Brinquem lá com a saúde dos vossos filhos, não brinquem com a saúde dos meus

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Não entendo a polémica à volta das crianças não vacinadas, e que já levou à morte de uma miúda de 17 anos infetada com Sarampo e que, pelas últimas informações, não estava vacinada contra a doença (não é certo ainda se por razões clínicas ou por opção de um dos pais — é o assunto em discussão neste momento). Não entendo porque é daquelas coisas que nem deveriam merecer discussão, porque não entram na lógica do “são escolhas que os pais fazem para os filhos”. Não, não são.

Os pais têm total liberdade para escolher o tipo de educação que querem dar a um filho. Mais rígida, mais liberal, mais autoritária, mais na base do amor.

Os pais têm total liberdade para escolher o tipo de roupa que vestem aos filhos, mais desportiva, mais prática, mais abonecada, mais formal.

Os pais têm total liberdade para escolher a relação que têm com os filhos, se os levam para todo o lado, se os deixam grandes períodos com os avós, se ficam com uma ama, se não largam os pais por um segundo.

Os pais têm total liberdade para escolher o que dão de comer aos filhos, se comida vegetariana, se uma alimentação mais diversificada, se uma dieta mais paleo, se uma dieta com mais frutas, se retiram ou não o leite.

Os pais têm total liberdade para escolher se querem pôr os filhos no futebol, no ballet, na natação, no judo, no râguebi, no piano, no violino, nos trampolins, nas danças de salão, no inglês, no japonês, num curso de cozinha para putos, num ateliê de costura.

E os pais têm total liberdade para tudo isto porque nenhuma destas escolhas interfere diretamente com a saúde ou a qualidade de vida dos filhos dos outros. Sejam quais forem as escolhas, eles, pais, serão responsáveis por elas e os filhos, para o bem e para o mal, poderão, mais tarde, agradecer-lhes ou criticá-los por essas mesmas escolhas. De uma coisa tenho a certeza: qualquer pai toma uma decisão para o seu filho consciente de que isso é o melhor para ele. Pode ser, pode não ser, isso o futuro dirá.

Acontece que neste caso da vacinação, por muito que um pai ache que está a decidir o que é melhor para o seu filho, essa decisão pode estar a interferir diretamente com a saúde das outras crianças. Uma criança não vacinada é um potencial portador de uma doença transmissível a outras crianças. Doença essa que pode ser letal. Que um pai tome a decisão de não vacinar os seus filhos só porque acha que as vacinas são uma contaminação de uma indústria capitalista, isso é lá com ele, e a desgraçada da criança é só uma potencial vítima da estupidez desse pai, mas agora esse pai que toma essa decisão tem de saber que não tem o direito de colocar o meu filho e o filho de todas as outras pessoas em risco. E é isso que está a fazer quando decide não vacinar o seu filho. Por isso, e se quer viver em sociedade, tem de tomar as suas decisões consciente de que não vive sozinho, de que o seu filho não vive sozinho, e que os outros não são obrigados a pagar pelas suas convicções.

Não quero entrar aqui na discussão do empirismo vs ciência, porque essa, então, parece-me mesmo uma discussão idiota, quero mesmo só reforçar a ideia de que por mais fortes que sejam as nossas convicções, por muito que acreditemos que estamos a fazer bem aos nossos filhos, nunca devemos deixar de pensar que eles não estão sozinhos no mundo, e que as nossas ideias não podem nunca interferir com as ideias dos outros pais, ao ponto de poderem matar os filhos dos outros. E é só.

52 Comentários

  1. Quando para alem de saúde publica se fala de um negócio que ronda os 50 mil milhões de dólares anuais, as vacinas, e considerando a comprovada promiscuidade entre a industria farmacêutica (entre outras) e os decisores públicos, talvez empregar um pouco de sentido crítico, estudar o real conteúdo e efeito das mesmas, protegendo o seu filho de supostos especialistas e autoridade obrigacionista, seja a verdadeira missão de um Pai… E escolher (com a devida responsabilização de quem as considera vitais e seguras) quais as que deve aplicar.

