm falhas como qualquer um de nós. Por essa ordem de ideias as celebridades também deviam ser cidadãos modelos.

    Acho piada que num post condena a Judite Sousa por ter "dizimado" um "Spoiled Brat" onde defende, e bem, que cada um faz aquilo que quiser com o dinheiro que tem. Noutro, por seu turno condena quem mete quem no seu quarto sem nada a si ter-lhe afetado.

    Quem lê, como eu, regularmente os seus posts e admira a proclamação do livre arbítrio, hoje fiquei manifestamente dececionado. Este foi um post de pensamento medieval que em nada se coaduna com a sua pessoa.

    Abr,
    Paulo

  24. Razões para não votar Costa:
    – Rotunda do Marquês que conseguiu piorar o trânsito;
    – Sistema de recolha do lixo que leva a uma acumulação maior de lixo na cidade;
    – Limpeza das ruas, a cidade está porca, as folhas de Outono ficam no chão até que a chuva as leve;
    – As consecutivas ideias falhadas do Sá Fernandes (o jardim dos girassois é uma comédia);
    – A utilização de legislação camarária, nomeadamente ao nível da obrigatoriedade de utilização de determinado equipamento de esplanada, para favorecer o gabinete de arquitectura do vice Manuel Salgado;
    – As obras, atrasadas mais de meio ano, do jardim do Campo Grande à espera de uma inauguração.

  25. Há tempos li uma entrevista em que a jornalista JUDITE SOUSA esclarecia como o seu nome se escrevia e que a media nestes anos todos de carreira tinha insistido por alguma razão em persistir no erro de colocar um DE lá pelo meio. Agora com estas polémicas todas recentes não consigo encontrar o raio do link, mas é só para chamar a atenção para esse reparo, Arrumadinho. Ao longo do texto o nome está escrito incorrectamente, sendo sempre como escreveste na 1.ª frase "Judite Sousa". Acho que as pessoas ouvem o "-te" e acham que é um "de". Enfim, nada de muito relevante, mas que fica bem saber.

  26. Mas o que é que ser cidadão modelo tem a ver com ser namoradeiro, ou ser divorciado?! Ou até mesmo de traição? Quem somos nós para julgar alguém?
    A nós cabe-nos ajuizar da competência do candidato em fazer um bom trabalho.

    E quem sabe se a história da traição é realmente verdadeira?

  27. Isabel, eu não disse que é normal os portugueses fazerem isto, eu escrevi que quem faz isto são os portugueses normais, o comum dos cidadãos, e que os políticos que querem ter credibilidade não o deveriam fazer.

  28. Respondo-te com uma pergunta: quantos programas política já leste? Se fizessemos uma sondagem diria que para aí 1% das pessoas lê os programas políticas. Em eleições autárquicas o que nos faz votar é a confiança pessoal, o carisma e a credibilidade do candidato, o trabalho feito ou a força de uma máquina partidária.

  29. Eu não concordo com isso, Cristina Oliveira. Acho que um político deveria ser um cidadão modelo – e é assim na maior parte das democracias adultas. Os problemas pessoas, inevitavelmente, afectam a credibilidade política. E essa fronteira que está a estabelecer parece-me demasiado ténue, porque o cumprir a lei, o pagar impostos, o pagar os direitos dos funcionários, o respeitar o código da estrada são tudo coisas respeitantes ao foro pessoal. Acho que há uma confusão entre questões pessoais e questões íntimas, mas até nessas eu acho que há um dever social de quem governa acima do das outras pessoas. Quem quer governar não deve ter rabos de palha de natureza política, pessoal ou íntima, porque isso afecta a sua credibilidade política e irá sempre persegui-lo. A história da traição do Seara irá sempre acompanhá-lo ao longo de toda a carreira política, e isso terá naturais reflexos na sua credibilidade.

  30. Não concordo com algumas coisas escritas neste post…

    Um político é definido por aquilo q é como político e por aquilo q é como cidadão (aí entra o cumprir a lei, não cometer crimes, pagar impostos, pagar os direitos dos seus funcionários, possuir formação académica verdadeira,respeitar o código da estrada, etc.), mas nunca por aquilo q é a nível pessoal. Não interessa se é casado, se vive em união de cacto, se tem filhos ou não, se trai a mulher ou não, se tem amigos, se não tem, se passa as férias aqui ou acolá… Não interessa!

    Importa a sua capacidade política e o seu papel como cidadão português!

    Surpreende-me este post do Arrumadinho, uma vez q há poucos dias defendeu q o PM não é obrigado a dar 5 minutinhos das suas férias para falar com os manifestantes à porta da sua casa de férias.
    E eu concordei consigo, uma vez q o PM estava de férias, estava com a sua família, logo estava num momento da sua vida pessoal q não tem a ver com a vida política… Um momento em q era um português como os outros, q tem direito a férias e a não ver a sua família incomodada por estranhos como um comum mortal ambiciona…
    Ou seja, totalmente em desacordo com esta sua frase "Os políticos não podem ser portugueses como os outros, devem ser vistos como pessoas excepcionais, acima do comum mortal, gente que inspire confiança, que nos dê esperança e nos faça acreditar no futuro".

