MST está offline

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Uma das razões pelas quais compro o “Expresso” todos os sábado é para ler as crónicas do Miguel Sousa Tavares. São mais as vezes em que discordo do que ele escreve do que aquelas em que concordo, mas admiro a forma firme como ele defende as suas opiniões, muitas vezes sustentadas em adaptações convenientes dos factos. Sinto, muitas vezes, que ele vive num mundo diferente do que quase toda a gente, com níveis de interesses e preocupações demasiado elitistas, e desfocado das verdadeiras necessidades e exigências das pessoas.

Hoje, Miguel Sousa Tavares foi um dos convidados da discussão “Como Vai Ser o Jornalismo Nos Próximos 20 Anos”, uma conferência a propósito do 20.º aniversário da TVI. E quase tudo o que disse foram, para mim, tiros ao lado, ideias de alguém que, lá está, vive num mundinho muito seu, sem perceber a realidade que o rodeia. Mas vamos lá ver então o que é que ele disse.

Ponto prévio: Sousa Tavares assumiu-se como elemento de um “grupo de dinossauros que vive de jornais, respira jornais e come jornais”. Sim, não tenho quaisquer dúvidas que Sousa Tavares faz parte de um grupo de dinossauros, uma espécie que já não existe, que é de outro tempo, e que, por isso, não entende o novo mundo. E, na comunicação, o mundo é outro, nada tem a ver com o que se conhecia há 10 anos, muito menos há 20 ou 30, alturas em que Sousa Tavares frequentava redacções.

“A Internet produz uma informação basista. Chegámos ao ponto em que a notícia é o que a net diz. Os jornais foram atrás do amadorismo das notícias”. Esta é mais uma frase dita hoje por Sousa Tavares.

Primeira contradição: Miguel Sousa Tavares não vai à net, não usa a net, odeia jornais na net, logo, como é que pode dizer que a informação que está online é basista? MST não percebe que a Internet não é um órgão de informação, mas sim uma plataforma de divulgação, é uma nova forma de fazer chegar informação às pessoas, mais adequada aos seus hábitos. Se há 20 ou 30 anos havia tempo para que nos sentássemos no café a ler o jornal, hoje, quanto muito, espreitamos as notícias no telemóvel ou nos intervalos do trabalho. Os hábitos mudaram, as pessoas mudaram, mas Sousa Tavares, que não tem um emprego que o obrigue a viver como as pessoas normais, não consegue entender isso. As notícias da net são escritas pelos mesmos jornalistas que as escrevem no papel. Se ele gosta tanto do papel, e das coisas escritas em papel, como é que pode dizer que o que está online não presta só porque está online? Continuando.

Novo disparate, este dos grandes. Sousa Tavares não entende a vantagem de se estar online e, por isso, defende que “os jornais devem sair do online”.

Repito o que disse antes: MST vive no seu mundo fechado do bairro da Lapa, vai ao café de manhã, lê tranquilamente todos os jornais, e volta para casa para escrever livros e crónicas. Como é que um jornalista não entende a vantagem de se estar online? Uma coisa é discutir-se o modelo de evolução dos jornais, o caminho a seguir, outra é discutir o que não tem retorno, que é apenas estúpido. Mas o pior vem depois. “Os jornais devem sair do online”. Pois. E o que é que ganhavam com isso? Nada. Rigorosamente nada. Que eu saiba, nenhum jornal do mundo saiu do online e ganhou alguma coisa com isso. Ele não me lê – não usa a net, logo, não o pode fazer – por isso não vale a pena falar-lhe das 2.343.355 razões pelas quais um jornal deve estar online. Parece-me, até, absurdo falar disto.

