Morreram-me os dois

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Ontem perdi dois dos meus maiores ídolos do cinema. Um morreu, o outro morreu-me.

Sobre Philip Seymour Hoffman só posso dizer que atirou ao lixo uma vida, uma família, três filhos e um talento que nasce com muito, muito poucos. E quem desperdiça tudo isto, quem não sabe viver, respeitar-se, respeitar os outros, quem espeta uma merda de uma agulha no braço e se injecta com heroína depois de 22 anos sem consumir álcool e drogas perde muito do respeito pessoal que se pode ter por ele. O profissional fica, claro.

Nunca me esquecerei da primeira vez que o vi, em “Happiness”, para mim a mais brilhante de todas as suas personagens, melhor ainda do que a de Capote, que lhe valeu o óscar.

É daqueles actores que nunca se esquecem, que vão estar sempre presentes, infelizmente, apenas no passado.

A morte de Hoffman foi um choque. Mas não me doeu tanto quanto a do maior de todos os meus ídolos, Woody Allen. Li ontem, pela primeira vez, a carta que a sua filha adoptiva, Dylan O’Sullivan, publicou no “New York Times”, em que conta como o pai abusava dela quando ela tinha sete anos. O relato é tenebroso, assustador, e não pode deixar indiferente quem sente Woody Allen como um génio, que é o meu caso. Mas custa-me respeitar um génio pedófilo. Custa-me mesmo.

Pode argumentar-se, claro, que ele nunca foi acusado pela justiça, nunca foi condenado por este crime, e isso fará dele um homem inocente. Pois, mas custa-me muito a acreditar na versão dele, sobretudo depois de ler a de Dylan, que, agora, 25 anos depois, não me parece que tenha qualquer tipo de motivação para expor um caso do passado, que não seja o de apresentar uma verdade que tende a ser esquecida, entre tantos e tantos elogios, prémios e reconhecimentos do realizador. O que espoletou esta necessidade de falar foi o tributo recente feito ao seu pai, bem como a nomeação para mais um óscar. Dylan achou que estava na hora de contar, pela primeira vez, tudo o que viveu com o pai, a forma como contou os abusos à mãe, os anos que andou de médico em médico, numa tentativa de ser descredibilizada, já que estava a acusar um ídolo, uma estrela, ainda que fosse o seu pai. O caso nunca avançou, Woody nunca foi julgado, e o caso acabou esquecido.

Uns anos depois, Mia Farrow descobriu no apartamento de Woody Allen fotos de nus da sua filha adoptiva coreana, Soon-Yi (que não filha de Woody Allen, mas sim de Mia Farrow com o seu ex-marido Andre Previn), que na altura teria perto de 18 anos. Woody Allen acabaria por iniciar um relacionamento com ela, que dura até hoje. Este episódio, para mim, vem reforçar as acusações agora reveladas por Dylan. Podem argumentar que Soon-Yi é maior, e que é muito diferente ter relações com uma miúda de 18 e com uma criança de 7, claro que é, mas a predisposição de Allen se envolver com crianças, crianças essas dentro do seu ciclo familiar (mesmo não sendo pai de Soon-Yi, era uma espécie de padrasto, e é pai de um irmão de Soon-Yi, Ronan, hoje com 26 anos, e que é filho e cunhado de Woody Allen).

Claro que Mia Farrow é tudo menos uma santinha, basta olhar para a sua vida, para os inúmeros casamentos, ou até para o facto de, agora, ela dizer que acha que o pai biológico de Ronan não é Woody Allen, mas sim Frank Sinatra, com quem fora casada nos anos 60, e que sempre foi o amor da sua vida. Supostamente, e segundo ela, os dois voltaram a envolver-se várias vezes ao longo da vida, e numa dessas vezes, nos anos 80, no período em que ela namorava com Woody Allen. Mas isso não tira qualquer credibilidade ao relato de Dylan.

Estamos perante um crime que já tem mais de 20 anos, que não poderá ser julgado, e que, por isso, poderá apenas construir convicções na cabeça das pessoas. E a minha é a de que Woody Allen abusou de uma criança de sete anos. E ninguém me conseguirá tirar isso da cabeça.