  31. As sondagens davam uma vitória histórica ao António Costa ainda antes das capas da caras e afins sobre esta suposta traição. Sinceramente o que acho é que quem mandou "isto" para as capas das revistas neste timing tão suspeito foi para arranjar mais uma desculpa para essa derrota que já era por demais evidente, ou seja teorias da conspiraçã à parte nem acho que isto posso ser "golpe da oposição, antes pelo contrário" :). Fait divers para distrair portanto.
    António Costa ia ganhar por muito, antes e depois deste caso. Com Seara ou com outro qualquer. Como cidadã de Lisboa percebo porquê sem dificuldade.
    Às vezes as coisas são só aquilo que são. Ele tem sido um bom presidente de câmara, Lisboa está cheia de vida por todo o lado. Não há nenhum bom motivo para não votar António Costa.
    It is what it is 🙂

  32. Espero e desejo que a eleição seja decidida por mérito, trabalho e competência, e não pelo local onde a pila é colocada.
    Fui munícipe dos dois, vivia no Cacém nos primeiros mandatos do Seara e mudei-me para Lisboa na mesma altura em que António Costa chegou à presidência da CML.
    Com Seara notei muitas melhorias face à sua antecessora (Edite Estrela). Com Costa, vi o trânsito a pior e a cidade a ficar mais suja. O que ele faz nos seus lençois, com quem e como, a ele diz respeito.

    Ps: E por muito que goste de Seara, não irei votar nele. A lei da limitação de mandatos pode causar muita confusão a políticos e juízes, mas a mim não. Quem cumpriu 3 mandatos, não se pode candidatar, para que haja rejuvenescimento da democracia e se acabe com o caciquismo. Muitas leis não as podemos aplicar mas, felizmente, este é um daqueles casos em que o povo pode ser quem mais ordena.

  33. Por vezes o que parece surgir do acaso e de muitos azares à mistura … não passa de conspiração política,como é óbvio.
    Não percebi a questão dos portugueses serem machistas, apesar de o serem não vejo o contexto. Alguém está a ser imoral e sujeitou-se às massas.

    Acima de tudo os portugueses são boas pessoas, com uma fasquia considerável de iletrados, que acredita nesta gentinha, sem valores, sem princípios e apenas de meios, para chegarem ao poder.

  34. Não me parece que o último parágrafo, em especial a primeira parte, seja o mais feliz. Não creio que se possa definir os "portugueses normais" como pessoas que, entre o mais, traem as mulheres e os maridos e que fazem maroscas para conseguir uma licenciatura. Percebi a sua ideia, mas acho que resultou mal traduzida na frase que escreveu (isto porque acredito, sinceramente, que o Arrumadinho não é da opinião que os "portugueses normais" fazem o que diz no seu último parágrafo…)

    Isabel

  35. Acho que pela primeira vez não concordo com o que escreveste. Quem conhece bem o António Costa também tem conhecimento das suas "imoralidades e traições".

    É certo que não acredito na vitória do PSD em Lisboa, mas acredito que acabe com a possibilidade do PS vencer com maioria absoluta.

    Além disso esta polémica com a Judite de Sousa e a sua sexta feira negra veio suavizar um pouco o papel de vilão.

  36. Duvido que alguém consiga ser uma sombra para António Costa. Aliás, é um dos poucos políticos nacionais que gostava de ver num cargo de maior dimensão.

    O que os políticos não se podem esquecer é que estão em constante análise por milhões de pessoas e ao mínimo deslize, por mais pequeno que seja, alguém irá dar com a língua nos dentes naquilo que se irá transformar numa bola de neve que não vai parar de crescer. Nada passa despercebido. O pior é que em Portugal assobia-se e olha-se para o lado como se nada fosse.

    homem sem blogue
    homemsemblogue.blogspot.pt

  37. Sobre o afastamento pela máquina partidária:
    – a questão está em acreditar-se no que as revistas escrevem. E será muito perigoso que as pessoas saiam da política porque as revistas disseram isto e aquilo sobre as suas vidas pessoais.
    (e não sou PSD, atenção; mas gosto de reflectir sobre os vários lados das mesmas coisas).

  38. Gosto de acreditar que os Portugueses, ao contrário dos americanos, distinguem a vida pessoal do for privado. Traiu a esposa, é com eles. Com mais ninguém.
    O Seara é desde a partida um candidato fraco, mesmo que não fosse o António Costa o candidato do PS.

  39. Confesso que li as notícias da traição do Seara com um pensamento sempre presente "pronto, vai ser visto como um herói… é assim que a nossa sociedade machista vê o assunto". E pensei também, de mim para mim, que vivemos num país em que a vida pessoal e familiar ainda não dá votos. Basta ver que o Sócrates era divorciado e nunca aparecia com qualquer família. O Passos é casado em segundas núpcias…

    Parece-me que realmente ainda não temos a cultura dos EUA (por exemplo), em que é obrigatória a foto de família sorridente para se garantir o voto do eleitorado. E, sinceramente, até gosto que assim seja. Não defendo as "maroscas para conseguir a licenciatura", nada disso. Mas gosto deste particular aspecto da nossa cultura: é que não obriga a hipocrisias por parte dos candidatos na hora de se apresentarem. São solteiros? Assim seja. São divorciados? Não há problema. Namoradeiros? Ok… O que queremos saber é qual é o programa político.

    Já pensaste no assunto dessa perspectiva? beijos

    pippacoco.blogspot.pt

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