E isto não fica por aqui. “Não percebo porque os jornalistas vivem de cu sentado nas redacções, pendurados na Internet”. Mais um disparate que demonstra que MST já não faz ideia do que é trabalhar numa redacção. As grandes notícias, que vendem jornais, que marcam a actualidade, sabem-se pelo telefone. E isto é assim há muitos, muitos anos. O bom jornalista é o que saca boas histórias, que dá melhores notícias, que melhor comunica com os leitores. E isso faz-se, quase sempre, em frente a um computador, agarrado a um telefone. É assim que se trabalha hoje, como era assim que também se trabalhava há 20 anos. Comecei a trabalhar muito antes do boom da Internet, e já na altura era pelo telefone que se sabiam quase todas as grandes histórias. O conceito do “jornalismo de cu sentado” está errado, mas quando aplicado a muitas outras coisas. Claro que não se pode fazer reportagem assim, mas, infelizmente, as publicações nacionais têm cada vez menos este género jornalístico, e também não é isto que faz vender jornais, por muito que me custe, já que sempre fui muito mais de contar histórias humanas, de andar na rua, de falar com pessoas, de observar, do que de sacar notícias por telefone.

Por fim, e para comprovar o quão desfasado MST anda, deixo mais uma ideia por ele defendida. “Não ganhamos nada em abrir um telejornal com o pontapé do Marco”. Oi? Pontapé do Marco? O exemplo que MST foi buscar para explicar a queda do jornalismo de referência tem 13 anos! 13! Em 13 anos, tudo mudou na comunicação. A TVI, que emitiu esse jornal da noite que abriu com o pontapé, já teve vários directores diferentes, já seguiu várias linhas editoriais, os jornais mudaram, os sites também, está tudo diferente. Claro que todos gostávamos de ter mais jornalismo de referência, mas, primeiro, era importante perceber o que é o jornalismo de referência. É informação de nicho, com muita cultura, informação económica e reportagens humanas em jeito de documentários ou grandes reportagens? É que muitos dos jornais tidos como “de referência” gastam páginas e mais páginas com tricas políticas exactamente iguais àquelas que vejo nas revistas cor-de-rosa, mas com protagonistas diferentes.

Em resumo, MST é livre de achar o que bem entende, e é dos homens mais bem pagos no País para passar a escrito esse “achismo”. Isso acontece porque há quem goste de o ler – como eu. Apesar disso, cada vez mais acho – e este é o meu “achismo” – que o dinheiro que pago para o ler é mal empregue. Há por aí muita gente a escrever coisas bem mais interessantes. E online.

1 Comentário

  1. Boa noite,
    Sendo eu um leitor passivo – uma vez que a minha companheira é uma activa leitora do seu blog, parte integrante do seu grande grupo de leitores femininos – gostaria de deixar um comentário a esta notícia.

    Concordo em parte com M.Sousa T. por que creio que o cerne da questão é exactamente a tendência de "ler por alto" as coisas da internet e muitas vezes de uma maneira muito pouco assertiva. É exactamente como diz das suas palavras. Espreitamos! Depois há quem tenha a tendência de comentar o que espreitou. Essa é a fonte do problema. O "diz que disse".

    "Se há 20 ou 30 anos havia tempo para que nos sentássemos no café a ler o jornal, hoje, quanto muito, espreitamos as notícias no telemóvel ou nos intervalos do trabalho."

    Creio que ainda hão de mudar os tempos novamente. Tudo é cíclico como a moda. "Just my 2 cents".

  2. Ser/Estar – empregue

    Ter/Haver – empregado

    E as edições "online" e em papel a transbordar de erros e pontapés na gramática? E as "adaptações" de artigos escritos em Brasileirês nos quais os senhores jornalistas nem se dão ao trabalho de informar a fonte? Possivelmente surrupiam os artigos da "Folha de S.Paulo" e afins e dão uns retoques para aportuguesar a coisa.

  3. Apesar de vir aqui várias vezes nunca me manifestei…
    Mas confesso que concordo plenamente com esse amor ódio por MST… eu tb gosto de o ler e gasto dinheiro com o senhor.. mas que dá raivas certas opiniões completamente desfasadas da realidade dá… no meu mundo (escola e professores) é raro o que gosta dele, precisamente por uma opinião completamente fora da realidade que ele escreveu há uns anos… o senhor vive mesmo num mundo à parte….