    Arrume por favor:

    … este facto – https://ibb.co/c36Ld5
    … esta correlação – https://ibb.co/bTAXQk
    … e esta noticia – http://www.newstarget.com/2017-02-03-13-year-old-permanently-disabled-by-chicken-pox-vaccine-wins-case-in-vaccine-court.html

    E quem é o meu caro para determinar ou opinar quanto ao que o próximo é livre ou não de fazer? A sua liberdade acaba onde começa a do outro…

      • Está desculpado…

        Pensei em colocar links directos para as fontes da informação dos memes (imagens) que postei, entre os quais o CDC, mas assim não melhoraria a sua capacidade aparentemente manhosa de investigar e averiguar factos. Quanto ao unico site que tem link, repare que é um processo judicial publico (entre muitos), apesar de os lobbies da industria de que falamos terem conseguido criar legislação que impede processos de responsabilização… Mas siga sujeitando-se á sapiencia e autoridade do próximo e passe-lhes a saude e destino de seus filhos… É optimo para o meu negócio 😉

        Cumps.

    • Não que o dono desta “casa” necessite de defesa, mas penso que “o meu caro”, como lhe chama, é uma pessoa que tem o direito de dar uma opinião sobre um assunto. Assim como o Fernando teve o direito de dar a sua em resposta.
      Pegando nas suas palavras, também seria mais positivo que o Fernando baseasse as suas ideias em sites um pouco mais científicos e profissionais. Os que apresenta são minimamente duvidosos e bastante incompletos.
      Arrume por favor.

  2. Parece que são todos parvos. Vocês que são anti-vacinas, onde é que andavam durante as aulas de Ciências? Na fila da cantina? Ou isso foi quando o Deus-vosso-senhor distribuiu o bom senso?

  3. Fico assustado com a quantidade de desinformação que leio nestes comentários, a sério que fico. Estamos em pleno Séc. XXI, não estamos na Idade Média. As minhas filhas estão vacinadas, mas as vacinas não são uma garantia de imunidade. O que fortalece o efeito da vacina é a chamada imunidade de grupo, mas para tal é necessário que mais de 95 % dos membros de uma população estejam vacinados. Nesse caso, a chamada imunidade de grupo fornece proteção para os vacinados e não vacinados. Quando essa percentagem é menor, existe margem para que o vírus se desenvolva e se propague, podendo infetar tanto vacinados como não vacinados. A vantagem é que os vacinados, como já têm o sistema imunitário desenvolvido para combater o vírus, a probabilidade da doença incubar é menor, mas existe na mesma, principalmente se ocorrer algum tipo de mutação no vírus. E o sarampo mata, não é uma simples constipação. Por isso, se os vossos filhos não são vacinados, eles constituem um risco para as minhas e isso é algo que não posso tolerar. Outra coisa que me assusta é a forma como falam das crianças com menos de 12 meses. É verdade que não estão vacinadas, mas enquanto estiverem a ser amamentadas, gozam da proteção partilhada proveniente do leite materno, que entre outras coisas, fornece ao bebé os anticorpos da mãe. O maior risco é para os bebés que por algum motivo não são amamentados e são alimentados a suplemento. E quando alguém diz que a melhor forma de defesa é apanhar a doença, apenas tem parte de razão. Pessoalmente, não quero arriscar apanhar uma doença que pode matar na confiança que o meu sistema imunitário vai resolver a questão. Porque pode não resolver. Na Austrália, a vacinação não é obrigatória, mas os pais que optam por não vacinar os filhos têm de assinar um termo de responsabilidade e perdem o acesso ao Sistema Nacional de Saúde para TODA a família. Talvez fosse uma solução a considerar para Portugal.