Podem ler o texto de Dylan aqui.

Woody Allen leu o texto, classifica-o como “vergonhoso” e “mentiroso”, e insiste na mesma tese que apresentou na altura em que o caso ficou conhecido, a de que foi Mia Farrow quem manipulou a filha para o incriminar. Eu só pergunto: então se foi isso que aconteceu, o que é que motiva, agora, Dylan a contar tudo o que se passou? Pois, nada, digo eu.

38 Comentários

  1. Se tivesse lido antes de formar uma opinião saberia que o caso foi investigado na altura e que não foi para a frente porque a equipa que o investigou não acredita que a Dylan tenha sido abusada.

  2. Tendencioso é baseando-nos num artigo que, ainda para mais, tem argumentos que não batem certo acharmos logo o “culpado” da história…

  3. Adoro-o como realizador. Como pessoa não conheço. Acho estranha a paixão dele pela filha adoptiva mas desconheço como tudo começou, ou seja, se não foi de facto amor que uniu este casal, que podem até ter tentado ultrapassar mas acharam melhor estar juntos, etc. Só eles é que sabem o que sentem, como começaram a sentir e se calhar num filme seria uma bela história de amor, na vida real, com apontamentos de revistas é apenas uma relação estranha.
    Quanto à Dylan, não estranho vir falar agora. Não que possa estar a ser influenciada devido à estranha postura de Mia. O porquê de ser agora?! Recordo-me de por várias vezes esta história ser falada… Se for verdade, é muito triste. Se for mentira, também o será… Agora basear-me numa revista e opiniões de terceiros, nem pensar. E acho que enquanto jornalista também devias ver as coisas dessa forma antes de colocares de lado alguém que te inspira.

  4. O que a motiva? Hum, não sei, talvez FAMA. Aquela que estão a dar a uma garota que apesra de ter sido violada fala tão livre e abertamente das coisas que lhe sussuraram ao ouvido!?!??!
    Bem, quem sou eu, mas isto diz mentira dos pés à cabeça

  5. Tudo bem escrito, tudo muito arrumadinho. Minudências e aparências! A perspectiva está errada. É tipicamente pequeno-burguês, para utilizar um conceito fora de moda e antiquado. Claro que dito isto assim, teria pano para mangas. Resumo desta maneira: a fraqueza do génio está na sua humanidade. A sua grandeza e o seu contributo para a cultura e a arte, pilares da nossa humanidade, não podem ser pesados com as suas fraquezas humanas.

  6. Eu não idolatro ninguém que não conheça pessoalmente. Seja ele político, cantor, actor ou escritor.
    Mas também não quero saber se uma pessoa é má ou boa para apreciar o trabalho que ela o faz. Acho que os dois não se devem misturar, de todo.
    Ninguém vê os filmes da Angelina Jolie por ela ser caridosa e ajudar muita gente. E ninguém deixou de ler (e ver os filmes que do livro derivaram) o “Alice no País das Maravilhas” por o seu autor ser um pedófilo.

  7. Em relação ao Philip Seymour Hoffman posso dizer que realmente se perdeu um grande talento e de uma forma estúpida, ou não fossem todas as formas de morrer que levam pessoas antes dos 90 anos estúpidas…
    Mas vejo que muita gente, inclusive o Ricardo nunca deve ter convivido com viciados, um vício não define uma pessoa e também não a marca para toda a vida, é possível curar-se e não voltar a ceder, tudo depende de pessoa para pessoa e dos motivos que a levam a consumir.
    Existe muita informação sobre drogas e sobre muita coisa, mas às vezes um vicio começa por um impulso, um momento de “vou deixar de ser o certinho(a)” para não falar das pessoas que têm propensão para vícios que dificilmente se conseguem afastar deles, não julguem tão facilmente as pessoas.
    Em relação ao Woody Allen não me espanta, sempre achei que tinha algo estranho, alguma coisa ali não bate certo e acho realmente muito estranho a Dylan trazer de novo esta história à ribalta, expor-se sem a mesma não ser verdade.