  4. Sou estudante de jornalismo e, de facto, é triste ouvir MST – um homem com cujas opiniões muitas vezes não concordo, mas que gosto de ouvir, porque vale a pena. Para nós, no início do percurso, custa ouvir estas barbaridades de quem está desatualizado mas fala como se tivesse toda a propriedade sobre qualquer assunto que o faça abrir a boca. E o que me dá mais pena é que há muito boa gente que o ouve religiosamente e claro que, sem consultar outras fontes, concorda e diz do seu poleiro que antes é que era, que hoje não há jornalismo de qualidade. Pode ser que nem tudo seja melhor, mas temos mais meios, temos mais formação, e temos muita vontade de contribuir para algo melhor, sobretudo nesta altura tão controversa!
    Obrigada Arrumadinho, porque é preciso alertar para as falsas verdades que gurus da opinião pública como este espalham por todo o lado…

  5. " Miguel Sousa Tavares não vai à net, não usa a net, odeia jornais na net". A sério? Esta agora!!!

    Gostei do termo "achismo". Costumo ter alguns ataques de "achismo", ainda que muitos deles, sejam apenas a minha visão das coisas e valem o que valem.

  6. E eu concordo com o que dizes. Mas acho que, em certos aspetos (e são poucos, muito poucos) a idade pode ser um posto.
    E garanto-te uma coisa: quando eu bater a botinha (espero estar mais ou menos no meio, dado que tenho 45) uma das poucas coisas que tenho a certeza que vou saber é que não aprendi quase nada (sim estou a parafrasear o Sócrates da Grécia antiga).
    Sabemos TODOS que o MST é arrogante, mas isso é um bocadinho como os cães: ou têm pintas ou não têm. A gente pode não gostar, mas se têm, têm.
    Acho que no fundo isto é uma questão de opinião: eu Gosto do MST, de ler o que o MST escreve. Sim, acho que ele está desfasado da realidade em termos de web e afins. Nisso tens TODA a razão.
    Mas continuo a achar que todos temos a aprender sempre qualquer coisa com todos.
    E uma é que por muito que lavemos animal com lixívia, as manchas não saem.

  7. ''… pago para o ler é mal empregue''- não se diz ''empregue'' neste contexto mas sim ''empregado'', ''mal empregado''.
    Também não é correcto (Nelito) dizer '' prefiro…que'', mas sim prefiro … a''- prefiro uma coisa a outra coisa.
    Não levem a mal, mas é obrigação dos mais velhos – eu -ensinar os mais novos ! Cumprimentos,
    Luísa Barbosa

  8. Ricardo,
    O cerne da questão não é o veiculo utilizado para informar, mas a qualidade/fiabilidade/verdade/honestidade com que essa informação é tratada e divulgada. E neste ponto deixemo-nos de conversa mas temos assistido a casos gritantes de falta de qualidade jornalística. E isto tão só porque a velocidade com que se 'agarra' uma notícia e se 'vomita' é que marca a diferença. Aparece um Sr a dizer que é representante da ONU e é vê-los (aos jornalistas) a fazerem-lhe vénias. É ligar a televisão e ver aquela malta com formação superior (uma vantagem em relação ao passado, convenhamos) a entrevistar de forma mediocre, a falar de forma mediocre… e tantos exemplos, tantos.
    Gosto do MST. Não de tudo o que diz, como é obvio. Gsto de si, Ricardo mas também não de tudo o que diz. Desta vez não gostei.
    Um abraço,
    Leonor

  9. uma coisa é certa o jornalismo português não está a atravessar uma boa fase, até a nível de talento, quizás graças à democratização da bela da cunha, pois é incrível a quantidade de profissionais que apodrecem de balofos na redacções, a quem falta discernimento na análise da actualidade, deixando-se enredar pelo facilitismo, pelo fait-divers, por poderes mais ou menos obscuros. Não há agilidade mental, bom senso. Os jornalistas estão a ir na lava de grunhice e de desespero que grassa nas redes sociais, compostas essas sim por um monte de gente bem recrutada e visível que cospe as mais perfeitas idiotices todos e todos os dias, atrás das quais os jornalistas vão atrás. Vivemos a ditadura do facebook até no jornalismo. Lá nisso o MST tem o seu quê de verdade.

