Brunch Clandestino: aqui não se come, vive-se qualquer coisa

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Há alguns meses que queria muito experimentar o Brunch Clandestino, um conceito que nasceu há pouco tempo em Lisboa, em que basicamente um grupo de seis pessoas que não se conhecem juntam-se numa casa secreta para comerem, mas sobretudo para se conhecerem, conversarem e viverem uma experiência diferente.

Não fui lá pela comida, fui sobretudo pela experiência, pelo fenómeno, e porque gosto de me envolver em boas ideias — e esta é uma boa ideia.

O processo começou com uma reserva — que é feita via instagram — e não é propriamente a coisa mais fácil do mundo. É preciso estar atento ao dia em que é anunciado o brunch (aconselho a ativarem as notificações, dá muito jeito), e depois enviar logo um mail a tentar a reserva. Só consegui para este sábado que passou, após muitas tentativas falhadas.

Na véspera, sexta-feira, recebi uma mensagem por telefone com a indicação da morada (que é secreta, por isso não a posso partilhar). O brunch estava marcado para as 12h30, cheguei cinco minutos atrasado e fui mesmo o último. Já lá estavam duas meninas, irmãs, um casal que vai ter um bebé dentro de poucas semanas e as anfitriãs, que me receberam com toda a simpatia do mundo.

A casa é um apartamento que respira Lisboa antiga. Entrei para uma sala, onde passava música, que podíamos escolher usando o Spotify. Depois, fizeram-me uma visita guiada à casa, mostraram-me a varanda cheia de luz onde íamos tomar o brunch, levaram-me à cozinha, onde ainda estavam a terminar os pratos, e voltámos para a sala. A mesa foi sendo posta aos poucos, e foi ganhando cada vez mais cor (aquela toalha ajuda muito).

As paredes estão semi-cobertas de páginas com desenhos e comentários de algumas pessoas que já passaram pelo brunch. Ainda me desafiaram a desenhar qualquer coisa, mas eu preferi não conspurcar a parede com os meus rabiscos infantis.

O brunch começou com uma sopa de cenoura e côco (a receita está afixada numa das paredes). Depois, continuei nos pratos quentes e fui para os pães torrados com espinafres e queijo de cabra. A acompanhar havia café, chá, sumo de laranja e um refresco de espumante com sumo de laranja, que estava divinal.

Continuei com o iogurte com granola e morangos, passei para a taça de morangos e acabei com um muffin e um café. Pelo meio fui petiscando um queijinho com doce de pêssego.

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De tudo, o que mais gostei foi do conceito, embora a comida estivesse ótima. A conversa com toda a gente foi muito engraçada, as duas anfitriãs também estiveram imenso tempo connosco a falar de outras pessoas que já passaram por ali, do fenómeno que o Brunch Clandestino está a ser, e contaram-nos um bocadinho da vida de cada uma — duas colegas de escola em Coimbra que, 20 anos depois, continuam amigas, agora em Lisboa. Os outros participantes também eram muito comunicativos e simpáticos, toda a gente partilhou coisas da vida, e no final, claro, houve trocas de contactos e promessas de reencontros.

O preço também é simpático: 15€ por pessoa.

O mundo precisa de gente com ideias, mas também deste convívio, de telemóveis à distância e conversas a fazer lembrar os antigos almoços de família aos domingos. A ideia é essa — e funcionou na perfeição. Um dia volto, só não digo que volto já no próximo, porque quero dar lugar aos outros.

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7 Comentários

  1. Opahh.. adorava experimentar. Mas não tenho instagram. Só nos podemos inscrever por essa via Ricardo?? Deve ser tão divertido esta partilha… nunca tinha ouvido falar de tal coisa…

  2. Olá Ricardo.
    E pode dizer quanto é o brunch? Fiquei curiosa em experimentar.
    Já agora ainda bem que voltou a escrever mas não desapareça que não tem piada passar por aqui e não encontrar nada de novo.

  3. Que ideia tão gira! Nunca tinha ouvido falar.
    Estava capaz de ir com mais alguém conhecido mas sozinha acho que não. Sendo muito tímida e gostando de comer como gosto, seria estranho estar cheia de vontade de comer e ter que o fazer entre desconhecidos.

    • Mas podes inscrever duas pessoas, Carla. Acho até que se lhes sugerires fazerem só para um grupo eles são capazes de aceitar, não faço ideia.

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