A noite eleitoral

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Ontem, pela primeira vez em muitos anos, não fiquei em casa a seguir a noite eleitoral. Não fiquei porque fui um dos muitos portugueses que acompanharam esta campanha a uma distância propositada, porque o que esta classe política nos ofereceu durante duas semanas foi demasiado mau para poder captar a minha atenção. Por questões profissionais, claro que tive de ouvir discursos, ler jornais, estar atento aos sound-bytes e às ideias-chave de cada uma das candidaturas, mas isso só serviu para me afastar ainda mais das pessoas que hoje, e há alguns anos, dominam os círculos políticos, sejam de que partidos forem.

Ainda assim, ontem, depois de ter chegado do Rock in Rio (sim, preferi cantar e dançar com o Robbie e a Ivete do que ouvir Seguro, Passos e Portas), liguei a televisão e estive a tentar perceber a dimensão dos resultados. E é sobre isso que quero falar.

Começo pelo maior derrotado: o País.

Com isto, falo dos números da abstenção. Não sou dos que se atiram aos portugueses por não terem ido votar. Claro que defendo que nenhum de nós deve deixar a decisão nas mãos do outro, sob o risco de nos acontecer o que aconteceu aos franceses, que viram a extrema-direita vencer as eleições, mas compreendo o desencanto de quem não se dá ao trabalho, sequer, de ir às urnas. Ontem, ao contrário de em outros actos eleitorais, nem sequer havia o sol a puxar-nos para a praia, nem fins-de-semana longos, nada, houve apenas falta de vontade das pessoas em ir às urnas. A culpa disto é, exclusivamente, dos políticos e dos partidos. O descrédito desta gente leva-nos a isto. Não cola, sequer, o discurso da esquerda de que “andamos todos a votar nos mesmos há 30 anos”, porque, para mim, estes “mesmos”, não sendo perfeitos, são melhores do que alternativas mais extremistas – para mim e para a maioria das pessoas. As pessoas não estão fartas do PS e do PSD, as pessoas estão fartas da forma como se faz política em Portugal, estão fartas de ter sempre os mesmos actores políticos em cena, gente que nasceu, cresceu e sobrevive à conta dos aparelhos partidários, gente que não sabe fazer mais nada na vida do que vender umas ideias que já sabe que são falsas e que só as podem apresentar às pessoas porque não estão no Governo, porque quando lá chegarem não as poderão pôr em prática, porque a realidade e a economia do nosso país não permitem que nenhum executivo governe à larga. A abstenção de 66 por cento explica-se assim. Esta gente que ali anda já não convence ninguém, mas todos sabemos que praticamente nenhum deles irá retirar-se, e não o irá fazer por duas razões: não tem para onde ir e não tem o que fazer, porque nunca fez mais nada na vida do que ser político. Restar-lhes-á uma qualquer posição de lobista ou um tacho arranjado por amigos ligados ao partido, onde poderão fazer um retiro de quatro ou cinco anos, até voltarem em força, cheios de ideias velhas recicladas e discursos patéticos, populistas e enganadores.

Há muitos anos que defendo uma reestruturação da classe política, uma reinvenção da forma de fazer política, por forma a que deixe de se vender banha da cobra e se passe a pensar nos problemas efectivos dos portugueses e nas melhores formas de os resolver. Isto só é possível com a introdução de tecnocratas nas estruturas de decisão política, especialistas, gente das áreas que entende das áreas, que trabalha nas áreas e vive diariamente com esses problemas. Deve ser um conselho de médicos a discutir os problemas do Ministério da Saúde, deve ser um conselho de professores a debater as soluções para a Educação, deve ser um conselho de agricultores a procurar as melhores soluções para a Agricultura, devem ser os empresários a discutir as grandes questões da indústria. É óbvio que nunca haverá consensos, que mesmo dentro das classes profissionais há visões totalmente opostas para um mesmo problema, mas tenho a certeza que da discussão nascerá uma solução mais razoável, mais consensual, mais eficaz. O problema é que a política é vista como um pântano, e enquanto assim for os maiores especialistas, os grandes cérebros de cada uma das áreas não quererão envolver-se, meter-se na lama, porque já sabem que o mais provável é sairem de lá insultados, humilhados e com o rótulo de gatunos ou coisa que o valha. Por isso, é preciso mudar tudo, começar quase do zero, renovar por completo os partidos, fazer nascer outros, mais frescos, com outras ideias, sem estarem necessariamente encostados à divisão de sempre, a da esquerda e a da direita.

Eu, por exemplo, não me considero nem de esquerda nem de direita. Não me identifico com nenhum dos partidos existentes em Portugal, e gostava que nascesse essa nova via, que de alguma forma abanasse o sistema.

