Ciganos: não me peçam para aceitar de braços abertos quem não quer ser aceite

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Uma das principais razões pelas quais, hoje, cada vez menos se discute temas que envolvam minorias é o facto de não se poder ter uma opinião própria. Dar uma opinião sobre homossexuais ou ciganos é estar a arranjar lenha para arder na fogueira. Seja qual for essa opinião. E a culpa é de todos nós, ou pelo menos daqueles que cada vez mais não procuram informar-se, não estão para ler um texto até ao fim, e não deixam que as suas convicções estanques sejam afetadas pela opinião de alguém que tem uma visão ou experiência diferentes.

Apesar disto, vou arriscar, para falar sobre a questão dos ciganos, levantada após a polémica criada pelas declarações do candidato do PSD à câmara de Loures, André Ventura. Atenção: não vou falar sobre o que disse ou o que defende o candidato do PSD (discordo, evidentemente, da generalização), vou falar sobre a questão dos ciganos, a sua discriminação, o preconceito ou a forma como se integram na nossa sociedade.

O preconceito relativamente aos ciganos não nasceu do ar. Cada pessoa terá a sua história, as suas razões para ter ou não preconceitos, medos, simpatia. Eu também tenho a minha.

Na minha adolescência, vivi relativamente perto de dois bairros complicados em Setúbal, a Belavista e a Camarinha, ambos com fortes comunidades de emigrantes africanos, e filhos desses emigrantes, e ciganos. Na minha escola, a D. João II, sempre houve muitos negros, mas nenhum cigano. Não havia porque eles, simplesmente, não estudavam. Os mais velhos tinham as suas bancas de roupa no mercado de rua, a Chepa, e os mais novos ajudavam-nos no trabalho, mesmo quando tinham 10 ou 11 anos.

Por viver numa zona relativamente perigosa da cidade, fui várias vezes assaltado na rua, levei uma ou outra tareia, como acontecia com quase todos os putos, e andava muitas vezes com medo. E esse medo tinha uma razão de ser, as pessoas que me metiam medo eram aquelas que me assaltavam e me batiam, ou as que se pareciam mais com essas mesmas pessoas. Das vezes em que fui assaltado, diria que mais de metade das vezes foi por ciganos. As únicas vezes em que eu via ciganos era quando ia ao mercado com a minha mãe ou a minha avó, ou quando me assaltavam. Ou seja, cresci com este medo, esta coisa de sentir medo quando um cigano se aproximava de mim não é um preconceito, é um instinto natural que nasceu com base na experiência vivida. Da mesma forma que um cão mete o rabo entre as pernas quando o dono levanta o chinelo com que normalmente lhe bate.

Esta história e outras do género já devem ter sido vividas por muitas outras pessoas. E estas histórias têm todos os ingredientes importantes de uma boa história, e como tal contamo-las várias vezes. Mesmo quem não passou por isto, conhece alguém que passou, já ouviu histórias, sabe de coisas que se passaram, e isso contribui para este medo generalizado que existe em relação aos ciganos. O preconceito nasce assim, é verdade, mas isso só se combate quando há outras histórias boas que equilibram o prato da balança, mas poucos têm histórias boas com ciganos, porque eles normalmente não se relacionam socialmente com pessoas fora das comunidades (claro que há exceções, mas esta é a regra).

O problema aqui é só um, o de julgarmos o todo pela parte, o de partirmos do princípio, errado, de que são todos iguais. O facto de um cigano ser criminoso, ou rufia, não quer dizer que todos o sejam, verdade, mas a repetição dos atos de determinadas pessoas de uma comunidade faz com que o sentimento em relação a elas se manifeste pelo todo e não pela parte. Se um branco com boné para trás, camisola pelos joelhos, tatuagens e piercings disser que é da Cova da Moura, se calhar quem o ouve e quem o vê também fica de pé atrás, ou com medo. Isto faz de todas as pessoas da Cova da Moura criminosos? Não. E faz de todos os gajos de boné, tatuados, rufias? Não. Mas é normal que as pessoas sintam receio, e é isso que muita gente não quer entender. O medo normalmente é um instinto, não é uma coisa racional.

