Eu já fui o Monstro para que nenhuma Bela olhava

0
18185

Na escola, nunca fui propriamente o miúdo popular. Não era particularmente giro, não era particularmente preocupado com as coisas que vestia e também não ligava particularmente às miúdas. Até aos meus 15 anos, a prioridade da minha vida foi sempre só uma: o desporto. Ia para a escola de fato de treino, passava os intervalos a jogar à bola, chegava às aulas todo suado, enfim, como se percebe pelo cenário não era bem aquilo que as miúdas gostavam nos rapazes.

Mais ou menos nessa altura, passava na televisão a série “A Bela e o Monstro”, com a Linda Hamilton e o Ron Perlman, e tal como hoje já naquela época eu era um papa-séries, por isso não perdia um episódio. O Monstro viva num esgoto, era feio como tudo, e no entanto tinha a gostosona da Linda Hamilton toda apaixonada por ele. E a verdade é que aquilo não só me dava uma enorme esperança em poder vir a ter uma namorada gira, como também me ligou de forma muito intensa à história de “A Bela e o Monstro”.

A mítica série que me ficava agarrado à televisão nos anos 80
A mítica série que me ficava agarrado à televisão nos anos 80

Há dias, no cinema, estava eu com os dois putos, quando vi a apresentação da adaptação do filme de animação de “A Bela e o Monstro”, com a fofinha da Ema Watson, que estreia em Portugal no dia 16 de março. Os miúdos ficaram fascinados com aquilo (adoram tudo o que meta monstros) e começaram logo com o “pai, quando é que vamos ver este?”, mas eu acho que fiquei ainda mais interessados do que eles, sobretudo porque ver o trailer me fez lembrar a minha relação com aquela história, os meus tempos de criança, de adolescente parvinho e inocente, e bateu uma certa nostalgia.

Para quem não conhece, a história deste filme é idêntica à da animação da Disney de 1991. Basicamente, um Príncipe (Dan Stevens) muito rico que vive num castelo, e que tem tudo aquilo que quer, trata toda a gente com desprezo e arrogância, sem o mínimo de simpatia ou bondade. Um dia, uma velha pobre bate-lhe à porta do Castelo a pedir ajuda, e ele trata-a mal e corre com ela. Teve azar. É que a senhora afinal era uma bela feiticeira que, irritada com a atitude dele lhe lança um feitiço: transforma-o num Monstro e a todos os funcionários do castelo em objetos (uma chávena, um piano, um candelabro, um bule, um espanador). A feiticeira deixa-lhe uma rosa: se ele não aprender a amar, e não for amado, até que a última pétala caia, ele ficará para sempre um Monstro. E quem é que vai aparecer depois na história? Pois, ela mesmo. Mas antes o pai. Então, o senhor Maurice (Kevin Klein), um artista bonzinho e solitário, perde-se na floresta enquanto foge de uns lobos. Acaba por se refugiar no castelo do Monstro, que faz dele prisioneiro. A filha de Maurice, Bela (Ema Watson) vai lá para o salvar, mas o melhor que consegue é uma troca: o pai é libertado e ela passa a prisioneira do Monstro. O resto já conseguem adivinhar.

bela2

O filme estreia esta quinta-feira, 16 de março, e eu vou estar lá no primeiro dia com a criançada para o ver, carregado de pipocas, e provavelmente voltarei a dar por mim a recordar os meus tempos de puto em que achava impossível que algum dia pudesse ter uma Bela a olhar para mim. A verdade é que, olhando para trás, não me posso queixar. Agora é olhar para a frente e continuar a acreditar no mesmo.

*Post escrito em parceria com a Disney

DEIXE UMA RESPOSTA