A vontade do povo de que se abane o sistema é grande – basta ver o resultado eleitoral do populista Marinho e Pinto, como se pode olhar para os resultados das candidaturas independentes nas duas últimas presidenciais, com Alegre e Nobre. As pessoas querem outra coisa, prova disso são estes quase 70 por cento de abstenção.

Sobre os resultados efectivos, nenhuma surpresa. Tal com esperava, o PS teve uma vitória froxa e sem expressão, e a culpa é muito mais de António José Seguro do que de Francisco Assis, que me pareceu um bom candidato. Desde o primeiro dia da campanha eleitoral que Seguro andou trocado, a achar que ia entrar numas legislativas, com a ideia-chave “vamos derrubar este governo e a política deste governo”. Não, Tozé, não era isso que estava em causa nestas eleições. Há dois anos dizia-se uma piada relativamente a Vítor Pereira, então treinador do FC Porto, que posso adaptar agora à política: actualmente, até com um macaco na liderança o PS ganharia estas eleições. Vejo zero de mérito de Seguro na vitória, mas vejo muito de demérito de Seguro no facto de a vitória ter sido curta. Ele pode dizer que ganhou a dois partidos juntos, pode dizer que teve mais votos do que nas anteriores Europeias, que eu só lhe digo que na actual conjuntura, após três anos de um governo que teve de cumprir com um plano de ajuda externa, com uma necessidade de acertar as contas do país, subindo impostos, cortando regalias às pessoas, impondo uma austeridade necessária (se bem que em muitos pontos discutível), seria de esperar que o PS esmagasse por completo a coligação e não tivesse uma vitória magrinha, como a que teve. Isto aconteceu porque Seguro não consegue afirmar-se como alternativa, consegue ser, quanto muito, o único escape para as pessoas descontentes, que vêem nele o mal menor.

A derrota da coligação também era previsível, por números que também podem ser vistos internamente como preocupantes, mas, uma vez mais, na actual conjuntura política, não me parece que Passos e Portas se devam envergonhar, pelo contrário. O normal seria a coligação ter um resultado humilhante, uma derrota esmagadora, uma percentagem muito mais baixa do que a quer teve. O normal, se o PS fosse uma alternativa sólida, seria o PS ter uma votação na casa dos 40-44% e a coligação ali entre os 18-20%. Não foi o que isso aconteceu. As pessoas não são assim tão estúpidas como Seguro pensa.

Só quato notas a fechar, para os partidos mais pequenos.

A máquina do PCP voltou a mostrar que está oleada, alcançando um óptimo resultado, depois de uma campanha sólida, quer de Jerónimo quer de João Ferreira, um miúdo com grande futuro dentro do partido. O voto nos comunistas é sempre um voto seguro em pessoas que todos sabemos que têm excelente capacidade de trabalho, que estão no parlamento ou no parlamento europeu a trabalhar para as pessoas, e não apenas à procura de um tacho. Mesmo não se concordando com as ideias-chave defendidas pelo PCP – e eu não concordo – é preciso reconhecer que os comunistas são aquilo que se espera de um partido.

O Bloco é o contrário de tudo isto, e a culpa, claro, está nesta liderança bi-partida que não faz sentido absolutamente nenhum. Se os bloquistas não põem a mão na cabeça, não param dois segundo para pensar no que lhes aconteceu, então, só podem esperar por mais um desastre, nas legislativas, que pode ser o impulso que faltava para o fim do partido.

Sobre Marinho e Pinto só posso dar graças por ter sido eleito. É da maneira que nos vemos livre dele por uns anos.

O Livre foi a minha grande decepção nestas Europeias. A culpa foi de uma campanha mal feita, que não chegou às pessoas. Duvido que alguém tenha percebido a mensagem-chave do partido. Não acho que Rui Tavares deva desistir, mas, sim, pensar em rodear-se de pessoas mais eficientes que o ajudem a melhorar a forma de chegar às pessoas.