Tal como em todas as comunidades, há ciganos bons e maus, gente honesta e bandidos, mas o que é certo é que pelo estilo de vida, pela repetição de histórias ligadas a esta comunidade, não se pode exigir à sociedade em geral que reaja com absoluta indiferença, sem quaisquer receios, quando se fala dos ciganos. Não podemos ser mais papistas do que o Papa e achar que os ciganos são membros da nossa comunidade, tal como todos nós, quando eles próprios são os primeiros a rejeitar viver de acordo com as regras desta nossa comunidade. Não se pode querer o melhor dos dois mundos: rejeitar a comunidade e esperar que a comunidade dê tudo de si a quem não a aceita. Isto não tem a ver com leis, tem a ver com bom senso.

Sou 100 por cento a favor da integração de toda a gente, sou 100 por cento a favor de que cada um deva fazer o que quer e bem entenda com a sua vida, desde que isso não interfira, condicione ou afete a vida dos outros. Isso é viver em comunidade, em respeito, e com civismo. Quem não aceita estas regras, quem viola estas regras, quem infringe as leis definidas pela comunidade, e escritas nos manuais de Direito, quem prejudica deliberadamente os outros deve ser isolado dessa comunidade e reabilitado (é para isso que há prisões e a Reinserção Social). Isto é válido para todas as pessoas, independentemente da cor, sexo ou classe social. Agora, não me peçam para conviver da mesma forma com uma pessoa que vive na minha comunidade, de acordo com aquilo que eu considero correto e justo, e com outra que vive numa comunidade própria, em que persistem práticas que eu rejeito e condeno, como a recusa de enviar crianças à escola, ou a defesa do trabalho infantil, ou de casamentos entre crianças de 13 ou 14 anos (aqui está só um exemplo, deste ano). E isto não são práticas isoladas de indivíduos, são situações comuns e aceites na comunidade cigana. Agora se acho que os ciganos são uns bandidos, são todos iguais, e devem ser banidos? Não. Eu, enquanto indivíduo, é que tenho liberdade de rejeitas as práticas dessa comunidade e não me rever nesses comportamentos aceites por essa mesma comunidade. Isto é válido para os ciganos (porque estas são práticas aceites na comunidade cigana), como é válido para um indivíduo branco, negro ou amarelo que escolha viver sem respeitar as regras definidas pela sociedade.

Volto aonde comecei: não se pode ter uma opinião sobre estes assuntos sem ser rotulado, julgado e apedrejado, independentemente do que se defende, por isso, cá estou eu, venham de lá essas pedras.

34 Comentários

  1. O politicamente correcto, é, nada mais nada menos, que o reflexo de uma sociedade hipócrita, onde é fino e superior, criticar aqueles que pensam como nós, onde a diferença que os separa, é terem a coragem de dar a cara, os direitos humanos mandam respeitar e aceitar as minorias, mas, isto, na mente de alguns, representa subjugar as maiorias, é o que se está a passar na nossa sociedade, é nos transportes públicos, é nas repartições públicas, é no Serviço Nacional de Saúde, basta a rebeldia e o desrespeito de um só elemento de qualquer minoria e ninguém reage, quem levantar a mão, é racista, é “frito” pela comunicação social, acima de tudo, não o faz porque tem medo, medo do gangue onde se insere o rebelde e medo da sociedade, que o devia proteger, e não o faz, antes pelo contrário, recordemos o caso da Esquadra de Alferragide, depressa fez esquecer os Polícias abatidos a tiro, na Cova da Moura!!

