Mas qual é exatamente o problema de se assumir que se fez uma operação estética?

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Esta foto foi tirada na MediCapilar uns dias antes da minha cirurgia

Não consigo entender como é que a chegarmos a 2019 continua a haver tanta gente a esconder que faz operações plásticas, cirurgias corretivas, pequenas intervenções estéticas para melhorarem a aparência. Este tema continua a ser uma espécie de tabu social, uma coisa sobre a qual não se fala, mesmo que isso esteja à vista de todos. E a minha pergunta é: porquê?

Há dias, na redação da MAGG, discutia-se o tema de forma acesa. Duas fotografias de uma mesma pessoa mostram, de forma absolutamente evidente, que ela corrigiu várias coisas na cara. O nariz, a boca, as maçãs do rosto, as gengivas, até o sorriso é outro, e o mais inacreditável é que, segundo se comentava entre as jornalistas, essa pessoa continua a desmentir ter feito qualquer operação para mexer no rosto. Anedótico.

Mas qual é exatamente o problema de se assumir que se fez uma correção estética para melhorar qualquer coisa no corpo ou na cara? Que mal é que isso tem? Mas esta discussão tem vários níveis.

Nível 1: as pessoas que acham mal que se façam operações plásticas.

É, existem e não são poucas. Há quem defenda que as cirurgias estéticas alteram a identidade da pessoa, que a tornam noutra pessoa. Não. As cirurgias estéticas — e estou a falar de pequenas correções estéticas para alterar qualquer coisa de que não se gosta no corpo ou na cara, não estou a falar daquelas pessoas que vão na 38.ª operação e estão irreconhecíveis — devem servir para nos aumentar a confiança, a auto-estima, a felicidade, e isso são tudo coisas boas. Podendo pagar por uma cirurgia, porque é que uma pessoa há-de viver triste, amargurada, insegura, com a confiança na lama, só porque a sociedade acha mal que se façam operações plásticas? É só estúpido.

O problema maior aqui tem a ver com o facto de muitas vez se confundir a pequena cirurgia com aqueles casos que nos aparecem no Facebook de gente com lábios deformados com botox, mulheres com 3 quilos de silicone em cada mama, ou pessoas que de um dia para o outro mudam de cara. Isso não são são cirurgias corretivas, isso é deformar o corpo para dar nas vistas ou chamar à atenção — são coisas diferentes.

Se alguém tem o nariz muito largo e gostava de o estreitar qual é o drama? O que é que ela perde em sentir-se mais bonita? Por que raio é que deve sentir-se constrangida a fazê-lo, com receio do preconceito social que ainda existe para com as pessoas que fazem cirurgias? (ao ponto de elas terem de o esconder, ou mentir sobre isso). Se uma mulher tem mamas pequenas e gostava de as ter um pouco maiores porque raio é que não o deve fazer, se isso a vai fazer sentir-se muito melhor?

Nível 2: as pessoas que julgam quem faz operações plásticas.

São muitas. E são sobretudo mulheres a julgar outras mulheres, o que é ainda mais pateta. Se cada um se preocupasse em fazer o que está ao seu alcance para ser mais feliz, menos amargo, tenho a certeza de que lhes restaria menos tempo para soltar veneno para cima de quem faz isso mesmo, seja metendo silicone nas mamas, branqueando os dentes, comprando uma carteira de uma marca cara ou fazendo uma viagem de férias às Maldivas.

Nível 3: as pessoas que fazem cirurgias estéticas e mentem com medo do preconceito.

Lá está, foi assim que comecei o texto: é parvo. Mentir sobre o que é evidente só vai tornar uma pequena cusquice numa grande cusquice, porque a conversa vai alastrar-se a muito mais gente. Uma pessoa que assume que fez uma plástica é notícia uma vez (caso seja figura pública), ou é falada uma vez entre colegas (caso não seja conhecida). Uma pessoa que fez uma cirurgia estética e mente descaradamente dizendo que não a fez vai ser falada e comentada durante meses, o assunto vai tornar-se recorrente, quem a rodeia, ou quem a segue, vai continuar todos os dias à procura de fotos antigas, de fotos novas, a fazer comparações, a criar memes de antes e depois, e o assunto não vai morrer. Por isso, mentir é o pior cenário.