    • A sua resposta é inteligente contudo tenha presente que existindo imunidade de grupo à percentagem que refere, uma escolha individual apenas afecta o individuo em questão, não afectando o grupo por não alterar em nada o resultado do grupo. Assim não é legitimo afirmar que “uma pessoa” ponha em risco o grupo não podendo por isso fazer uma escolha. Isso é colectivismo do mais puro. Além de que a mutação viral é algo com o qual mais cedo ou mais tarde nos iremos confrontar

      • Se todos pensassem assim, rapidamente a taxa de vacinação baixava para percentagens menores e aí sim, estariam todos em risco. Se considerarmos um plano de vacinação obrigatório, excepto para os casos em que contras são definitivamente maiores que os prós, provavelmente casos como o desta rapariga que interrompeu o plano de vacinação precisamente por ter tido uma reação adversa, não aconteceriam. Pode ser colectivismo, mas há certas situações em que o bem comum se sobrepõe à liberdade de escolha de um indivíduo. Porque nunca nos podemos esquecer que a nossa liberdade termina onde começa a do próximo.

      • Esqueci-me apenas de mencionar que se uma doença se extinguir graças à vacinação, como foi o caso da varíola, a questão da mutação do vírus deixa de se colocar.

  4. Engraçado que todas as “escolhas” que ele referiu também têm repercussões diretas na vida de outras pessoas…alimentação por ex, o consumo de carne leite e ovos além de provocar um sofrimento animal desnecessário e brutal, provoca destruição ambiental e um desperdício incrível, enquanto milhares de crianças morrem a fome noutra zona do planeta. A roupa que escolhemos também é muitas vezes manufacturada por crianças exploradas e escravizadas, etc. tudo é uma questão de escolha, mas tudo o que fazemos afeta a vida de outras pessoas. A vacinação ainda é uma escolha, e pelo que tem sido divulgado os pais não vacinaram a menina porque teve uma reação alérgica muito agressiva à mesma. Parem de julgar os outros quando não estão na sua pele…não sabemos todos os detalhes nem se não faríamos o mesmo na sua situação.

    • Exato! Para mim deveria ser obrigatório não comer animais. Sou pro-vax, como qualquer pessoa com juízo, mas se fossemos a proibir e a obrigar com base nas convicções indivíduais, estávamos bem lixados.

    • LC, neste momento há muita especulação, assim como foi dito que ela teve uma reacção adversa, também já vieram dizer que a irmã (se é que realmente tem) também não estava vacinada. Aqui não está em causa julgar estes pais, porque neste momento é o que eles menos merecem e precisam, nenhum pai deveria passar por isto, mas este caso é uma chamada de atenção para todos. Que ponderem bem as suas acções.
      E não, como disseram abaixo, não devemos respeitar a posição de cada um em relação a este assunto, eu não posso respeitar a acção de um ser que vai colocar em risco outros. Se eu optava por vacinar um filho sabendo as reacções adversas que advém daí? pois, se calhar não, mas como muita gente faz não vou deixar de vacinar porque o vizinho já o fez, lamento muito mas as coisas ainda não funcionam assim. É que não tarda deixo de pagar os meus impostos, porque outros já o fizeram, também deixo de fazer reciclagem porque lá está, já há quem tenha feito…
      e a quem coloca a seguinte questão “de que forma uma criança não vacinada poderá por em risco outros, para além dos que tomem a mesma opção?”
      Estes quadros em que uma doença está extinta, como era o caso do sarampo, o caso reverte-se em quatro ou cinco anos se as pessoas deixarem de vacinar as crianças. Portanto, dá para perceber o que é que acontece se os paizinhos deixarem de vacinar as crianças.

  5. Não, não brinquem.
    Não podem brincar com a saúde dos seus filhos.
    Só com a sua própria.
    Não somos donos dos nossos filhos.

  6. Aplaudo de pé pois estou completamente de acordo. Apelei a duas blogers bem conhecidas para escreverem sobre o tema é tive aí oportunidade de deixar o meu comentário sobre o tema. E foi isto que escrevi. Portanto Arrumadinho obrigada. É um problema de saúde pública, de civismo, de cidadania e de amor pelos nossos filhos. Cláudia Cunha

  7. Pela primeira vez, concordo inteiramente com o que escreveu.
    A nossa liberdade acaba onde começa a dos outros. Os pais “anti vacinas”, não têm o direito de prejudicar as pessoas à sua volta.