36 Comentários

  1. Se realmente tivesse aprendido a interpretar textos, não estava a dizer que lhe faltei ao respeito apenas porque não tenho a mesma opinião que o senhor/a. Em nenhum momento o insultei ou me referi a si de forma imprópria. Foi o senhor que se dirigiu a mim em 1a instância, então respondi com a minha opinião. Se nao a aceita, então não se dirija a mim. Simples. Aqui comentava-se o ridículo e desrespeitoso que foi a nossa esquerda e seus homens terem comparado o NOSSO actual governo uma coligação de direita centro e de direita mais extrema sim senhor (é e será o partido mais á direita possível credível neste pais, diga o senhor o que disser), a ditadores e ao governo de hitler. O Ricardo escreveu sobre isso, pois sentiu-se exactamente como eu : feita de burra. E não gostei. E comecei os meus comentários em relação a essa questão, e depois alargou-se aos partidos de direita, direita extrema, direita radical nos países da Europa. Muitos partidos de extrema esquerda neste momento em países da Europa tem ideais políticos economicos e sociais próximos do nosso CDS. Como disse e bem, a Alemanha é um exemplo e há outros. E isso agrada-me. Lamento que se irrite tanto com isso. Não se devia apoquentar tanto..! Deveria saber, mas se não sabe acredite, que desde a altura, lá atras, em que governos assassinos existiram, já foram tomadas medidas que nos protegem contra qualquer ataque á dignidade humana e que nenhum governo poderá atropelar. E respondendo á sua preocupação sobre a minha eventual emigração para França, iria de bom grado. Se me fosse possível, visto eles quererem apertar a imigração, outro assunto com o qual concordo em parte, pois se reconhecem nessas medidas, uma forma de melhorar a situação financeira do pais, acho que estão no direito deles, e não se trata de tirania alguma. Acredito que a economia francesa e a situação do cidadão francês é e será ainda mais daqui para a frente incomparável ao nosso miserável panorama financeiro. E é disso que falo, de colocar as contas desta nossa Europa nos eixos, com novos governos com força e algum caracter. Não concordo obviamente em manter medidas austeras e intransigentes para sempre, mas por o período necessário para conseguirmos viver mais dignamente numa nova e melhorada Europa financeira.

  2. Minha senhora, parece que descemos ao nível dos insultos. Não vou descer consigo, pois aprendi a respeitar opiniões. Se não quer discutir, ouvir os outros, para que é que mete o bedelho em blogues e faz comentários?

    Claramente não está muitíssimo informada, se continua a não perceber a diferença entre DIREITA e EXTREMA DIREITA. Mas eu ponho aqui tudo explicadinho para si, não se preocupe.
    Extrema direita: “A extrema-direita (também conhecida como ultradireita ou direita radical) refere-se, dentro do conceito da existência de uma esquerda e direita, ao mais elevado grau de direitismo no espectro ideológico. A política de extrema-direita envolve o apoio de uma forte ou completa hierarquização social da sociedade, e apoia a supremacia de certos indivíduos ou grupos considerados naturalmente superiores que seriam mais valorizados do que aqueles considerados inatamente inferiores.”
    Pronto. Acha que é isto que o CDS defende? Não? Eu também não, por isso o CDS é considerado um partido de direita. Mesmo que o CDS esteja mais à direita que os outros países, no que diz respeito à economia e mesmo a ideais mais tradicionalistas, o único partido de extrema direita de Portugal é o PNR.
    Mas nada disto interessa porque estávamos a falar dos países da EUROPA que elegeram partidos de EXTREMA DIREITA, o que não foi o caso de Portugal.

    Isto nada tem a ver com ideais económicos, tem muito mais a ver em destruir uma Europa unificada, meter cada vez mais barreiras para imigrantes, despoletar um nacionalismo EXTREMO, propagar a xenofobia e a homofobia.
    Veja se percebe, os partidos que foram eleitos não são de direita. São de extrema direita e isso nada tem a ver com ideais democráticos e sociais que se defende há tanto tempo na Europa.

    Não sei para que gastei o meu latim com isto, provavelmente vai ficar na sua e continuar a pensar que extrema direita é o CDS. O pior do povo mesmo é a ignorância.

  3. Não, não acredito. Se ler melhor o texto do Ricardo e o meu comentário percebe isso. Primeiro, não confunda a senhora a extrema direita com a ‘direita’ em Portugal. E para sua informação sempre votei CDS, e admiro bastante o Nuno Melo, considero-o dos poucos políticos competentes no nosso país. Logo nunca me passaria pela cabeça comparar o CDS ao NSDAP.

    Acredito que é preciso mão forte na economia, mas não é disso que se trata na extrema direita.
    Quando se fala nos partidos de extrema direita na Europa fala-se em partidos racistas, xenófobos, anti-imigração, homofóbicos. Como o Jobbik ou o Fidesz na Hungria, como o FPÖ na Áustria. Não se fala em partidos Democratas-Cristãos, como o CDS ou a CDU na Alemanha.

    Eu recebi todas as regras básicas de respeito e boa-educação, e também as regras de interpretação de textos, algo que a si parece ter faltado. No meu comentário não existe uma única menção aos partidos em Portugal, apenas aos Partidos de EXTREMA direita na EUROPA. Por isso o seu comentário é completamente fora do contexto. A lata é toda sua por me faltar ao respeito sem sequer saber ler o meu comentário.