  2. Acho que estamos a chegar a um ponto em que temos preconceito, de sermos preconceituosos… E levamos tudo para o racismo e xenofobismo.
    Então mas agora não podemos expressar as nossas opiniões?
    “Eles (generalizando, claro) podem” Vs “Nós podemos” :
    Eles podem receber subsídios (>€500) sem nunca terem descontado.
    Nós podemos vir a ter uma reforma (<€500) que não permite comprar medicamentos após uma vida de trabalho.
    Eles podem continuar a viver nas casas camarárias sem pagar renda.
    Nós podemos ser despejados por não pagarmos renda porque ficamos desempregados e tivemos um azar.
    Eles podem ocupar andares ainda não distribuídos pelas autarquias e não são despejados.
    Nós podemos pagar IMI.
    Eles podem ter baixadas de electricidade ilegais e raramente alguém lá vai.
    Nós podemos ficar sem electricidade se não pagarmos o consumo contratado.
    Eles podem ser vítimas de racismo e xenofobia quando abordados pelas forças de segurança (em que como sinal de cobardia lançam as crianças e mulheres logo a chorar e a fazer teatro para apelar à pena).
    Nós podemos ganhar a fama de rufias, traficantes, bandidos quando somos abordados pelas forças de segurança.
    Eles podem ter os filhos entregues à vontade da natureza.
    Nós podemos ficar sem os filhos (CPCJ) se os tivermos à vontade da natureza.
    Eles podem obrigar as miúdas com 12 e 13 anos a ter sexo com miúdos de 16, 17 e 18, porque "é tradição e faz parte da cultura e identidade de um povo" (esta é das mais giras… Lol)
    Nós podemos ser acusados de exposição ao abandono se deixamos as nossas filhas "muito à vontade"
    Eles podem pôr os filhos a trabalhar na infância, e mais uma vez, faz parte da cultura.
    Nós podemos ser responsabilizados criminalmente se os nossos filhos forem obrigados a trabalhar…
    Eles podem fazer tudo o que lhes apetece que os OCS não fazem cobertura.
    Nós temos uma discussão com o vizinho ou familiar, e todo o país fica a saber. (a propósito: será por causa disso que não há ciganos pedófilos, violadores e agentes de violência doméstica? Ou terão eles sido banhados com um elixir da purificação e do respeito pelo próximo?)
    E já agora, a estes pudicos que comparam o candidato André Ventura a um racista, porque não travam amizades com os ciganos no sentido de os aculturizarem? Ah, pois, eu sou ignóbil, porque eles têm o direito à cultura e identidade da mesma…
    Mas é só a minha opinião.
    E como alguém dizia esta semana como forma de concluir um comentário: "Para que os maus triunfam, basta apenas que os bons não façam nada." dou-lhe toda a razão. Mas vou traduzir: "Para que os parasitas (minorias étnicas QUE teimam em não se integrar, por exemplo a maior parte dos ciganos, e que é diferente de" Todos") triunfem, basta que os bons (os que têm poder de decisão e governação) não façam nada (andem apenas a aproveitarem-se das minorias para ganhar votos e em contrapartida, como são uma minoria, deixam-lhes fazer tudo e não cumprir com nada).
    Também tenho direito à minha opinião e ser livre no pensamento até porque, a minha liberdade não ocupou o espaço da liberdade dos outros.

  3. Acho que a essência na discriminação está relacionada com os subsídios que recebem … A todos nós faz “comichão”, quando ouvimos histórias de valores que recebem, quando há pessoas que descontaram acima de 40 anos e recebem uma pensão de 200, 300 € … O porque, de puderem trabalhar e não fazê-lo. O porque de terem casa, e eu ter que levantar-me todos os dias as 7h da manhã para pagar as minhas contas. Acho que a mudança de mentalidade, era começar pelos mais novos. A segurança social estar atenta aos filhos deles para frequentarem a escola, se não cortava-se os subsídios aos pais. Mas sei, que é uma situação delicada … Hoje em dia quase não se pode dizer nada.

  4. Eu quero ser cigano!!! Quero ter todos os direitos e nenhum dever. Porque por simplesmente não me identifico-me com esta sociedade ( porque não se querem inserir ).

