E 18 anos depois, adeus!

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A verdade é que o Tintim assume-se como jornalista mas ninguém o vê a escrever assim tantos artigos

A 5 de janeiro de 1998 foi-me emitida pela primeira vez a Carteira Profissional de Jornalista. Embora estivesse a trabalhar na área de forma mais ou menos regular desde 1995, só três anos depois é que assinei o meu primeiro contrato profissional e passei a integrar os quadros de um jornal. Aquele documento, de que muito me orgulhava, era a materialização de um objetivo de vida.

Em 2008, passei a deter um título profissional vitalício, já que o mantive ativo e de forma regular durante dez anos.

Há dias, e depois de uma reflexão de vários meses, entendi que deveria suspender a carteira profissional por tempo indeterminado e abdicar do meu estatuto de jornalista. Neste momento, e há pelo menos um ano, não dedico a maior parte do meu tempo ativo à profissão de jornalista, mas muito mais à de empresário, gerente, coordenador de produção de conteúdos, estratega de comunicação e, por isso, não acho que faça sentido continuar a ter uma carteira profissional que me limita muito mais do que me oferece vantagens.

Hoje em dia, só uma pessoa totalmente alheada da realidade achará que é possível viver de conteúdos digitais sem ter relações próximas e comerciais com marcas, produzindo conteúdos que as envolvam. É esta a principal fonte de financiamento dos projetos digitais. Como tal, e porque quero entender melhor este fenómeno, porque quero dedicar muito do meu tempo a aprender a trabalhar marcas de forma interessante para os leitores e para as marcas, porque quero pensar melhor em como criar conteúdos relevantes que possam ser produzidos para empresas que não sejam órgãos de comunicação social, porque quero tirar mais formações em estratégias de social media, porque quero dedicar-me a pensar nas novas formas de fazer chegar conteúdo aos leitores, entendo que não faz sentido continuar a ter uma carteira profissional de jornalista. Ser jornalista não é, na essência, nada disto, embora haja cada vez mais necessidade de se saber muito disto.

Assim, e ao contrário do que aconteceu até hoje, também aqui no blogue poderei começar a trabalhar marcas da forma que me pareça mais interessante para os leitores e para as empresas que pagam por esses conteúdos. Garanto que farei esse esforço, garanto que não irei tornar o blogue numa plataforma comercial, garanto que tentarei sempre envolver as melhores histórias nesses conteúdos pagos, e garanto que esses posts serão sempre uma grande minoria no blogue. Hoje, entrará o primeiro.

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