    E como nota de rodapé, o NSDAP era perfeitamente democrático, Hitler foi eleito. Agora o que ele fez (que estava previsto no seu livro Mein Kampf) foi um bocadinho extremo. E se for ler as ideias dos líderes de alguns dos partidos que mencionei vai encontrar semelhanças, que naturalmente não encontra num Nuno Melo ou num Paulo Portas, porque estes apenas são de direita, não são de extrema direita.

  4. Já expliquei aqui. Que não tenho ideais ou clubes partidários, não sou fanática como muita gente a defender o indefensável, vejo quais são as necessidades reais e presentes do nosso pais e da Europa neste momento. Posso ja ter votado esquerda num momento em que acreditei ser necessário para o país. Não gosto não admito é que me tentem fazer de burra. E as pessoas tem que entender que coração ao largo, estamos mergulhados na Podridão econômica e não vamos sair daqui com governos demagogos cheios de ideais facilitistas, gastos atras de gastos, e que defendem que cortes altamente necessários é sinônimo de tirania e desrespeito pelo cidadão. Meus amigos, governos de esquerda destruíram o nosso panorama ecónomico, agora convém mudar o rumo, se possível para o oposto. Nada disto tem que colidir com o direito dos cidadãos, pois caso não saiba acima de qualquer governo está uma constituição, que defende os nossos direitos não se preocupe. Caso não saiba, metar pessoas de cor ou racismo ou xenofobia é crime aqui e é crime na china. Portanto não se apoquente tanto, que os tempos andaram para a frente e estamos bem protegidos, não ha comparação alturas longínquas de governos assassinos. Comparar este governo ao governo de hitler é no mínimo ridículo e ofensivo para quem ouve. Poupem-me.

  5. Graças a deus sou muitíssimo informada. Só me está a dar razão, lamento. É ridículo tal como diz, Comparar o nosso governo obviamente de direita com governos ditadores racistas ou homofónicos. Dizer isso é um desrespeito para com a inteligência do povo e para com os homens á frente do governo neste momento. O único partido de “extrema” direita plausível e discutível como opção a ter no governo) no nosso pais é o CDS PP, essa é a política mais á direita possível neste pais, e a ideologia de muitos partidos no poder neste momento na Europa é muito parecida com a desse partido em Portugal. Assim sendo, quando falo em extrema direita, falo claro, no nosso pais,no CDS e não em partidos de que nem vale a pena falar que acredito que em Portugal pelo menos não tem visibilidade alguma nem são obviamente levados a serio. Então não me venha com demagogias e com tapa olhos, acredito se seja mais nova que o sr Manuel alegre, e por isso não tem a desculpa que lhe dou (se bem que não tem desculpa possível) pois com certa idade poderá se perdoar as anormalidades que anda a dizer.

  6. Então votasse em branco! Fui sempre votar desde que me recenseei (há 8 anos), excepto uma vez que tinha uma viagem marcada e votei sempre em branco. Nunca me revi em nenhum dos partidos/candidatos, mas seria impensável não exercer aquilo que considero ser um DEVER enquanto cidadã. Errado é não ir votar, deixar a decisão na mão de uma minoria e depois ainda vir criticar o que aconteceu.

  7. Que análise simplista. Pobre de ideias e de conhecimento de causa. Popular. Usaste a mesma técnica que criticas nos políticos.

  8. Sra. Ana, espero que nunca tenha que emigrar, por exemplo para França, pois a sua querida Marine Le Pen ainda lhe espeta com um virús EBOLA na testa. Cuidado, muito cuidado com aquilo que deseja, ás vezes a vida dá lições… Desejo-lhe as melhoras, quanto aos seus ideais!

  9. Sra Ana Maria, quando se fala de EXTREMA direita, não se fala do CDS. Fala-se do PNR. Fala-se de partidos (e pessoas) que são contra os imigrantes, que querem manter os seus países brancos, querem ter apenas as suas famílias nucleares (pai, mãe e filhos). Basta olhar para o LePen pai (bem e filha) e todos os comentários xenófobos e anti-semitas que fez até hoje. O seu partido, o que foi eleito nestas eleições europeias, baseia-se nesses fundamentos.
    Ideologicamente eu aceito muita coisa. Mas quando me vêm falar de “fora com os imigrantes”, “os pretos são preguiçosos” e “dêem porrada aos gays”, aí é o meu limite. Não gosto de extremismos, nunca gostei. E é um rumo muito triste que vejo para a Europa.
    Não estou a dizer que irá acontecer o mesmo que aconteceu com o regime nazi, nem nada disso.
    Mas vejo a Europa a retroceder décadas no tempo. É muito, muito triste.
    Pior ainda são as pessoas que não percebem que direita e extrema-direita não são de todo a mesma coisa, independentemente do passado, presente, futuro. Informe-se.