  8. Que comentário tão parvo!
    Interessa-me a arte… Quer dizer um ator pode ser um assassino em série se for bom ator releva porque gosta do trabalho dele?
    Não quer dizer que ele não tenha talento mas não se pode idolatrar uma pessoa assim!

  9. Este post quase que poderia ter sido escrito por mim, pois revejo-me totalmente nele.
    Quanto ao primeiro caso da morte de Philip Seymour Hoffman fiquei realmente surpreendido não pelo facto de ter morrido de overdose mas por ter lido ontem á noite que foram encontrados cerca de 50 sacos de droga no seu apartamento.
    Como é possível que alguém por mais famoso que seja, consiga guardar e transportar tal quantidade de droga para casa.
    Muito embora eu pense que cada um dos nossos ídolos tem as suas manias e que por vezes a sua vida não é tão cor-de-rosa como parece.
    Quanto ao segundo caso, li na diagonal a noticia, mas penso que o fiz mesmo para tentar que me passasse um pouco ao lado. Por vezes faço isso, para esperar que se confirmem os rumores. No entanto, a ser verdade é mais um caso triste.

  10. Eu também pensava assim. Como é possível que uma pessoa que tem tanto – tudo, dirão alguns – possa sucumbir desta forma? Ainda mais que uma carreira respeitada e lucrativa, tinha um talento enorme. Tinha dinheiro, tinha uma família estável. Algumas destas coisas são coisas que nem toda a gente consegue um dia ter – então o amor pelo que se faz, pela profissão é um dos “calcanhares de aquiles” de muita gente.
    Mas depois penso que, se mesmo tendo tudo isto, se deixou levar por um vicio que, dizem, estava controlado há 23 anos, algo de errado se passava. E não consigo sequer imaginar os “fantasmas” que o acompanhavam e com que tinha que lutar para que nem sequer o amor pelo filhos tenha sido forte o suficiente para impedir que isto acontecesse. E fico com pena. Se calhar sentia-se um verdadeiro loser, quem sabe.

    Quanto ao Woddy Allen, não sei o que pensar. Ocorre-me apenas que a Dylan e o irmão devem ter eles próprios fantasmas muito escuros. Das duas uma: ou vivem a vida com a convicção de que o pai é um pedófilo e um monstro, ou com a convicção de que a mãe tem a mente mais manipuladora e pervertida de todos os tempos e que é capaz de os usar para atingir o ex-marido… De qualquer das maneiras, deve ser bem horrível para eles.
    A ser verdade o relato da filha, e admito que não li nem vou ler, infelizmente acho que não vai servir grande propósito. Nada vai acontecer, o Woddy Allen vai continuar a fazer os seus filmes e a receber os seus prémios, e a coisa acaba quando nem sequer começou. Se na altura nada foi feito, não vai ser agora que o caso vai ser investigado. O que é só por si vergonhoso. Se fosse ali o Zé da esquina a coisa seria diferente. Mas é a sociedade que temos.

  11. “Sobre Philip Seymour Hoffman só posso dizer que atirou ao lixo uma vida, uma família, três filhos e um talento que nasce com muito, muito poucos. E quem desperdiça tudo isto, quem não sabe viver, respeitar-se, respeitar os outros, quem espeta uma merda de uma agulha no braço e se injecta com heroína depois de 22 anos sem consumir álcool e drogas perde muito do respeito pessoal que se pode ter por ele.”

    E o facto de ter escrito uma barbaridade destas (e de ser esta a sua visão sobre este tema) faz com que perca muito do respeito que eu tinha por si.

  12. Concordo com o que disseste em relação ao Woody Allen . Porque inventar uma coisa destas quando já se tem a sua vida e a sua família? Mas agora pensando bem, os filmes dele abordam o amor e a sexualidade de várias formas, algumas delas menos ‘bem vistas’ pela sociedade. Mas custa-me, dá-me nojo!