  8. O perigo da não vacinação é para a pessoa em questão. Neste caso, para ‘os seus filhos’, caso tenham a vacina digamos neste caso do sarampo, estão protegidas. Não há a questão do por em causa a saúde pública… apenas a saúde dos que não estão/foram vacinados. Isto não faz sentido algum o que escreveu.. a vacinação é uma escolha precisamente porque não afecta o próximo. Apenas a pessoa em questão.

    • “A vacinação é uma escolha porque não afeta o próximo”
      Então pai ou a mãe que decide não vacinar o filho não está a afetá-lo??? Não está a tomar uma decisão que, em ultima instância, pode levar – como levou no caso da jovem de 17 anos – à morte de um terceiro???
      Ou para si os pais são donos e legítimos proprietários dos filhos e podem fazer o que lhes apetece com eles, nomeadamente por em causa a sua saúde e integridade física?
      Não seria melhor pensar um pouco antes de escrever cara Mariana?

  9. Sem alterações legislativas, é estar a discutir o sexo dos anjos… Quer queira-mos, quer não, não há lei, até ver, que obrigue um pai a vacinar o seu filho….

  10. Uma coisa me surpreende no meio desta triste realidade: como é possível que pessoas mais instruídas que os seus avós, seus pais, se informem na net!? Não tem acesso a médicos privados!? Nos anos 70 compreendo que só meia dúzia tivesse acesso a um médico privado, mas agora?!
    Mas que raio de aprendizagem é esta que se efetua por opiniões formadas no que vem na net!?
    Falamos de países subdesenvolvidos com soberba e achamos que os pobres (que nojo) não sabem cuidar dos seus filhos. Afinal para quê tanto escolaridade, se conseguem dizer barbaridades que os colocam ao nível de um povo instruído da Idade Média?
    Cada vez mais me convenço que falta tanto para a descoberta da vacina contra a estupidez e a ignorância.

  11. “Se os seus filhos estão vacinados porque é que está preocupado?” E é assim que doenças consideradas erradicadas como o sarampo e tuberculose voltam à carga! Os virus precisam sempre de um hospedeiro para se desenvolverem, quantos mais hospedeiros encontrarem mais se desenvolvem. Quando se faz uma vacina tenta-se estimular os anticorpos para combater o virus, ou seja estamos a apresentar o virus ao corpo assim que se por acaso ele o encontrar por aí saiba como reagir, mas se muitos meninos não forem vacinados o virus ganha hospedeiros para se desenvolver e evoluir e criar defesas contra as proprias vacinas…e depois o sistema imunológico não é igual em todas as crianças por isso mesmo para as vacinadas o risco existe (porque pode ser uma criança vacinada que naquele momento apresente um sistema imunológico debilitado)! É uma questão de saúde pública e como tal deixar a decisão a quem não tem conhecimentos para decidir é o maior dos riscos!

    • Que todos leiam o seu comentário pois fico boqueaberta com as pessoas que colocam tal questão…. Nos tempos de hoje em dia não me cabe na cabeça que a esmagadora maioria das pessoas estejam tão mal informadas ao ponto de não saberem que os vírus sofrem mutações e desenvolvem defesas ás nossas próprias defesas…. os vírus também se desenvolvem pessoal!!!! Já para não falar que a primeira vacina é dada apenas aos 12 portanto até lá não estão protegidos…. portanto, na minha humilde opinião, é vergonhoso cada comentário que leio: “se está vacinado como é que uma criança que não está a coloca em perigo?” 😡😡😡

    • Nicole, pensava eu que estava a alucinar pois que muita gente não estava a perceber o que o Arrumadinho escreveu. É isto mesmo pessoas, estão a ler muito bem… ora voltem lá a ler o post da Nicole, vá lá só mais uma vez. Esclarecidos?