  10. Sr anónimo, tal como o sr Manuel alegre, o sr acredita ser bonito comparar este nosso governo de extrema direita e centro direita com governos outrora muito lá atras no poder, esses sim ditadores, esses sim racistas,esses sim homofónicos,esses sim xenófobos. ..? Em que mundo vive para não entender a mudança dos tempos? Não entende que a nossa extrema direita e tantas tantas outras defendem ideais democráticos, de liberdade e direitos humanos, tanto ou mais que outro governo de centro esquerda? O extremismo da direita hoje em dia vai de encontro ao panorama econômico meu senhor/a. Extremismo necessário sim senhor para ver se se organizam de vez as nossas contas. Tenha juízo e viva menos no passado e mais no presente. Não pense que somos todos burros como o sr Manuel alegre pensa, não pense que está a falar para gente que tal como o Ricardo diz compra banha da cobra.

  11. Acredita mesmo que as extremas direitas neste momento nos governos podem ser comparadas ao governo de hitler?
    Por exemplo a nossa extrema direita, com homens como Paulo portas ou Nuno melo, acredita ser minimamente plausível dizer que estes homens se comparam a hitler? Quer que eu ria ou chore de tal atrocidade!!? ( e atenção que não estou aqui a dizer que gosto ou deixo de gostar do político portas ou do político melo) estou apenas a dizer-lhe que não deve ter recebido regras básicas de respeito pelo próximo, para ter a lata de comparar homens como estes nossos da nossa extrema direita ao hitler. O que diz é igual ao que o sr Manuel alegre disse, que passou todos os limites do lógico e é de respeito, para tentar convencer um povinho que ele considera burro, tal como escreve e muito bem o Ricardo. Hoje em dia as extremas direitas tem ideias tao democráticas como qualquer governo central, e o “extremismo” é defendido quando se fala de contas, de economia, da força que é necessário para ter coragem de dizer chega de gastos quando não ha dinheiro para eles, chega de facilitismos. Agora que estamos no fundo, para melhorar é preciso políticas fortes e maos fortes que tenham a coragem de fazer o que deve ser feito para a nossa situação econômica equilibrar. Não me venha dizer a mim que tenho que pesquisar o passado das extremas direitas, pesquise você o presente, o que os partidos mudaram na sua essência, os novos tempos e suas necessidades, o estado deplorável em que governos de centro esquerda deixaram o nosso pais e a Europa.

  12. Só faltou uma coisa nesta análise das eleições e que me afectou a mim e muitos amigos meus. A obrigatoriedade de voto presencial que fez a UE perder muitos votos, um sistema parado no tempo algo retrógadro que não encaixa com o estilo de vida de muitos europeus. Estou desolada porque queria votar e o meu país me impediu de o fazer, porque o voto tem de ser presencial e eu não estava nem sequer no país pertencente à minha embaixada para votar. Para não falar que uma embaixada/consulado por país é um impedimento muito grande quando os países são grandes e fica longe e caro lá ir. Os portugueses só podiam votar presencialmente discriminando pessoas como eu que viajam a trabalho, pessoas com dificuldades motoras ou doentes. Quer-se uma europa moderna, um voto de localização fléxivel. Estou desolada.

  13. Realmente, também não percebo qual é o problema, afinal o período dos nacionalismos pela Europa só nos deixa agradáveis memórias. Ironia.
    Para lhe responder acho que basta dizer que o Sr. Le Pen, defende que o “Sr. Ébola” resolve o problema da imigração em França. Não é preciso dizer mais nada, pois não?
    O problema não está nos ideias democráticos e políticos, mas sim nas pessoas que os põem em prática, basta pensar em Portugal, há imenso tempo que as forças políticas (PS e PSD) não apresentam alternativas viáveis ao que temos tido até então. Esta campanha para as EE foi uma vergonha, só vi ataques de um lado para o outro, propostas nem vê-las!
    O descrédito das pessoas começa por aí.

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  14. Numa palavra, Hitler. Vá ler um bocadinho sobre a história da Europa e talvez consiga perceber o problema do extremismo, neste caso de direita, mas pode dar uma vista de olhos por Estaline e ver que nenhum extremismo é bom.