  5. Já agora, porque não fazer um referendo a nível nacional para auscultar as opiniões da maioria das pessoas?
    Possivelmente os resultados iam por em cheque os benquistos dos ciganos….

  6. Acho que estamos a chegar a um ponto em que temos preconceito, de sermos preconceituosos… E levamos tudo para o racismo e xenofobismo.
    Então mas agora não podemos expressar as nossas opiniões?
    “Eles (generalizando, claro) podem” Vs “Nós podemos” :
    Eles podem receber subsídios (>€500) sem nunca terem descontado.
    Nós podemos vir a ter uma reforma (<€500) que não permite comprar medicamentos após uma vida de trabalho.
    Eles podem continuar a viver nas casas camarárias sem pagar renda.
    Nós podemos ser despejados por não pagarmos renda porque ficamos desempregados e tivemos um azar.
    Eles podem ocupar andares ainda não distribuídos pelas autarquias e não são despejados.
    Nós podemos pagar IMI.
    Eles podem ter baixadas de electricidade ilegais e raramente alguém lá vai.
    Nós podemos ficar sem electricidade se não pagarmos o consumo contratado.
    Eles podem ser vítimas de racismo e xenofobia quando abordados pelas forças de segurança (em que como sinal de cobardia lançam as crianças e mulheres logo a chorar e a fazer teatro para apelar à pena).
    Nós podemos ganhar a fama de rufias, traficantes, bandidos quando somos abordados pelas forças de segurança.
    Eles podem ter os filhos entregues à vontade da natureza.
    Nós podemos ficar sem os filhos (CPCJ) se os tivermos à vontade da natureza.
    Eles podem obrigar as miúdas com 12 e 13 anos a ter sexo com miúdos de 16, 17 e 18, porque "é tradição e faz parte da cultura e identidade de um povo" (esta é das mais giras… Lol)
    Nós podemos ser acusados de exposição ao abandono se deixamos as nossas filhas "muito à vontade"
    Eles podem pôr os filhos a trabalhar na infância, e mais uma vez, faz parte da cultura.
    Nós podemos ser responsabilizados criminalmente se os nossos filhos forem obrigados a trabalhar…
    Eles podem fazer tudo o que lhes apetece que os OCS não fazem cobertura.
    Nós temos uma discussão com o vizinho ou familiar, e todo o país fica a saber. (a propósito: será por causa disso que não há ciganos pedófilos, violadores e agentes de violência doméstica? Ou terão eles sido banhados com um elixir da purificação e do respeito pelo próximo?)
    E já agora, a estes pudicos que comparam o candidato André Ventura a um racista, porque não travam amizades com os ciganos no sentido de os aculturizarem? Ah, pois, eu sou ignóbil, porque eles têm o direito à cultura e identidade da mesma…
    Mas é só a minha opinião.
    E como alguém dizia esta semana como forma de concluir um comentário: "Para que os maus triunfam, basta apenas que os bons não façam nada." dou-lhe toda a razão. Mas vou traduzir: "Para que os parasitas (minorias étnicas QUE teimam em não se integrar, por exemplo a maior parte dos ciganos, e que é diferente de" Todos") triunfem, basta que os bons (os que têm poder de decisão e governação) não façam nada (andem apenas a aproveitarem-se das minorias para ganhar votos e em contrapartida, como são uma minoria, deixam-lhes fazer tudo e não cumprir com nada).
    Também tenho direito à minha opinião e ser livre no pensamento até porque, a minha liberdade não ocupou o espaço da liberdade dos outros.

  7. Há uns 3 anos atrás um texto destes poderia dar azo a uma grande discussão. Mas da maneira como anda o blog, mais tempo parado que outra coisa qualquer, interrompido mês a mês pelo texto publicitário, duvido.