  10. As opiniões que reproduzes do MST são realmente de alguém que parou no tempo ou vive a sonhar com um mundo que não existe. Mas, ele tem razão num aspecto:"A Internet produz uma informação basista. Chegámos ao ponto em que a notícia é o que a net diz. Os jornais foram atrás do amadorismo das notícias"
    MST vem da Grande Reportagem (da revista, programa televisivo e sentido literal do termo) e uma reportagem dessas tinha/tem sumo e dava-te dados e informação para reflectires e discutires. O jornalismo de hoje é imediatista, atira o título, põe um parágrafo de corpo notícia e siga. É mais importante dar a notícia primeiro que dar uma boa notícia. E com isto perdem-se informações que servem para contextualizar e ponderar sobre o que é dito.
    Para te picar: prefiro um artigo de opinião do MST que uma revista da Sábado. Com o MST penso e discuto (até comigo próprio). Com a Sábado, leio e pronto.

  11. Concordo que MST está errado quando diz que os jornais deveriam sair do online, na época em que estamos isso seria arruinar uma publicação. Agora não posso deixar de concordar com o MST quando diz que o jornalismo é básico e, vou mais longe, é pobre e sem conteúdo. Agora isso passa-se só online? Não! Posso dizer de fonte segura que muitos jornais, alguns muito conceituados, estão a vender conteúdo e quando digo isto não me refiro à publireportagem, nem sequer à oferta de um espaço de divulgação na parte editorial em troca de uma página de publicidade, refiro-me a entrevistas, reportagens a empresas em que toda uma equipa de reportagem de um jornal se desloca a uma empresa para fazer supostamente informação. Isso para mim não é informação, se uma empresa merece ser mencionada num jornal deverá ser por ter interesse público e não porque pagou para aparecer.
    A questão do jornalismo passa pelo seu financiamento, nenhuma publicação pode produzir conteúdos de qualidade sem recursos, as inserções publicitárias estão a baixar, vendem-se menos jornais e logo os preços das publicidades baixam porque têm menos alcance, agora não é com a venda de conteúdos que as publicações irão sobreviver, há que repensar o modelo de negócio da publicidade.
    A Internet abre um leque enorme de possibilidades publicitárias, que vão muito mais longe do que os tradicionais banners, além disso permite uma segmentação muito maior do que as publicações impressas, os jornais só tem de ser criativos e levar as marcas e as empresas a apostarem em novas ferramentas de comunicação.
    É necessário também que muitas publicações sejam mais rigorosas com os conteúdos que lançam online, especialmente verificarem as suas fontes.
    Os jornalistas hoje são ameaçados pelas pessoas em geral, a capacidade de fazer notícia hoje em dia está ao alcance de todos, particamente toda a gente tem uma camara no seu telemóvel capaz de gravar um evento que possa vir a ser notícia, isso não significa que os jornalistas achem que tudo é digno para aparecer numa publicação mesmo que seja online.
    As publicações têm de se ajustar, talvez existam demasiadas a falar do mesmo, publicações que proliferaram quando o consumo generalizado aumentou, agora há que definir o que realmente é importante estar em banca e online e fazê-lo com qualidade. A crise fomentou a reestruturação do país e a informação não é excepção terá que sofrer uma grande reestruturação, até porque os leitores são mais exigentes.
    Veja-se aqui o exemplo há uns anos era impensável alguém melindrar a opinião de MST.

  12. Nao posso com este homem, pelo simples facto de ele defender a caça, como actividade decente nos dias de hoje…é uma unica razao, mas so por aí dá para ver que é homem das cavernas, com a mania que é um génio.

  13. o MST é extremista e radical, tem posições de força em todas as suas medidas, pode ser um grande profissional da sua area, mas não lhe vejo caracter nenhum, pelo que vi de 2 entrevistas suas.