    Deixo-lhe também a seguinte citação, daquele que se acredita seja o candidato mais bem posicionado para Presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker:

    ‘Para Juncker, se a actual geração de líderes “não conseguir que a integração europeia se torne irreversível, os que daqui a 20, 30 anos já não saberão quem era Hitler ou Estaline não terão a força suficiente para o fazer”.’

    Para que não perca muito tempo em pesquisas posso também adiantar-lhe que desde que a UE foi criada a Europa regista o maior espaço temporal sem conflitos bélicos no seu território.

  15. Qual é o problema??
    Minha senhora se não vê o problema, então digo-lhe que algo está muito errado em si. Desculpe mas é mesmo isso. Se a XENOFOBIA, RACISMO, HOMOFOBIA, não são um problema para si, muito mal vai este mundo…

  16. Caro Arrumadinho,
    Agradeço a sua simpatia em me responder.

    Mas deixe-me que lhe diga. Acho de uma ingenuidade talvez exagerada para a sua idade, pensar que por meter tecnocratas nos governos as decisões serão melhores (diga-me um ministro das finanças nos últimos 30 anos que não tenha sido um “tecnocrata” pelo menos a quando da nomeação), e pior, que isso irá aproximar as pessoas da política. É exatamente o contrário, como toda a nossa história o demonstra.
    Sobre os novos partidos serei mais parcimonioso nos comentários, porque como sou católico, acredito em milagres. Mas sobre o tema também podemos olhar para a história e ver que não deve existir país no mundo que num tão curto espaço de tempo (diria 40 anos) tenha criado (e morto) tantos partidos políticos. Só no passado domingo julgo (não fui confirmar) que se apresentaram a eleições 14 partidos políticos. Ou criamos 10 milhões, e assim aumentamos a probabilidade de cada português se conseguir rever num partido político, ou então temos que reconhecer que as imperfeições intrínsecas do sistema não se compadecem com “alterações milagrosas”.
    Uma rápida nota sobre a abstenção:julgo que existem mudanças que podem, eventualmente, aproximar mais as pessoas da política, mas no fundamental, a abstenção é responsabilidade nossa, dos eleitores. As pessoas escolhem não ir votar. Podem ter milhares de razões para o fazer, mas é uma escolha que fazem. Tirando os casos de força maior, as pessoas têm o dever de ir votar. Como têm outros deveres decorrentes de viver em comunidade. Não concordam completamente com nenhum partido político? Não estão sozinhos. Diria mais, somos todos assim. Eu às vezes nem comigo concordo, como vou conseguir concordar completamente com um partido? Escolho o mal menor. É ruim? Nada é perfeito. (Se esperarmos pela perfeição vamos esperar uma eternidade, literalmente! ) Mesmo assim não consigo escolher nenhum? Voto em branco/nulo. Expressa, politicamente, uma valor importante. Escolhi ir votar e dizer explicitamente que não gosto de nenhum. A abstenção, politicamente, é a anuência e a ausência. Anuência na vontade da minoria que vai votar, e a ausência de vontade de dizer presente.

  17. É o que eu digo, as pessoas têm memória curta.
    Eu não defendo extremismos, nem de esquerda nem de direita. Mas devemos lembrar-nos o que a extrema direita apregoa: são contra imigrantes, atiram um bocado para a xenofobia e o racismo, são um bocado homofóbicos e… não sei, lembro-me de partido qualquer alemão estar à frente da Alemanha (e da Europa de outra forma) no meio do século XX e terem acontecido umas coisas más. Se bem me lembro, eram de extrema direita.
    Os nacionalismos extremos não fazem bem a ninguém, mas o pessoal não aprende. Vamos dar mais um ou dois anitos com esta gente à frente da Europa e ver o que acontece.

  18. Caro António. Não levo nada a mal o seu comentário, embora não concorde com ele. O meu texto não é aquilo que as pessoas querem ler, é aquilo que eu sinto relativamente à actual situação política do País. Se as pessoas concordam comigo e se identificam com o meu texto, então, óptimo. Diria que o meu texto é quase todo ele crítico em relação a muita coisa, sobretudo, em relação à classe política e à forma de se fazer política. Pôr mais o dedo na ferida do que isto é difícil. Digo que a culpa não é deste ou daquele, é de quase todos eles que andam a fazer política em Portugal há muitos anos. E aponto soluções: criação de novos partidos, de movimentos, introdução de tecnocratas nas estruturas de decisão política, por forma a reaproximar as pessoas da política.

    Depois, o que faço é a minha análise aos resultados, que também não será o que muita gente quer ouvir, sobretudo socialistas, bloquistas e votantes do MPT. Ainda assim, e como é natural, isto é apenas a minha visão das coisas, visão essa que é discutível, claro. Uns concordarão, outros não. Abraço.

