Este não é o meu Benfica

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Mitroglou conseguiu ser dos poucos que honraram a camisola do clube no jogo contra o Moreirense

Nos últimos seis anos, mais ou menos por esta altura, março, abril, nem por um segundo duvidei de que o Benfica iria ser campeão. Com dias melhores ou piores, a equipa mostrava sempre ter aquilo que era preciso para chegar lá, para vencer quem quer que fosse, não só pela qualidade dos jogadores como pela maturidade e regularidade que exibia a cada jornada. Perdemos campeonatos, ganhámos campeonatos, e, numa e noutra situação, mais feliz ou mais triste, sempre tive um enorme orgulho no Benfica.

Este ano, tal como nos outros, sinto que temos tudo para ganhar o título e festejar o tetra. A qualidade está lá, a maturidade também, mas faltam a regularidade nas exibições e, sobretudo, a grandeza do Benfica. Este ano, não sinto a grandeza a encher o campo. E isso preocupa-me. Mas há mais coisas que me preocupam, e muito.

O Benfica que esteve em Moreira de Cónegos não é o meu Benfica. O meu Benfica não é o de jogadores que dão socos à traição ou das entradas a matar com meia-hora de jogo. Esse é um Benfica sem classe e sem cabeça, não é o meu. O meu Benfica não vai a Moreira de Cónegos jogar contra o antepenúltimo classificado e não consegue criar oportunidades de golo, não consegue inventar jogadas bonitas, não consegue entusiasmar um adepto, não consegue ser superior, enorme, dominador, esmagador. E é desse Benfica que precisamos. O meu Benfica, que tem sido o Benfica dos últimos anos, ganhando ou perdendo, dá tudo em campo, e o resultado disso é uma total superioridade sobre praticamente todos os adversários, são vitórias expressivas, inequívocas, mesmo que os choramingas do costume venham com o discurso do colinho. O Benfica que esteve em Moreira de Cónegos, e que já tínhamos visto na quarta-feira contra o Estoril, e que vimos em Paços de Ferreira, e em Setúbal, esforça-se, luta, mas não consegue, parece que não dá mais, fica ali preso na quarta mudança e não desenvolve para a quinta porque o carro só tem mesmo quatro mudanças. E isso é que é preocupante. Uma coisa é sabermos que a equipa tem qualidade, mas os jogadores andam a arrastar-se só porque sim, outra é vermos que eles até lutam, até se esforçam, mas o máximo que conseguem é aquilo que temos visto. E isso preocupa-me, quando faltam seis jogos para acabar o campeonato.

E o pior é que não há grandes desculpas para isto. Não pode ser cansaço, porque muitos dos jogadores estiveram lesionados durante várias semanas e não têm assim tantos jogos nas pernas (Nélson Semedo, Grimaldo, Fejsa, Rafa, Jonas). Não é seguramente falta de talento ou qualidade. Não admito que seja falta de motivação. Também não me parece que seja culpa do treinador. E todas estas dúvidas são desesperantes. Afinal, o que é que se passa com o Benfica? Não sei, mas espero sinceramente que se ultrapasse rapidamente.

Mas mais importante do que tudo, é a falta de fair-play que se viu ontem contra o Moreirense. A agressão do Samaris, e a atitude em geral que mostrou quando esteve em campo, são totalmente inadmissíveis. Os jogadores do Benfica são um exemplo para milhares de crianças, são símbolos de uma instituição que apaixona milhões de pessoas, e a única coisa que, enquanto adepto, lhes exijo é respeito pelo clube, e respeito pelo clube é honrar a camisola, é dar tudo em campo, lutar com desportivismo e manter uma postura exemplar. Samaris tem obrigação de pedir desculpa pelo que fez e deveria ser castigado não só pela Liga como pelo próprio clube, que não deve tolerar situações destas.

Com isto, espero sinceramente que na sexta-feira, contra o Marítimo, volte o Benfica que eu conheço, o meu Benfica, e que, com isso, chegue uma vitória convincente, uma exibição imponente de quem quer ser campeão e joga para ser campeão. Independentemente de tudo, estarei sempre lá, a gritar pela equipa todos os dias, a apoiar os jogadores do primeiro ao último minuto, exigindo apenas que se comportem como homens que sabem o que é vestir o manto sagrado.

#SejaOndeFor #Rumoao36

 

2 Comentários

  1. Nao existe o meu Benfica nem o teu Benfica. Somos todos. E se sentimos que a equipa esta a fraquejar, devemos é dar o nosso melhor, nao criticar em publico. Contudo estes jogadores que para mim nao deixaram de usar o manto sagrado, ontem mostraram o que é ser Benfica. No ano passado tambem estavamos moribundos e o SCP a bombar, o Pizzi a falhar bolas nos descontos, mas juntos conseguimos e vamos conseguir. #rumoao36. Em relacao ao Samaris, vejam com atencao os 2 minutos que decorreram entre a falta que ele fez e a marcacao do livre, lembrem-se da pessoa que ele tem demonstrado ser antes de o cricificar, isso e para os adversarios. Ninguem diz mal de nos, nem mesmo nos.

  2. Concordo com a tua análise, vejo um Benfica muito nervoso, alguns jogadores perdidos, fora de forma… mas vejo atitudes que continuam e vão continuar a acontecer até final do campeonato. Uma equipa que não se sente segura como o benfica, ainda fica mais insegura quando, “parece” que estão todos contra nós. faltas e mais faltas por marcar, jogadores a provocar, atitudes anti desportivas… são coisas que temos de lidar agora e não podemos dar resposta, infelizmente o samaris respondeu e demonstrou o nervosismo patente na equipa. mas sem justificar um acto que devia ter sido castigado logo em campo, porquê o cartão no único lance que o guarda redes demorou mais um pouco? por quê as várias entradas sem direito a cartão, porque não devolver a bola quando o benfica pôs a bola fora de propósito?
    porquê, porquê, porquê??? depois ter de ouvir os arautos da desgraça, que têm telhados de vidro vir falar de agressões, comparações com canelas?? agressões barbaras?? isto não é futebol! Desejo com todas as forças que haja castigo, célere para o samaris, na dimensão que considerem justa, para não voltar a acontecer, além disso espero que internamente a estrutura e o treinador mostrem aos jogadores que não podem responder a estas situações!
    Como benfiquista quero chegar ao tetra com todo o meu coração, mas gostaria de sentir que fizemos tudo o que é necessário independente do resultado final, pois o benfica é mais que qualquer um jogador, dirigente ou treinador. Lembrando uma estrofe de fernando pessoa, digo, (…) Aqui ao leme sou mais do que eu, sou um povo que quer o mar que é teu, dai a vontade que me ata ao leme de El Rei D. João II (…) Os benfiquistas são a essência desse povo! A nossa equipa tem de perceber isso e demonstrar em campo!

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