Bebés fofinhos vs putos crescidos: eu gosto de ver os meus filhos a crescer

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22011
Penso muitas vezes no momento em que os miúdos serão jovens adultos e poderão ir viajar pelo mundo comigo

Muitas pessoas que conheço (sim, são todas mulheres) têm aquela coisa especial com bebés, e costumam lamentar-se de verem os filhos tornarem-se putos crescidos, que têm conversas, correm, cheiram a suor e a chulé e começam a falar de raparigas.

Não posso dizer que sou o oposto disso, porque também gosto de bebés, e da fase em que são bebés, mas sinto-me sempre entusiasmado e feliz quando, em pequenas coisas, noto que os meus filhos estão crescidos. Penso mesmo muitas vezes no momento em que eles serão adolescentes ou jovens adultos e poderão fazer coisas de gente crescida comigo, como ir passear pelo mundo (já podem ir, mas não é a mesma coisa), ver filmes decentes no cinema (eu gosto muito de animação, mas…), participar em corridas ao meu lado, coisas desse género.

Por ser uma pessoa extremamente calma e paciente, nunca tive grandes stresses com aqueles primeiros meses de vida dos miúdos. Com o mais velho, o Henrique, foi mais complicado, porque era tudo novidade, e o rapaz demorou uns meses valentes a começar a dormir a noite toda. Ainda hoje, com 10 anos, e independentemente da hora a que se deite, acorda sempre às sete, sete e meia da manhã. Vá lá que agora já vai sozinho para a sala, liga a televisão, ou a PlayStation, ou vai fazer as cenas dele, e não me vem acordar, como fazia sempre entre os 3 e os 8, por aí.

Com o Mateus já foi diferente. A fase pós-nascimento foi mais tranquila, primeiro porque já sabia o que aquilo era, conhecia as rotinas, sabia fazer tudo, e depois porque tirei licença de paternidade, o que me deu tempo para poder, em conjunto com a mãe, gerir tudo o que havia para fazer, controlar melhor o descanso e as horas de sono (a privação do sono é um dos grandes catalisadores de conflitos nesta fase).

Hoje, recordo esses tempos de forma simpática e bonita, mas não acho que fosse tudo muito melhor, ou que os miúdos fossem mais meus, como muitas pessoas dizem. Com o passar dos anos, sinto que a ligação que se cria com os filhos evolui, cresce de uma maneira que nós próprios não acreditávamos que fosse possível (achamos sempre que não se pode amar mais um filho, mas depois os anos passam e percebemos que sim). Num determinado ponto, eles quase que deixam de ser apenas filhos, são também companheiros, melhores amigos, uma extensão de nós que anda por ali, com vida e personalidade próprias.

Este fim de semana tive uma conversa com o meu filho mais velho como nunca havia tido, sobre uma questão familiar de que nunca falámos, por eu entender que ele era demasiado pequeno, e não era o timing certo. Curiosamente, ele teve uma reação quase adulta, colocando sempre em primeiro lugar as pessoas que lhe são próximas, que ele conhece e de que mais gosta. Fez uma análise ao problema que me deixou verdadeiramente surpreendido, que achei que não seria possível ser feita por uma criança que acabou de fazer 10 anos.

Este foi um daqueles momentos em que percebi que gosto muito de ver os meus filhos crescidos.

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