  19. Porque será que os seus textos sobre política são sempre tão “politicamente corretos” (pelo menos os que me lembro de ter lido. Se estiver a exagerar peço desculpas. Mas este é um exemplo estremo disso, daí o meu comentário)
    Começa por culpar “exclusivamente” os políticos pela abstenção. Os portugueses são todos uns coitadinhos, que não se podem dirigir a uma mês e voto que dá muito trabalho. Continua espalhando a culpa por todos, indiferenciadamente. Culpa e ignorância. Depois advoga um governo de “especialistas”, a que se segue a defesa de uma “revolução” na forma de fazer política, nos partidos, tudo, e termina definindo-se como não sendo nem de esquerda nem de direita. O pleno! Naturalmente, para compor o ramalhete, dá uma no cravo e outra na ferradura, admitindo que especialistas podem não concordar, e tal e tal…
    Espero que não leve este comentário a mal, mas parece-me é tão populista como o populista Marinho Pinho que tanto critica. Diz apenas o que as pessoas parecem querer ouvir, sem por o dedo em nenhuma ferida a sério!
    Cumprimentos
    António

  20. Qual é o problema de termos uma frente extrema direita no parlamento europeu? Expliquem-me PF, qual o problema de se mudar a direcção que a Europa levava para o sentido exactamente oposto? A Europa foi empurrada para uma fossa econômica e social na qual nunca se imaginou ser possível entrar, e tudo isto conseguido por frentes de centro esquerda que proliferaram na Europa durante as últimas décadas e décadas. Então porque não mudar este rumo se ele foi obviamente tão mal escolhido? Por favor. Não estamos a discutir futebol e amores clubisticos. Não tem que se te ter amor a um partido, tem que se pensar no que é melhor para o país ou para a Europa nesta fase em que nos encontramos. E sinceramente governos de extrema direita parecem-me os únicos com os ideais e lógicas governativas necessárias para agarrar com a Força e Brutalidade que esta nossa Europa e também infelizmente este nosso pais tanto precisa. Infelizmente a desgraça em que estamos mergulhados não se resolve com políticas demagogas e irresponsáveis de governos de esquerda que dizem não ser necessários cortes, que as medidas de restrições de gastos severos são uma tirania e que está na hora é de fazer mais estradas TGVs e aeroportos.

  21. É mais de esquerda que de direita desculpe arrumadinho. Votou extrema esquerda ja varias vezes e nunca extrema direita. Isso mostra uma queda óbvia sua para a esquerda. E acredito que só tenha votado centro direita única exclusivamente porque é completamente inegável o estado deplorável que o ultimo governo de centro esquerda deixou este pequeno pais.

  22. Sempre assertivo. Concordo essencialmente com a falta de renovaçao de agentes políticos, mesmo dentro dos partidos usuais.

  23. Bom tarde Ricardo,

    Excelente análise. Um fui dos que se absteve mas por uma das razões que aí não está: não acredito na Europa no formato que está a seguir. Só por isso.

    Acho que essa leitura tem sido descurada pela maior parte dos analistas portuguesas mas que por essa Europa fora tem vindo a ser mencionada.

    É o velho mal português de discutir o que realmente está em questão.

    Abraço,
    Paulo

  24. Não concordo com as decisões serem dadas às classes que irão beneficiar delas. Primeiro, porque parte do problema vem daí. Segundo, porque sendo da classe e decidido dentro da classe, nenhum agricultor vai dizer que “Não” a subsidios para isto ou aquilo. Acho que o modelo atual de audição das associações empresariais, Ordens e afins, com todos os seus erros e falhas que são muitas, é o melhor. As decisões políticas devem ser tomadas pelos políticos, por terem a vantagem de estarem distanciados das questões.
    É claro, e óbvio, até em todas questões, que isto é lindo no plano teórico, mas se um político já é susceptível de lobby para favorecer x ou y situação, como seria um conselho de agricultores a decidir medidas para esta ou aquela região, ou médicos a tomarem decisões de serviços para este ou aquele centro hospital, ou empresarios a decidirem apostar em 2 ou 3 setores e reduzir noutros? Uma luta de galos pelo poleiro, é o que acho que seria.