  13. Adelaide, penso que não tenha compreendido o que disse (ou eu não me fiz entender convenientemente).

    O respeito pelo “peso” do vício, não significa um desrespeito pelo viciado.
    Mas sim uma compreensão de que, uma vez viciado, irá sê-lo sempre. Mesmo quando as suas escolhas forem resistir a esse vício.
    É como dizer que estar limpo é uma batalha que se trava sempre, não uma “cura” verdadeira. Infelizmente. Porque na prática é preciso um esforço muito grande para não recair.
    Como eu disse, as pessoas erram e fazem escolhas que por vezes não conseguimos compreender (como esta, que deita a perder a própria vida e deixa no mundo a mulher e os filhos), mas tal não significa que deixemos de gostar/admirar a pessoa.
    Todos os anos perdemos muitas pessoas para a droga, algumas figuras públicas, dizer que se acha triste partirem desta forma não é um desrespeito, mas sim isso mesmo: triste. Porque tinham tanto para dar e não tiveram essa hipótese.

  14. Peço desculpa mas é a segunda vez que leio aqui um post sobre a morte de alguém ( o outro foi aquando da morte da Margarida Marante) e mais uma vez fiquei chocada. A sério? pensa mesmo assim? julga-se Deus? julga-se perfeito? juro que não percebo.

  15. Há situações em que .respeito é uma forma de compaixão..Choca-me que se fale assim de quem acaba demorrer vítima de um trágico vício. Não se pede a ningém que seja conivente, mas. no mínimo, tenhamos compaixão. Quem somos nós para o julgar?

  16. ia precisamente sugerir a leitura do texto de Robert Weide . fiquei contente de perceber que outros leitores já o tinham feito. existem inúmeras explicações para que Dylan , a maior vítima, e o seu irmão acreditem, de facto, na história que relatam. provavelmente, nunca saberemos exactamente o que aconteceu. mas, com toda a certeza, não será como Mia conta. ou teria havido acusação formal por parte dos ministério público.

  17. Muitos de nós temos tendência para querer desculpabilizar os nossos ídolos. Se calhar, o realizador até pode estar inocente — e sê-lo-á para todos os efeitos legais até prova em contrário. Temos, também, de manter um cepticismo (difícil) mesmo perante o que vemos.

    Mas a pergunta é: se fosse o Zé da Esquina, hesitaríamos em condená-lo na nossa cabeça?

    Talvez o erro seja a condenação demasiado rápida no caso de quem não é famoso ou talentoso, ou então será a condenação demasiado lenta no caso dos famosos. Mas há aqui um padrão inconsistente…

  18. “Sobre Philip Seymour Hoffman só posso dizer que atirou ao lixo uma vida, uma família, três filhos e um talento que nasce com muito, muito poucos. E quem desperdiça tudo isto, quem não sabe viver, respeitar-se, respeitar os outros, quem espeta uma merda de uma agulha no braço e se injecta com heroína depois de 22 anos sem consumir álcool e drogas perde muito do respeito pessoal que se pode ter por ele. O profissional fica, claro. ” Despediça? O homem tinha claramente um vício. Óbvio que não sei se a overdose foi suicídio ou acidental, mas de qualquer das formas um vício (especialmente no que diz respeito a drogas pesadas) é uma doença. Não fez aquilo porque, “ah deve ser divertido”. Fez por estar doente, por ser viciado. Uma pessoa viciada em drogas, um alcoolico nunca se cura. Aquilo vai fazer sempre parte da vida dessas pessoas. Por isso se calhar um bocadinho de contenção quando se diz “perdi todo o respeito por ele”. Só diz isso porque nunca viveu com um vício. E não é melhor do que os outros por isso.

    Em relação a Woody Allen, toda a história fez-me muita impressão. Mas se fosse boicotar os filmes dele, tinha de boicotar metade dos filmes que vejo (Polanski pelos mesmo motivos, Sean Penn porque bate na mulher, Alec Baldwin por bater / tratar mal a filha, etc, etc, etc). A vida pessoal deles pouco me interessa, interessa-me a arte.

