Discussão caseira sobre a venda de livros

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Foi um sábado à noite animadíssimo, a arrumar sacos e sacos e sacos e malas e malas e malas carregadinhos de tudo e mais alguma coisa para a venda “Pipoca, Friends & Stuff”, que decorre amanhã, domingo, no hotel Sana Lisboa, a partir das 14 horas.

A parte mais divertida foi mesmo quando estava a escolher os livros que irei levar para vender. Comecei por tirar alguns que já li, de que gostei, e que acho que são conhecidos pela maioria das pessoas. Não acho muito interessante levar a uma venda livros que ninguém conhece, ou daqueles que tenho cá para casa que me oferecem, que nunca li e que nunca irei ler porque não me suscitam qualquer interesse. Ela viu a pilha de livros e começou a franzir o sobrolho.

Ela — O que é que está aqui a fazer o “2666”, do Bolaño?
Eu — É para vender.
Ela — Não vais vender isto, eu ainda não li.
Eu — Não leste nem vais ler, deixa lá estar o livro.
Ela — Não, não. Não vais vender um Bolaño. E este Murakami? Vais vender um Murakami?Eu — Oh, mulher, vou, já li, não vou ler outra vez.
Ela — Nem penses. Temos de conservar a nossa biblioteca para os nossos filhos.

Pronto, por isso já sabem, se forem à venda de amanhã e consultarem os livros que vou lá ter à venda fiquem a saber que a coisa foi altamente censurada. Ainda assim, podem encontrar por lá muita coisa boa.

Como já sei que as presenças vão ser maioritariamente femininas, aproveito para vos dizer que podem levar os homens para espreitarem o que terei por lá. São sobretudo ténis, casacos, camisas, uns fatos, algumas coisas de desporto, uma PlayStation com vários jogos e muitos livros.

Apareçam, que são bem-vindos. Já sabem que 50 por cento de tudo o que conseguir vender irá reverter a favor da Ajuda de Mãe.

3 Comentários

  1. A questão de vender ou manter os livros é um detalhe cultural muito interessante. Noutros países europeus é muito comum ler e passar para outro. Cá eu também não gosto de me desfazer, sou muito apegada às minhas coisas.

  2. Eu percebo a Pipoca. Uma das coisas que eu mais gosto é ver uma parede numa casa cheia de livros. É claro que devemos olhar para o lado mais prático da coisa. Se não lemos, pode seguir viagem para alguém que queira ler, mas ficamos sempre a pensar: “E se eu afinal ler?”.

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