Coisas incríveis que me aconteceram em 2015 #03

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Se há dois ou três anos me dissessem que a minha mulher iria, um dia, correr uma maratona diria que não, que seguramente estariam a confundi-la com outra pessoa qualquer. Não que não achasse que a miúda não tinha condições para o fazer, mas simplesmente porque nunca, até ao início de 2015, a tinha visto demonstrar qualquer tipo de interesse pela corrida, que é há muitos anos uma paixão minha. Quaisquer 10 quilómetros eram, para ela, um sofrimento absoluto, por isso, imaginá-la a tentar correr 42 era um cenário divertido e utópico.

Mas quando ela me disse que gostava de fazer uma grande corrida por uma causa solidária fui o primeiro a oferecer-me para lhe fazer planos de treinos, a dar-lhe mil e uma dicas sobre como deveria planificar as corridas, aumentando regularmente as distâncias, e acompanhei-a em muitas provas pequenas para ela perceber o ambiente que há nas corridas, sempre de grande alegria e entusiasmo, que acaba por contagiar. Tivemos a sorte de encontrar um grupo de corredores que acabaram por se tornar amigos e com quem treinámos muitas e muitas vezes ao longo do ano, o que ajudou muito a motivá-la e a puxá-la para os treinos e para as corridas.

No Verão, começámos a preparar a sério a participação dela na Maratona de Lisboa. Foram quatro meses duros, com centenas e centenas de quilómetros nas pernas, com treinos pesados durante as férias, em julho e agosto, com muita luta psicológica, muita força para que ela não desistisse e sentisse sempre que, em outubro, seria capaz de correr a maratona.

No dia da prova, fui ao lado dela do primeiro ao último quilómetro e foi com um orgulho do tamanho do mundo que a vi não só a terminar a corrida, como a terminar sem ter parado uma única vez e com um tempo bastante abaixo das 5 horas, que era a minha previsão mais otimista (fez 4h30). No final, o abraço que demos foi não só de conquista, de triunfo, mas sobretudo de amor. Foi um dos momentos mais emocionantes e arrepiantes que vivi este ano.

Deixo-vos o vídeo que fiz deste dia, para os que ainda não viram, ou para os que já viram e querem recordar.

10 Comentários

  1. Ela evoluiu imenso depois de te conhecer. Tu és um excelente marido e gostas verdadeiramente dela. Já ela não me parece nada apaixonada por ti.

    • ainda há pouco fiz um comentário (que não viu a luz do dia) sobre isto mesmo. Vá lá que não fui a única a achar sempre isto.

  2. Sempre detestei correr. Acho mesmo que é um sentimento que nutro desde sempre. Correr 1 km já é um sacrifício enorme e, o dia em que acabei o 12º ano e deixei de ter Educação Física obrigatoriamente, foi um dos mais felizes da minha juventude. Sou esse tipo de pessoa.
    Depois cresci, tornei-me hipocondríaca, tive uma filha e, 2 meses depois de ser mãe, experimentei correr.
    Não posso dizer que tenha atingido grandes metas mas passei a perceber porque é que as pessoas gostam disso. Não perco muito mas percebi um bocadinho. Para além daquela coisa (endorfinas) que nos fazem sentir realmente bem depois da corrida, sentia-me muito melhor física e emocionalmente e até passei a gostar de superar desafios físicos.
    Entretanto veio o inverno e deixei-me disso. Mas quero muito voltar a correr na marginal de Ponta Delgada. Não gosto de ginásios mas dá-me um prazer incrível, correr de manhã cedo com vista para o mar durante o tempo todo.
    😀 Parabéns para a Ana. Vamos ver se me inspira a mexer mais o rabo.

  3. Emocionei-me ao ler o post e sobretudo ao ver o video; a Ana é uma mulher fantástica, inspiradora. Desde que a sigo há uns 5 anos talvez, tem-se ensinado muito e sobretudo ajudado a superar algumas coisas menos boas da minha vida.
    Foi muito forte este momento. Obrigada!

  4. Estava eu a visitar os meus blogues, como faço diariamente, e por descargo de consciência passei por cá para ver se tinhas escrito alguma coisa, e vejo um monte de posts novos!!! Toca a ler tudo de seguida! Ainda bem que voltaste, arrumadinho 🙂
    Ahh, ainda me emociono quando te vejo a dar a mão à Pipoca, quase na meta.

    beijinhos,
    Inês M.

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