  19. O facto do woody allen se ter casado com a filha adotiva da esposa causou me sempre nojo!! Tenho dois filhos biológicos mas acredito que se adotasse uma criança ia ser tanto meu/minha filho/a que os biológicos. Por isso para mim já na atura era incesto e por acaso a miúda tinha 18 anos como por magia quando veio a publico… Para mim será sempre culpado tal como não posso ver o Herman e companhia…
    Quanto ao Philip Seymour Hoffman vi na Fox a semana passada o Cold Mountain onde faz um papel incrível…Acho sempre que morrer com drogas é o maior desperdício de vida mas infelizmente temos de nos lembrar que são humanos e os humanos erram e muito…

    http://aprincesarainha.blogspot.pt/

  20. Olá Liliana. Eu li o artigo ontem. Parece-me demasiado tendencioso, por razões óbvias. E torna-se pouco credível quando o próprio autor assume que não sabe o que aconteceu, e acredita que Dylan ache mesmo que o pai abusou dela, mas que, para ele, aquilo é tudo da cabeça dela, e sugestionado pela mãe.

  21. Olá Arrumadinho,

    É verdade que uma acusação destas é uma acusação muito muito séria, e é ainda mais difícil acreditar que alguém poderia inventar algo tão horrível de uma pessoa. Ainda para mais uma pessoa que começou um relacionamento com uma rapariga de 18 anos.

    No entanto, na altura as acusações surgiram no momento em que ele se estava a separar da Mia Farrow. E basicamente a Mia Farrow gravou a Dylan a contar que o Woody a violou e durante essa gravação existem uma série de interrupções em que a cassete pára e depois volta a gravar. Isto para mim é muito duvidoso. É muito fácil uma mãe manipular uma filha… Em segundo lugar ao que aparenta a miúda foi vista por dois médicos na altura e ambos não encontraram sinais de violação.

    Acho um pouco precipitado acusarmos já o Woody Allen. A justiça nos Estados Unidos costuma funcionar bem e o caso foi averiguado na altura. Não devemos esquecer também que ele deve ter semeado muitos ódios, tanto com a Mia Farrow como os seus filhos adoptivos.

    Claro que pode ser tudo verdade e ele pode mesmo ter abusado da menina. Mas não podemos acusá-lo já e pronto.

    Aqui segue um link a explicar melhor a situação:
    http://www.thedailybeast.com/articles/2014/01/27/the-woody-allen-allegations-not-so-fast.html

  22. O facto do woody allen se ter casado com a filha adoptiva da esposa sempre me causou alguma estranheza. Daí, quando vi a carta da filha, pareceu-me certo que ele seria culpado. No entanto, quando li o artigo (cujo link aqui deixo) perdi muitas certezas. A verdade é que a história está muito mal contada e tem muitas falhas.

    http://www.thedailybeast.com/articles/2014/01/27/the-woody-allen-allegations-not-so-fast.html

  23. Nunca consegui “respeitar” viciados. Mas respeito o peso e significado do “vício”.
    Adorava o Hoffman como actor, hei-de continuar a adorar. Se era uma pessoa imperfeita, que erra descomunalmente? Claro que sim.
    Na vida aprendemos a amar as pessoas além dos seus defeitos e erros. Infelizmente um drogado, mesmo quando limpo, terá sempre aquele peso de o ser. Não vai mudar, mesmo que as suas escolhas mudem. Pode escolher estar limpo, mas pode ter um momento de fraqueza e deitar tudo a perder. É triste.

    Woody já levanta rumores que não nos chegam de agora. Torna-se muito complicado distinguir a pessoa da carreira, o espírito, do génio.
    Para mim WA é magistral naquilo que faz. Se é uma boa pessoa? Se é correcto? Se é moral? Não consigo acreditar que seja. Não consigo também dizer que gosto menos das obras dele por isso.
    Passou a linha do ortodoxo, do aceitável, do expectável e colou-se a um rótulo de tarado imundo e amoral.

    Nem sempre compreendemos as pessoas ou o porquê de fazerem o que fazem, simplesmente reservamo-nos ao direito de não as “desculpar” por isso.

  24. O primeiro caso choca-me mas não me surpreende tendo em conta o historial dele. E fez-me pensar em algo que irei escrever.

    Quando ao Woody Allen. Não sou um grande fã. Gosto de algumas coisas dele mas não sou louco por ele. A carta é mesmo muito forte. E, mais uma vez, não me surpreendem as acusações.

    homem sem blogue
    homemsemblogue.blogspot.pt

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