Nível 4: pessoas que não falam sobre estes assuntos.

Muito bem, totalmente de acordo. Ninguém é obrigado a revelar se fez ou não fez uma operação, e tem todo o direito a essa privacidade. Não quer falar, não fala. Legítimo. O assunto morre ali. É normal que toda a gente ache que se uma pessoa não quer falar é porque, de facto, fez qualquer coisa. E então? Qual é o drama? Guiarmos a nossa vida em função do que os outros acham ou deixam de achar é o maior dos erros. Não falar, sim, mentir, claramente não.

Há uns meses, numa conversa informal com a Marta e o Rui, donos da Bebe4D, onde fizemos as ecografias 5D da Benedita, contactei pela primeira vez com uma realidade que até ali era, para mim, misteriosa: a dos transplantes capilares. Nunca tive propriamente problemas de queda de cabelo, mas já há alguns anos que andava a ouvir as cabeleireiras a atirarem umas frases do género “aqui na zona da coroa já começa a ter o cabelo muito fininho”, ou “o cabelo aqui em cima já está muito fraco”. E eu sentia isso. O cenário de me ver careca não era propriamente estimulante. Ao contrário de algumas pessoas, não é uma coisa que andasse a tirar o sono, mas deixava-me a pensar no futuro. Iria ficar com aquelas coroas atrás aos 45 ou 50 anos? E aquelas entradas gigantescas, quase sem cabelo à frente? Comecei a pensar nisso, embora o problema estivesse ainda muito longe de ser grave.

Nessa conversa informal, o Rui falou-me da clínica MediCapilar, onde se fazem transplantes de cabelo usando as tecnologias mais avançadas do mundo. Basicamente, e de forma resumida, com uns pequenos robôs são retirados folículos de cabelo da parte de trás da cabeça, onde o cabelo é abundante e onde nunca deixa de nascer, e esses mesmos folículos são depois implantados nas zonas onde já não nasce cabelo, normalmente nas entradas à frente ou na zona da coroa. Aquilo pareceu-me uma coisa verdadeiramente fascinante. Meio a brincar, ainda lhe disse que a indústria que descobrisse o segredo para as mulheres não engordarem e os homens não ficarem carecas seria um sucesso. E ele garantiu-me com na MediCapilar o sucesso dos transplantes é total, e deixou-me a pensar ainda mais no assunto.

Uns dias mais tarde, voltei a falar com o Rui e acedi a fazer uma consulta, um rastreio, para perceber qual era o estado efetivo do meu cabelo, e que expetativas deveria ter em relação ao futuro. Assim foi. Fui à clínica, fui observado por uma médica especialista, e aquilo que me andavam a dizer há algum tempo nos cabeleireiros era mesmo verdade: estava longe de ser careca, ou de aparentar ter falta de cabelo (pelo menos assim de repente), mas já tinha zonas onde o cabelo estava a rarear ou onde era bastante fraco, como na coroa e em quase toda a zona do topo da cabeça. No lado direito, na zona frontal da cabeça, também já tinha uma entrada um pouco grande, em que o cabelo tinha simplesmente deixado de nascer.

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O Emanuel foi um dos que fizeram transplante capilar na MediCapilar

Foi depois disso que decidi aceitar o desafio da MediCapilar e fazer um transplante capilar. A minha ideia era simples: impedir que a calvice chegasse a ser um problema, agir de forma preventiva. Desta forma, nunca iria sequer passar pela fase de estar já com pouco cabelo, e depois de repente, de um dia para o outro, aparecia com imenso cabelo — isso é estranho, e acarreta um problema: quando perdemos muito cabelo, passamos a ter uma área que necessita de transplante bastante grande, e é possível que não tenhamos uma zona dadora com folículos suficientes para cobrir as áreas onde o cabelo deixou de nascer.

Decisão tomada. A 21 de setembro do ano passado dei entrada na MediCapilar e fiz um transplante capilar. Querem saber mais? Em breve conto-vos tudo.

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