  8. Muito bem. É mesmo isso. O real problema de ninguém mexer na ferida é porque até os ciganos valem votos e assim todos assobiam para o lado

  9. Muito bem dito.
    Para mim , a desigualdade esta com os nossos reformados. A minha é reformada, recebe mais ou menos 350€, depois de uma vida trabalho. Uma cigana com a mesma idade , sem nunca ter trabalhado ou contribuído para o país recebe de rendimento mínimo até 550€ se juntarmos o facto de nao pagarem no sistema nacional de saude, rendas de casa, seguros de vida , seguros de carros , etc, etc acaba por receber muito mais. E agora onde esta a desigualdade, quem é que nao se quer integrar.

  10. Eu sei que não se deve generalizar. E eu sei que até há brancos que são pessoas decentes, mas temos que nos render às evidências.
    Olhando as notícias dos últimos tempos, vemos com uma frequência assustadora indivíduos de etnia branca envolvidos em casos de corrupção, burlas, desvios de fundos, casos de violação e pedofilia, um branco que incrivelmente chegou a um lugar importantíssimo na hierarquia do Vaticano e está envolvido em casos de pedofilia, o caso mais mediático de pedofilia dos últimos 20 anos em que 100% dos suspeitos (e dos condenados) são brancos, um branco português que matou uma brasileira para ter acesso à sua herança, um outro branco mais velho que matou outro à queima roupa enquanto segura uma bebé ao colo, um jovem branco de 30 anos que deu um tiro na namorada por esta recusar sexo – nós sabemos como são estes brancos animalescos e as suas hormonas -, olho para os grandes tiroteios (mass shootings) dos últimos anos nos EUA (Aurora, Charleston, ou lá mais para trás, Columbine e outros) e os atiradores são na sua esmagadora maioria brancos. E não consigo deixar de ser preconceituoso em relação a brancos.
    Eu não sou racista. O meu melhor amigo é branco, tenho muitos amigos brancos. Alguns até já jantaram em minha casa e os meus filhos têm colegas brancos na escola.
    Mas quer dizer não me queiram fazer de parvo.
    Desculpem o desabafo racista, mas é o meu comentário aos debates dos últimos tempos.
    Em Psicologia Social, ou mais exactamente na área da Cognição Social, já se desenvolveram há muitos anos os instrumentos teóricos que nos ajudam a compreender o que acontece quando percepcionamos casos envolvendo minorias e casos envolvendo comportamentos desviantes.
    Conhecendo isso compreendo melhor os comentários que vou ouvindo por aí, mas não deixo de ficar triste.
    Um sincero abraço fraterno a todos vós, incluindo os brancos.

    • Tudo muito bem dito, todas essas coisas não chegam a ser feitas por ciganos porque os mesmos não estudam, logo nunca terão cargos importantes em empresas ou governo. Porque se tivessem estudado os crimes seriam 1000x piores do que aqueles que refere. Ainda bem que os ciganos não estudam, caso contrário o mundo viveria num medo profundo.

    • Num país de brancos é normal que sejam os brancos a cometer alguns desses crimes, já os crimes por esticão, roubo de automóveis (gangs) e algumas burlas é cometido por negros , ciganos e alguns imigrantes, mas em Luanda por exemplo, (quase) todos os crimes são cometidos por negros…

  11. E essa posição resume-se ao quê, em termos práticos?
    Em termos éticos, a posição que assume, conduz a que posição?
    Se acha que não lhe podem pedir para conviver da mesma forma que convive com outros com os ciganos, se acha que não podemos dizer que os ciganos são nossos iguais, se tem medo de ciganos e acha que são uma ameaça à sociedade, se há preconceito é porque existe razão de queixa e outra ideia não se pode ter porque não há ações boas (tudo palavras suas).
    A conclusão é, diga lá…eu tenho preconceito contra ciganos e acho que devem ser hostilizados e discriminados.
    Seja inteletualmente honesto, a sua posição é a da discriminação.
    Achar que outros, na sua diferença, não são iguais a nós e não devem ter os mesmos direitos de cidadania na sociedade que partilhamos, é discriminação.