  12. Se os seus filhos são vacinados, estarão os pais que nao vacinam a colocar a saúde dos filhos do Ricardo em risco? Na minha opinião não, porque são os outros filhos que não estão protegidos. E são os pais que tem que acarretar com as responsabilidades da escolha de não ter vacinado. O Ricardo se acha que tomou a melhor escolha então relaxe e continue a fazer o que acha melhor para os seus. Devia se ter ficado pela primeira parte do texto.

    • Claramente fala na ignorância, pois nenhuma vacina protege a 100%, e há uma coisa chamada Imunidade de Grupo, que protege tanto as pessoas vacinadas como as não vacinadas… mas para isso é necessário que uma grande % da população esteja vacinada efectivamente.

    • Mas a questão é que o meu filho pode ainda não estar vacinado por não ter ainda a idade da vacinação. O outro, que já deveria estar vacinado, põe o meu também em risco.

    • Porque se toda a gente deixar de vacinar os filhos há um risco mais elevado certo? A vacina protege mas não é 100% eficaz certo? ‘Devia-se’ ter deixado ficar com a ‘ boca calada ‘, não entra mosca nem sai asneira !

    • E os crianças com menos de 12 meses?! Não interessam?! Os que pela questão idade ainda não estão protegidos?! Santa ignorância. Egocentrismo no seu máximo. Respeito pelo próximo previsa-se urgentemente.

  13. Concordo plenamente. Só um acrescento ao texto para justificar melhor como a decisão de alguns pais pode afectar à saúde dos filhos dos outros: todos as crianças só podem ser vacinadas com a primeira dose aos 12 meses, antes disso estão completamente desprotegidas.

    • Não não estão, antes dos 12 meses e principalmente antes dos 6 meses “gozam” da protecção adquirida através da mãe, daí a importância do aleitamento materno principalmente nos primeiros 6 meses.

  14. Tudo é uma escolha, não defendo nem critico… os Pais tomam decisões e no seu ver será sempre pra bem dos seus filhos. Nesta hora de perda e dor todos sabem censurar… mas se os filhos dos outros estão vacinados então não têm de se preocupar. As vacinas são mesmo pra estas e outras circunstâncias. Eu estava vacinada e tive sarampo de uma forma leve, mas tive, assim como varicela aos 14 anos… pensem em todos os Pais que fumam e obrigam os seus filhos a “fumar” e os outros, não lhes dão estes doenças e uma morte lenta? Os Pais que viajam para outros Países a seu belo prazer, podem trazer doenças, contaminar os seus e os outros…etc.

    • Nao teem de se preocupar??? E os bébés que até o primeiro ano nao teem a vacina??
      Tem juizo. É o circulo da vida e teem de ser obrigados a fazer, é como terem de pagar impostos é igual

  15. Se essas criancas estão vacinadas, e portanto imunizadas de contágio da doença como é que uma criança não vacinada consegue contagiar? Algo aqui não bate certo… A Melhor imunidade possível é deixar a criança passar pela doenca, que neste caso é inofensiva, caso a criança esteja bem nutrida. Se há um caso de morte pelo sarampo, caso de uma rapariga vacinada, então ha que pesar que tipo de alimentação tinha e em que ambiente vivia. Há muitos factores a considerar e estes posts radicalistas só fomentam ódio e estupidez. Pelo menos em quem não sabe estudar o assunto é ter opinião própria

  16. Eu acho que há um pormenor que está a escapar à maioria nesta discussão: esta não é uma vacina obrigatória! Assim como não é a vacina contra o cancro do colo do útero, entre outras em Portugal. Os pais podem efectivamente decidir se a querem dar ou não. Inclusive, conheço médicos que já não a aconselham – simplesmente porque a doença foi considerada erradicada no nosso país.
    Independentemente disso, acho que a grande questão é: claro que os pais têm de dar as vacinas obrigatórias, estas são necessárias para que possam viver em sociedade (nomeadamente para inscrever os filhos nas escolas). As outras, são opcionais. Será que todos os pais dão todas as vacinas opcionais aos filhos, sem exceção? Se fosse um caso de uma doença mais rara (em que menos crianças são vacinadas), será que apontariam o dedo aos pais da mesma forma?

