Inspirações

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Como não podia deixar de ser, a conversa cá em casa anda muitas vezes à volta do tema dos blogues. Há coisas que eu não gosto de ler no blogue da minha mulher, coisas exclusivamente dirigidas ao público dela, mais feminino, e há coisas que ela não gosta de ler no meu, e acha aborrecidas, coisas que, digo eu, são demasiado dirigidas a públicos nicho, como os textos demasiado técnicos sobre corridas ou futebol.

Mas como num blogue não temos de ter a preocupação de escrever apenas para os outros, podemos fazê-lo também quase exclusivamente para nós, optamos por falar daquilo que nos apetece. E é o que ambos fazemos.

Admito que a minha paixão pelas corridas chegue aqui, muitas vezes, em forma de textos mais aborrecidos, por serem demasiado técnicos. E há alturas em que penso nisso — talvez seja a veia jornalística, que me habituou sempre a pensar mais em quem está do outro lado do que em mim. Mas acabo quase sempre por escrever sobre as minhas provas e faço-o de forma apaixonada, porque é algo que mexe efectivamente comigo e com a minha vida.

O feedback que tenho recebido é muito positivo. Sinto que a comunidade de corredores já olha muito para este blogue com respeito, já me vê como um deles, e isso deixa-me feliz. Mas a minha maior motivação nem sequer vem daqui. Vem dos leitores, como uma que me escreveu hoje um mail, que mudaram a sua vida depois de ler alguns textos meus.

A C. escreveu-me hoje pela primeira vez. Começou a ler-me há alguns meses, passava por aqui de vez em quando, até que um dia, quando atravessava uma das piores fases da vida, sem namorado, sem trabalho, com a auto-estima em baixo, decidiu começar a ler o blogue para trás. Foi lendo texto após texto e começou a achar que tinha de dar uma volta à vida, e que isso podia começar com as corridas. Devagarinho, foi começando a correr. Um dia, depois outro, outro, foi melhorando resultados, sentiu o corpo a começar a mudar, foi-se animando e foi ganhando aquilo a que eu chamo o “espírito de corredor”, que é alguém que não admite derrotas nem desistências e que luta sempre por tudo até ao limite das forças.

Hoje, a C. é uma corredora, apaixonada pelas corridas, e é uma mulher feliz.

Escreveu-me hoje, depois de ler o meu texto da maratona, para mo dizer, e para me dizer o quão importante eu fui nesta mudança.

Se os meus textos a inspiraram e a fizeram correr, são estes mails e estas histórias que me fazem ter vontade de continuar a escrever sobre corridas e força de vontade. Obrigado, C., porque tu, sim, és a minha inspiração, tu e todas as pessoas que já me enviaram mails com histórias como a tua.

O facto de ter influenciado a vida de uma pessoa, o facto de ter contribuído para a fazer mais feliz já faz valerem a pena todos os textos aborrecidos que possam ter lido aqui sobre corridas.

11 Comentários

  1. Costumo ler o Blog, mas é raro comentar. Quando era mais nova o desporto era para mim um castigo…recordo-me de no 6º ano ter tido inclusivamente negativa num período escolar a educação física… já só mais tarde, há cerca de 3 anos comecei a amar de verdade o desporto…ginásio, pump, bicicleta…e mais recentemente a natação e corrida. E sim a corrida é talvez o mais difícil de todos. Mas conseguir chegar ao final de 10 km e pensar”consegui” sabe tão bem. Mas ainda há muito para continuar a treinar. Isto para dizer que nunca é tarde para começar, e que não podemos desistir ao primeiro obstáculo. Já agora aproveito o seu blog para divulgar um evento fantástico que decorre todas as quarta feiras na cidade de Leiria. Há dias que vai uma multidão imensa. Vale a pena participar.
    https://www.facebook.com/Brisas.do.Lis.Night.Run?fref=ts

  2. Sabes que o mesmo já me aconteceu. Não foi só ao ler o teu blog, mas também ao ler livros. Enquanto lia, esquecia os meus problemas. Vivia o que estava a ler e admirava a coragem dos protagonistas das histórias que lia. Foi remédio Santo. Rápido tomei uma atitude, peguei nas rédias da minha vida e agora sou eu que conduzo.
    Pela minha parte, e já leio teu blog há muitos anos (já lia o “antigo” e voltei a ler quando decidiste voltar a escrever), os textos que mais gosto são os que falam do quotidiano, dos filhos, do trabalho, de situações que vão acontecendo.
    Quanto a mim, só posso agradecer pela ajuda que diariamente me dás, nem que seja um sorriso que sai em frases e temas engraçados. (Tipo o da mini saia).

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