  25. Bom dia Ricardo,
    Ainda bem que decidiu regressar à escrita no blogue. Gosto dos seus textos em geral, partilhe ou não da mesmo opinião.
    Em relação às eleições, devo dizer que o que mais me incomodou foi não haver distinção entre abstenção e absentismo. Acho que nunca tinha pensado nesta questão, porque nunca tinha votado em branco. Mas… desta vez foi diferente. Fui votar, cumpri uma vez mais o que considero ser um dever cívico, votei em branco e à noite vi a minha decisão englobada no rol dos que nem se deram ao trabalho de se deslocarem às urnas (sem julgar as razões de cada um relativamente a esta não-acção). Acho inaceitável! Porque acho que são leituras completamente diferentes. O voto em branco, a abstenção, significa a não identificação com os partidos representados no boletim de voto e a opção clara de não escolher nenhum. O absentismo, o não ir votar, pode significar um monte de coisas, entre as quais se incluem os típicos “não me apetece”, “fui à praia”, and so on…

  26. Caro anónimo, eu sou sincero comigo. Não sou de esquerda, não sou de direita. Defendo algumas linhas orientadoras da esquerda, outras da direita. Já votei à esquerda (Bloco, CDU, PS) e à Direita (PSD), consoante determinados projectos/candidatos/conjunturas eleitorais, mas não me revejo em nenhum dos actuais partidos. É isto.

  27. mais de 60% de abstenção…é o número que para mim marca a noite eleitoral…é muita gente desligada, alheada de tudo isto…se somarmos votos nulos e brancos quase que atingimos 70%…claro que dá azo a aparecerem surpresas como a do MPT…os principais partidos precisam de mais surpresas para abrirem os olhos…muita gente critica o Marinho Pinto mas quem votou nele duvido que tenha votado para o mandar emigrar…

  28. ” Não me considero nem de esquerda nem de direita”
    Então porque será que tudo o que diz a seguir anula esta frase?
    Pelo menos seja sincero consigo mesmo!!

  29. Mas porque será que quando aparecem candidatos contra o sistema são populistas e demagogos? Por um lado estão fartos dos políticos dos principais partidos, por outro, se aparece alguém mais inconformado e contra o sistema, também não servem porque não passam de fala-baratos, ou seja, populistas. Então votamos em quem? Os comunistas também não servem porque como não chegam ao poder, só sabem é ser do contra. Conclusão: votam sempre no PS ou PSD porque são os mais “credíveis”, mas no entanto são os mais fingidos pois só se lembram das pessoas nas campanhas. E os que nos roubam mais. Fora delas, fogem das pessoas a sete pés com receio das críticas. Os outros não passam de palhaços. Sinceramente já não sei em quem votar. E que tal se começássemos a dar oportunidade aos partidos mais pequenos? O que é que temos a perder?

  30. Percebo essa perspectiva de que o país é o derrotado. Mas acho que a classe política deveria perceber os motivos que levam dois terços dos votantes a ficar em casa sem votar. É o total descrédito no que temos e nas opções que se apresentam. É triste que assim seja. E os comentários mostram que eles não se preocupam com as pessoas mas apenas com o tempo que vão continuar a mandar e a encher os bolsos.

    homem sem blogue
    homemsemblogue.blogspot.pt

  31. Para mim duas coisas me preocuparam: a abstenção e a subida extrema-direita de outros países europeus. As duas coisas estão ligadas (não em Portugal, felizmente a extrema-direita não é levada a sério aqui), e por isso é urgente as pessoas irem votar. Se não quiserem votar em nenhum dos partidos, votem em branco. Eu percebo que as pessoas estejam desesperadas e não queiram saber.. Mas se não querem mesmo saber, votem em branco. Abstenção não é um protesto, o voto em branco sim.
    Agora vamos ver como corre com os eurodeputados extremistas. Mas lá que é assustador ver uma Europa assim.. Ui.

  32. Boa análise, Arrumadinho. Como estudante e quase Mestre em Estudos Europeus (faltam apenas a nota da tese e os ultimos exames) estou interessada em saber a sua opinião e ler uma análise mais detalhada sobre os resultados destas eleições a nível europeu, se assim entender. Não lhe escondo a preocupação que senti ontem à noite ao seguir o especial da Euronews, e ver os discursos de Marine Le Pen, Nigel Farage e demais extremistas. Embora defenda que é preciso ouvir as vozes dissidentes e inclui-las no diálogo europeu, parece-me que com estas eleições acabou por haver uma mistura entre eurocepticismo e extremismo. Se por um lado isto pode significar o fim do chamado “permissive consensus”, por outro também significa que nos esperam tempos muito difíceis: caso Juncker venha de facto a ser o novo presidente da Comissão Europeia, vamos ter uma frente extremista no Parlamento Europeu e um Presidente do orgão executivo europeu que já assumiu publicamente durante a campanha que se recusa a dialogar ou ouvir vozes eurocépticas.

    Peço desculpa pelo longo comentário mas é de facto um tema que me interessa e sobre o qual gostaria de o ouvir. Cumprimentos 🙂

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