    • Esta vacina é uma vacina incluida no plano nacional de vacinas!!!e dada de forma gratuita!Não há vacinas “obrigatórias” em Portugal!!!espero bem que comece a haver!!!

      • De facto, tem toda a razão! Eu pensava que haviam algumas vacinas obrigatórias (como a do tétano, por exemplo) e que por isso era sempre exigido o boletim de vacinas nas inscrições das escolas/universidade e até mesmo em alguns locais de trabalho (como o meu, por exemplo, que trabalho num instituto de investigação). Sei que existe o plano nacional de vacinas, que indica todas as vacinas com participação do Estado, mas pensei que dentro dessas algumas fossem obrigatórias e outras não. De facto tem razão e em Portugal as únicas vacinas que todas as crianças tomam são aquelas dadas logo na maternidade. A partir desse momento, são só aconselhadas.

      • Há sim. Duas. A da difteria e do tétano são obrigatórias. (Sob pena de as crianças não poderem frequentar ou fazer exame em qualquer estabelecimento de ensino. Ora, como o ensino é obrigatório…)

  17. Perdoem-me a ignorância mas se os seus filhos estão vacinados, e assumo que estejam face ao que escreveu, de que forma uma criança não vacinada poderá por em risco outros, para além dos que tomem a mesma opção?

    • Uma criança/adulto que não foi vacinada por opção dos pais e sem que houvessem problemas clínicos associados a essa decisão, estará sim a colocar em risco outras crianças, as que por motivos clínicos não podem ser vacinadas e as que ainda não atingiram a idade mínima para levarem essas vacinas.

    • Porque as crianças só são vacinadas contra o sarampo aos 12 meses e andam em creches desde os quatro!!!Por isso se diz que nao vacinar é uma questão de saude pública.Os pais que nao vacinam os seus filhos põem em risco todos os bebés até 1 ano!!!!Além de outras situações…pessoas imunodeprimidas que arriscam agora apanhar uma doença que já estava erradicada há anos!!!

      • sim, muito esclarecedor.
        Informativo, fundamentado e sem juizos de valor ou uma postura condescendente sobre a posição das outras pessoas, ou até sobre meras perguntas.

    • A miúda levou a primeira vacina e teve reação alérgica. Os pais mal informados decidiram que não levaria a segunda toma da vacina. Sem as duas a protecção não é completa. As vacinas não tem todas a mesma formulação e se fez reacção a uma não quer dizer que faça a outra formulação diferente. Devia ter havido mais informação.

      • Também tive oportunidade de ler a notícia, actualizando as razões que levaram os pais a não vacinar a sua filha. Mas passaram 17 anos sobre a primeira toma, caramba. 17!! Concordo com quase tudo o o que Ricardo escreveu, excepto com o facto de que os pais querem sempre o melhor para os seus filhos. Infelizmente, não creio que seja assim. Há maus pais. Há pais que se estão a marimbar para os filhos, esta é uma realidade. Horrível, mas uma realidade. Talvez estes pais tenham deixado passar o tempo, e como nunca nada de grave talvez tenha acontecido à sua filha, deixaram o tempo passar, sem se preocuparem com o resto. Esquecem-se que, até aos 18 anos, os pais são os representantes dos filhos. Não em tudo, é certo, mas nestas questões, certamente decidem por eles. não se pode fechar os olhos. Muita pena desta família. Mesmo. Porque não deve haver maior sanção do que o remorso que nesta altura estarão certamente a sentir. Que isto nos sirva, a todos, de lição para repensarmos sobre o papel dos pais na vida dos filhos. Bem haja Ricardo.

  18. Concordo a 100% com o que escreveu. Também eu acho que a vacinação não é escolha. Ponto. Tal como o Programa Nacional de Vacinação deveria ser obrigatório. Pode ser que depois deste fim trágico, estes pais, com estas escolhas (ignorantes a meu ver), tomem decisões que não ponham em causa saúde pública!
    https://jusajublog.blogspot.pt/

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