Desligados

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Só agora tive oportunidade de ver o filme “Desligados”, que estreou no início do mês (mas ainda está em exibição em algumas salas), um drama forte que tem como pano de fundo a importância das redes sociais e da internet nos nossos dias, mas que fala sobretudo da solidão em vivemos, mesmo que mergulhados numa multidão de gente, e ligados a centenas de amigos, conhecidos e desconhecidos virtuais a quem nos agarramos para disfarçar o vazio.

O filme cruza três histórias centrais e várias mais pequenas, precisamente como se estivessemos numa rede social, em que tudo se cruza, e em que estamos todos de alguma forma ligados. A de um casal que se desuniu depois de perder um filho, em que ela esconde do marido que leva uma vida paralela, num fórum de apoio a pais que perderam filhos, e onde conversa com um desconhecido a quem abre a vida toda, e fala inclusive sobre a falta de afecto e sexualidade, ele esconde-lhe que fez um segundo empréstimo ao banco, que estão endividados até à raiz dos cabelos. Um acontecimento fará com que ambos descubram ao mesmo tempo a verdade sobre a pessoa com que vivem. A segunda história é a de um adolescente freak, solitário, a quem dois colegas resolvem pregar uma partida: criam um perfil falso no Facebook (de uma rapariga), metem conversa com ele, levam-no a interessar-se por ela e depois espalham o resultado pela escola, levando o rapaz ao desespero. A terceira história é a de uma jornalista de televisão que, para conseguir uma boa história, entra numa sala de video-chat em que vários rapazes se despem para quem os está a ver. Ela acaba por conseguir marcar um encontro com ele e convence-o a dar-lhe uma entrevista para o canal em que trabalha. Mas isso acabará por dar problemas sérios para todos.

As três histórias acabam por se tocar nalguns pontos, criando a tal rede em que parece que andamos todos ligados. As cenas de chat, trocas de sms ou conversas de facebook estão muito bem filmadas, as interpretações são óptimas e a cena final, em que os três nós se desatam, toda filmada a três tempos e em câmara lenta, com uma fotografia brilhante, está perfeita.

Fica a recomendação, para um dia frio de domingo.

7 Comentários

  1. O filme está muito bom, a nível de fotografia. Quando o fui ver li umas críticas no cinecartaz, que davam o filme como um filme mau. Sinceramente não achei nada, foi um dos filmes que mais me pôs a pensar este ano. Esse e “O Conselheiro”, que fui ver há dois dias. Este, além de um leque de actores espectacular, tem uma história boa, uma banda sonora fixe e alguns momentos divertidos, dentro do género de filme que é. A Cameron Diaz está muito bem neste género, mesmo.

  2. Há duas semanas fui ao cinema e deparei-me com este cartaz. Nunca tinha ouvido falar dele mas o protagonista e os prémios que já ganhou foram suficientes para aguçar a minha curiosidade. A forma como falas dele aguça ainda mais. É um dos filmes a ver. Mas o próximo será O Conselheiro.

    homem sem blogue
    homemsemblogue.blogspot.pt

  3. Ainda ontem o vi e concordo…um filme optimo, que nos chama a atenção para a vertente mais psicossocial das redes e do seu impacto…e dos novos desafios na prevenção com os adolescentes e com os pais.

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