É assim tão difícil a um vegano comer num shopping?

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Uma das coisas que aconteceram a partir do momento em que decidi começar a levar uma alimentação vegana foi que passei a ser o tema de conversa de quase todos os jantares de amigos, ou de almoços com pessoas novas que vou conhecendo. Há uma curiosidade crescente em relação ao assunto, muitas dúvidas, muitos mitos, e sinto que a malta aproveita o facto de ter ali um vegano para disparar tudo de uma vez. As mais comuns são:

— Onde é que vais buscar as proteínas?
— Não te sentes fraco?
— O que é que comes de manhã?
— Podes comer pão?
— Como é que tens energia para correr?
— Não sentes fome?

Estas são talvez as mais frequentes, mas não quero falar de nenhuma delas. Hoje vou falar de uma outra, que normalmente entra neste lote inicial:

— É muito difícil comeres quando estás fora de casa, não é?

Ao contrário do que muita gente pensa, a resposta é “não, é muito fácil”. Quer dizer, é muito fácil em Lisboa, é muito fácil se não se for esquisitinho, mas nem sempre é fácil encontrar muitas opções nos restaurantes tradicionais. Há sempre o que comer, não há normalmente é grande variedade.

Nos shoppings, por exemplo, tenho a vida muito mais facilitada. Aquele onde mais vezes vou é o Amoreiras, que fica perto de minha casa. Almoço e janto lá frequentemente, e por isso já tenho a minha lista de spots preferidos, aqueles onde sei que há sempre coisas boas e diversificadas para quem, como eu, segue uma alimentação vegetariana estrita. Vou muitas vezes ao Bala (mexicano), ao Go Natural, no McDonald’s há um hamburger veggie (é vegetariano, não vegano, porque leva ovo), que podem acompanhar com salada e sopa), de vez em quando vou ao SushiCafé (tem opções veganas) e até à Brasserie de L’Entrecôte (tem um bife de seitan, e aquelas batatas maravilhosas) mas os dois onde mais vezes me apanham é no Wok To Walk e no Vitaminas.

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O Wok To Walk tem todo um mundo de opções, aliás, a ideia do restaurante é mesmo essa, escolher. A primeira opção é entre vários tipos de noodles, mas normalmente prefiro o misto de vegetais. Quando peço os noodles digo sempre que quero sem o ovo. Depois, há vários ingredientes que posso escolher (cogumelos, tofu, manga, ananás, pimentos, brócolos, rebentos de soja), e costumo ainda pedir um topping de amendoim ou caju, ricos em proteínas. Muitas vezes a diferença principal no prato tem a ver com o molho que escolho, ou mais doce, ou mais picante, ou mais ácido, ou mais neutro. A verdade é que saio de lá sempre satisfeito (já agora, recomendo a limonada, que é ótima). Mas no Amoreiras há outro spot onde vou todas as semanas. 

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Esse spot é o Vitaminas. Aqui, a filosofia é mais ou menos parecida, mas com a diferença de que os ingredientes não são cozinhados num wok. Vou também variando entre as sandes e as saladas, depende da hora a que como. O que costumo pedir mais vezes é a salada à escolha, com base de alface (ou mista, com alface e quinoa, uma novidade). Depois, junto cinco ingredientes, alguns deles são sempre obrigatórios — o tomate seco, a manga e a cebola. Depois, vou variando. Nozes, brócolos, pimentos, cogumelos, tofu, ananás, milho, azeitonas, espinafres, há tantas opções que o difícil é escolher só cinco (ou só mais dois, porque aqueles três são obrigatórios para mim).

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Como se vê, não é assim tããão difícil ser vegano num shopping como o Amoreiras. É só encontrarmos os nossos spots, mudarmos um pouco as nossas rotinas, habituarmo-nos a novos sabores, a viver sem aqueles ingredientes que sempre fizeram parte da nossa vida. De uma coisa podem estar certos: em pouco tempo, tudo vos vai saber bem, e é muito provável que aconteça a muita gente o que me aconteceu a mim, que é esta coisa estranha de olhar para coisas que eu adorava e sentir zero vontade de as voltar a comer. Estou muito feliz com as minhas escolhas, e não há salmão, bife ou queijo que pague chegar a meio do mês de maio, olhar para o lado e ver a malta a desesperar com as alergias ao pólen e eu, que normalmente estava como eles, estou aqui fresquinho que nem uma alface (nunca esta expressão se aplicou tão bem).

Texto escrito em parceria com o Amoreiras Shopping Center.

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