    • acho que devem ser discrimunados, porque é que sao minorias? por nao teren nacionalidade? se nasceram em portugal sao pprtugueses, e devem-se reger pelas leis do pais onde vivem, pagar impostos como todos devem pagar, e comportarem-se como todos se devem comportar.

      na terra onde vivo, um casal foi expulso de casa por nao conseguir pagar os impostos e as contas ao banco, para uma comunidade de ciganos foram-lhes DADAS casas e no primeiro dia la, destruiram 3 apartamentos.

      eu so vejo desigualdade nestes processos. Como ja vi escrito numa parede, “tanta casa sem gente, tanta gente sem casa”

  12. Verdade. Disse tudo. Mas ainda posso acrescentar: vivi durante dez anos, diariamente, com ciganos e africanos. Tinha um estabelecimento, portas abertas, portanto, pelo que tinha de me sujeitar. E posso dizer: não conheci 1 cigano de quem dissesse “olha, aqui está uma pessoa como deve ser, em quem se pode confiar.” Dos africanos conheci muitos, especialmente os mais velhos que tinham vidas miseráveis de trabalho durante 12 horas por dia e cujo único refúgio era a sua cerveja ao fim do dia, e um pouco de conversa. Pessoas de bem, mesmo, trabalhadoras, que sentiam que estavam num país que não era o deles, mas que era muito melhor do que aquele onde viviam. Dos africanos mais novos poucos se aproveitavam, a não ser aqueles que conseguiam acabar o ensino obrigatório e alguns que até o ultrapassavam.
    A minha experiência vale o que vale mas não me podem obrigar a “pagar e não bufar” quanto aos ciganos diz respeito. Quem tem direitos também devia ter obrigações. E eu tenho muitas…

    • “Tinha de me sujeitar”.
      Acho que nunca li nada tão xenófobo.
      A sério, vá-se esconder, Dulce. Não vá alguém ter “de se sujeitar” a cruzar-se consigo na rua ou ter de a atender num estabelecimento público.

  13. Podemos escrever melhor, ser mais cultos, mais educados, mais viajados; podemos apregoar os valores da liberdade, da inclusão, de Abril; podemos criticar os americanos por Trump, os franceses por Le Pen, os britânicos pelo Brexit (porque incitam exactamente os mesmos ódios e a exclusão de comunidades), e ainda assim sermos populistas e racistas, como os comentários dos últimos dias (e este post) têm demonstrado. Um racismo mais encapotado, mais educado, com mais argumentos que antecedem o “eu não sou racista, mas…”, mas não deixa de o ser. Avaliarmos uma comunidade pela nossa experiência concreta é racismo, e devíamos estar todos cientes disto. O número de ciganos prejudicado pelo racismo mais ou menos encapotado será sempre muito maior do que o número de não-ciganos assaltado por ciganos. E sim, há problemas vários na integração da comunidade cigana (muitos têm a ver com questões culturais de centenas de anos que não se esbatem em duas décadas), mas achar que a sua não integração é da sua inteira responsabilidade, quando nós admitimos que queremos os ciganos o mais longe possível, é de uma imensa hipocrisia.
    Uma outra perspectiva:
    http://porfalarnoutracoisa.sapo.pt/2017/07/ninguem-quer-um-bairro-de-ciganos-perto.html

  14. Arrumadinho… nem uma pedra… infelizmente concordo contigo. Infelizmente porque também vivi na minha infância experiências com a comunidade cigana que vivia perto da minha casa. Também fui assaltada e com 8 anos tive que identificar na policia o assaltante que era cigano. A minha mãe chegou a fazer muitas sandes para dar às crianças ciganas que lhe iam bater à porta, mas o que nos apercebíamos depois, era que tudo que lhes dávamos para comer era para o patriarca (que simplesmente tinha quem “trabalhasse” para ele). Têm uma cultura diferente da nossa e isso não tem problema algum! mas … tem limites. A nossa liberdade termina quando começa a do outro, a a nossa liberdade tal como a vivemos tem regras de sociedade e muitas destas regras a comunidade cigana não gosta/não quer cumprir. Para ter direitos é preciso ter deveres, assim me ensinou a minha cultura e assim podemos viver em sociedade. Mas isto é só a minha opinião resultante como tu disseste, das nossas vivências.