  14. Caro Ricardo,
    Se desse três euros apenas para ler as crónicas do MST no Expresso, então seria mal empregue. Felizmente que o jornal tem outro assuntos bem mais interessantes, e certamente concorda comigo. Tem jornalismo, que é uma coisa que o senhor de quem fala no post não faz desde o século passado – o Sinais de Fogo (não sei se esteve no ar tempo suficiente para que a maioria das pessoas ainda se recorde dele) foi uma prova cabal da sua inaptidão para fazer perguntas.
    E sim: é perigoso que MST seja das pessoas mais lidas do país. Um homem que opina sobre todos os quadrantes da sociedade – desde o futebol, passando pela economia até à política – com uma superficialidade primária na maioria das suas abordagens. E isso é perigoso. Trata-se talvez do comentador (a par de Marcelo) com mais impacto na opinião pública portuguesa

  15. Não costumo comentar e talvez este comentário seja um pouco off-topic, mas pela primeira vez este ano deparei-me com notícias falsas, com conteúdo e títulos adulterados, escarrapachadas online e com jornalistas que, mesmo exortados pelo provedor do leitor, insistem em incompreensíveis abordagens. E falo concretamente sobre as notícias veiculadas sobre o ensino superior, em particular pelo jornal Público. Mas, ainda hoje, venho no Ionline que "o ministro vai criar cursos bla bla bla", cursos que existem há anos, e quando digo anos são mesmo anos, informação que está acessível online a qualquer pessoa que não seja jornalista. Eu não gosto do MST, mas penso que tem razão quando diz que este jornalismo não é jornalismo. E a falta de conhecimento nesta área em concreto é gritante. E isto tira-me a vontade de ler jornais, sejam online ou em papel. Isso é que está em causa, a qualidade, a fiabilidade…

  16. Olá Fátima. Se eu fosse dos que não escutam recusar-me-ia a lê-lo. E não é o que faço. Leio-o, a ele, como a tantos outros. Agora, discordo quando falas da questão da idade. Tenho muito a aprender com muita gente, mais nova e mais velha. O MST sabe muita coisa sobre muitos assuntos, é verdade, é um homem extremamente culto e informado, já viveu muita coisa, mas como não sou das relações dele, não trabalhamos juntos, nem temos qualquer tipo de contacto, a única coisa que posso aprender com ele é lendo os textos dele, ouvindo as opiniões dele. E aí, confesso, não aprendo grande coisa. Não concordo nada com a questão de a idade ser um posto. Como escrevi, o MST está totalmente desactualizado em relação à realidade jornalística, provavelmente porque não entra numa redacção há muitos, muitos anos. Os jornais, hoje, fazem-se de forma totalmente diferente. Ser jornalista, hoje, nada tem a ver com o ser jornalista nos tempos do MST. Um jornalista tem uma diversidade de plataformas em que pensar, de abordagens, uma multiplicidade de tarefas, que não existiam há 10 anos. Tem de pensar no papel, no online, nas redes sociais, nos telemóveis, em todas as formas de chegar ao seu público. E, sobre isso, nada posso aprender com o MST, já que ele nada tem para me ensinar sobre isso. Ele, sim, teria tudo a aprender.
    Agradeço-te a forma como colocas numa geração bastante nova, dos que têm de olhar bem para cima para os jornalistas como MST. Mas olha que também não ando propriamente na profissão há meia dúzia de anos. Sou jornalista há 18 anos, tenho carteira profissional há 15. Já passei por todo o tipo de órgãos de informação, por todas as secções, já ocupei todos os cargos hierárquicos, de estagiário a director. Apesar de achar que tenho tudo a aprender (com mais novos, e com mais velhos), também já tenho umas coisas a ensinar. Ao MST, por exemplo, poderia explicar-lhe muito sobre os jornais de hoje. Duvido, sim, é que ele quisesse aprender. A sobranceria com que descreves a geração mais nova é muito mais típica dos tais dinossauros, que acham que nada têm a aprender com os mais novos. E olha que já conheci vários. Claro que o contrário também acontece, e muitas vezes, mas essa realidade existirá sempre, de parte a parte.

