Mini-Maratona: o primeiro dia do resto da vossa vida

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Já me perguntaram muitas vezes, mas não consigo dar uma resposta exata. “Quando é que começaste a correr?”. Foi há muitos, muitos anos. Tenho uma fotografia tirada quando andava no quinto ano — ou seja, tinha 10 anos — em que estou na linha de partida para uma corrida desde a Escola de Aranguês até ao Liceu, em Setúbal. Já nessa altura gostava de correr, e passava o dia a correr, mas essa terá sido a minha primeira prova, em 1986. Depois, tenho memórias soltas de corridas que fui fazendo, sobretudo naquelas datas emblemáticas em que tradicionalmente se organizam provas, como o 25 de Abril ou o 1.º de Maio.

Outra das perguntas que muitas vezes me fazem é tão simplesmente “porquê?”. Por que raio é que eu corro, ou gosto de correr, uma coisa aparentemente aborrecida, solitária, que nos deixa de rastos, e em que nunca ganhamos nada. Há uns anos, fiz um vídeo (podem ver aqui) a responder a essa pergunta. Porquê? Porque sim. Não há efetivamente uma resposta, não se consegue transmitir em palavras aquilo que um corredor sente quando corre, quando treina, quando termina uma prova, ou simplesmente quando vive o seu dia a dia normal sabendo, lá no fundo, quem é, e o que é. Ser um corredor — e quando digo corredor não estou a falar de profissionais, estou a falar de todos aqueles que regularmente correm, sejam distâncias curtas ou longas, seja a velocidades de lebre ou de tartaruga — é ser de alguma forma diferente, é fazer parte de uma tribo muito peculiar de gente resiliente e lutadora, que sabe sofrer por um objetivo, que não se deixa ir abaixo por qualquer coisinha, que tem capacidade de olhar os desafios testa com testa e ir à luta, mesmo que esses desafios pareçam impossíveis.

Sentir estas coisas, ter esta atitude, é uma coisa que se ganha nas estradas, nos trilhos, nos treinos e nas provas, nos dias frios de inverno em que não apetece sair da cama, mas vamos para a rua correr, nos dias abrasadores de Agosto, em que só apetece estar na praia, mas vamos para a rua correr, nos dias em que estamos tristes, e vamos para a rua correr, nos dias em que estamos felizes, e por isso vamos para a rua correr. Ser um corredor não é uma fase, é um processo, é um estilo de vida que se ganha com os anos, com a prática, com as vitórias e as derrotas, com as alturas em que nada nos parece derrotar mas também com as fases em que estamos desmotivados e achamos que a corrida morreu em nós, mas um dia desperta e umas semanas depois já nos sentimos uns touros.

Uma das corridas da minha vida foi debaixo de chuva torrencial, na Maratona de Madrid (por isso, mesmo que chova, não tenham medo)
Uma das corridas da minha vida foi debaixo de chuva torrencial, na Maratona de Madrid (por isso, mesmo que chova, não tenham medo)

Ao longo destes quase 10 anos que levo de blogue, já tive o privilégio de influenciar dezenas, talvez centenas de pessoas, levando-as para este mundo das corridas. Perdi já a conta ao número de mails que já recebi de gente a pedir dicas para começar, dicas de equipamento a usar, dicas sobre o que se deve comer antes, durante e depois de provas, dicas de como preparar uma maratona ou simplesmente de como dar o primeiro passo. E para estes, para os que querem dar este passo, deixo uma sugestão, que foi aquela que dei à minha mulher no dia em que ela decidiu que queria começar a correr e que um ano depois queria estar a terminar uma maratona (e terminou). E a sugestão é simples: inscrevam-se numa prova. É a forma mais simples de começar a sentir a adrenalina de uma corrida, o espírito que se vive no momento da partida, a emoção de ver as pessoas a cortar a meta, as caras que vamos vendo ao longo da corrida, de gente em esforço, a sofrer por um objetivo, mas sem desistir, sempre na luta. Participar numa prova é viver uma festa e uma emoção continuada que começa muito antes do início da corrida e termina muito depois de se cortar a meta.
Pela minha experiência, diria que não há melhor prova para se começar do que a Mini-Maratona Vodafone, que se corre já este domingo em Lisboa. É a maior prova nacional, aquela que junta mais gente, e também aquela onde há mais atletas que não costumam correr regularmente. Muita gente vai à prova unicamente para viver a experiência de passar a ponte 25 de Abril pela primeira vez, e não há mal nenhum nisso. É fundamental é ir, viver aquele ambiente, porque depois disso é muito mais fácil continuar e querer repetir a experiência.

Normalmente, costumo correr a Meia-Maratona, mas já corri a Mini algumas vezes. E este ano é à Mini que vou. Depois de ter corrido as maratonas de Lisboa e do Porto, em outubro e novembro, foquei-me por inteiro no lançamento do meu novo projeto, a MAGG, e não tenho treinado nada de jeito, por isso, não me sinto preparado para me atirar à meia. Só que também não quero perder a oportunidade de participar na maior festa nacional da corrida, e, para mim, correr a Mini é poder viver lado a lado com gente que está a começar a experiência da corrida, é poder correr sem pressão, sem ritmos, sem metas, sem exigências. É poder viver a experiência só por aquilo que ela representa, correr do princípio ao fim a falar com toda a gente, a motivar pessoas, a brincar, e é com esse espírito que vou para a ponte no domingo. Por isso, se me virem por lá, digam um olázinho. Texto escrito em parceria com a Vodafone.

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