  15. O problema dessas generalizações e desse preconceito fundado em “há uma parte das pessoas dessa comunidade que faz X e por isso eu tenho bases para dizer o que digo e para os criticar” é que só recaem sobre as minorias. Como o próprio Ricardo afirma, “das vezes em que fui assaltado, diria que mais de metade das vezes foi por ciganos”. E a outra metade (vamos assumir que está a exagerar e que não foi “mais de”) das vezes? Foi por brancos? Mas não tem esse mesmo preconceito em relação aos brancos, ou tem?

    Quem são normalmente os incendiários? Os violadores? Os praticantes de violência doméstica? Os assassinos? Os pedófilos? Os raptores? Homens brancos na casa dos 40’s/50’s. No entanto, tem o Ricardo preconceitos, que também podiam ser fundados pelas acções de uma parte e não do todo, em relação a essa raça/comunidade/grupo social? Deve a sociedade reagir de forma crítica, suspeita, insultuosa até em relação a esse perfil?

    A questão é que só veem essas reacções mais extremas/generalistas em relação às minorias, aos ciganos, aos negros, aos árabes. E não em relação aos caucasianos, homens na sua maioria, que ainda são responsáveis pela maioria da criminalidade do nosso país.

    Relativamente às práticas da comunidade cigana que chocam com os nossos valores e que devem ser condenadas, concordo que isso deve ser feito, através da educação, da abertura da comunidade ao meio em que se inserem, da transmissão dos “nossos” valores e ideais. Mas isso vale para tudo. Também vale para o português branco que foi educado numa família machista e acha normal ser a mulher a fazer tudo em casa, mandar bocas a “gajas boas” que por ele passam na rua, controlar o telemóvel da namorada e de vez em quando dar-lhe uns apertões no braço. Também são práticas enraizadas numa comunidade (a nossa, basta ver os dados sobre violência no namoro na adolescência) e que devem ser condenadas, tão veementemente como quem condena as dos ciganos. No entanto, em qualquer café, a conversa crítica é sempre “os ciganos”, esses que beneficiam do RSI e não fazem nada, que contornam a lei, que desrespeitam tudo e todos, etc. Mas no fundo, é tudo uma questão de perspectiva e do preconceito que ainda existe na sociedade, pois se há algo a condenar nessa comunidade (e não digo que não haja), também o há em muitas outras, com problemas de resolução até mais premente e que deviam incomodar mais o cidadão comum, pela sua dimensão maioir e pelo impacto negativo que têm na nossa sociedade.

    • Cada um é visto por aquilo que faz. As razões das pessoad recearem a cultura cigana é baseada em factos sucedidos não pela etnia.Quer respeito para a sua etnia e pela sua comunidade? Quer ser vista com.olhos diferentes? Isso so vai acontecer quando a comunidade cigana mudar. Enquanto isso nao acontecer tudo vai ficar na mesma. Lamento imenso mas é assim. Se acha que a sua comunidade deveria ser tratada de modo diferente faça por isso tente mudar até lá tudo vai ficar na mesma.

  16. Estou completamente de acordo com o que escreveu. São eles os primeiros a criar uma barreira à sua volta.
    Vivo perto de uma comunidade cigana. O que vejo revolta-me. Passam os dias sem fazer nada, à porta do meu prédio a catarem os miúdos. Só se mexem no dia em que vem o cheque. Até o lixo atiram pela janela, claro que quando o saco aterra rebenta. O alcatrão está sujíssimo. Os distribuidores não passam ali, foram tantas vezes assaltados que agora não vão à rua. Eles ainda se acham os maiores.

  17. Para mim é muito simples: se substituir ‘cigano’, neste texto, por ‘preto’ ou ‘judeu’, Ricardo, depressa constatará que se trata de um texto preconceituoso. Esperava mais de si…

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