  17. Sim, ele vive claramente num mundo à parte. Isso vê-se nas suas opiniões sobre a classe trabalhadora, quer sejam médicos ou operários. Há tempos uma amiga da minha mãe, professora, enviou-lhe uma carta em que lhe disse isso mesmo, que a vida real está longe das festas e dos safaris, do glamour que ele descreve nos livros…. é bom que ele acorde e se ponha ON, senão qualquer dia já ninguém tem paciência para o ouvir!

    coisasquetaiseafins.blogspot.pt

  18. Agora é aquela parte em que alguns nunca o ouviram falar ao leram algo sobre e vem para aqui concordar contigo

    Vive desfazado do realidade ? sem duvida, sabe destinguir o certo do errado ? Sem duvida e isso muitas vezes influencia a vitoria ou derrota numas eleiçoes, ele sabe ler as açoes…e isso nem todos sabem

    Quanto a essa parte da Internet está errado sem duvida, os jornais cada vez tem que ser Online.

  19. Eu sei tudo muito antes, pela internet. Noticias que vejo na net, estão passados dois dias nas televisões. Neste momento, os canais de televisão estão reféns da internet, e vivem sob os comandos dela. É fácil ver-se vídeos do youtube e situações do facebook numa SIC por exemplo (o caso do meteorito na Rússia é um bom exemplo), já o contrário, é muito raro ou não existe.
    Aposto as minhas fichas todas, que no futuro, só existirão canais por stream, na internet, e que SIC, TVI e afins, apenas irão produzir conteúdos e vão sair do ar. E mesmo assim não sei, quanto aos conteúdos.Com a banalização do cinema e modos de filmar (que referi num comentário anterior), muitos dos conteúdos passam a ser produzidos directamente para a internet, por um pequeno grupo de pessoas. Basta ver o exemplo da "Porta dos Fundos" no youtube, bons conteúdos e boa qualidade técnica e de execução.
    Para mim, canais de TV tradicionais, a partir daqui, é só a descer. É um método antigo, do século passado.
    Abraço.

  20. Tirei o curso de Design de Comunicação, e num dos semestres estudámos paginação de jornais e revistas. A meio de uma aula,isto em 2004 (onde nem iPhone existia sequer), interrompo o professor e digo: "Os jornais e as revistas em papel vão ficar obsoletos. Quando sairmos da faculdade e estivermos no mercado de trabalho, daqui a 7 ou 10 anos, será tudo em formato digital, e as pessoas vão comprar e ler os jornais pelo computador ou outras plataformas, talvez até pelos telemóveis." Quando acabo a minha opinião, fica tudo em silêncio e começa tudo a rir, e a ironizar.
    E eu ri-me também, mas com um intervalo de alguns anos. 🙂
    Tens razão no que dizes. Fez-me lembrar uma discussão que há no cinema há algum tempo, sobre a "guerra" entre filmar em película ou em digital, e a revolução que as cameras DSLR fizeram há 3 anos quando apareceram no mercado, e democratizaram o conceito de "fazer cinema por todos".
    Abraço.

  21. Como compreendo a tua critica. Mas infelizmente é este tipo de senhores que fazem a opinião pública em Portugal, muito devido ao tempo de antena que os meios de comunicação lhes dá. Por muitas vezes já ouvi este senhor emitir opiniões sobre assuntos que não domina, que requerem conhecimentos técnicos especializados e fundamentados. Já chegou ao ponto de ouvir o senhor MTS a emitir opiniões sobre matérias como o Novo Aeroporto de Lisboa, ou mesmos politicas sectoriais de transportes, para as quais existem programas de investigação especializados no IST/MIT, onde o processo de selecção é bastante rigoroso e onde estão os melhores do mundo. Por aqui podemos ver que tipo de informação nos estão a transmitir!

  22. Como compreendo a tua critica. Não percebo o tempo de antena que este senhor possui no meios de comunicação. Por muitas vezes já ouvi este senhor emitir opiniões sobre assuntos que não domina e que em muitos casos requer um conhecimento técnico especializado. Lembro perfeitamente presenciar o MST a dar opiniões sobre o Novo Aeroporto de Lisboa ou outros temas que de elevada componente técnica. O mais grave é que estas pessoas fazem a opinião publica, que na maioria dos casos se encontra mal informada devido a este tipo de "senhores sabem tudo sobre tudo".Enfim!

  23. Ricardo, por muito que respeite – e respeito – a tua opinião (senão não te lia, eu que passo muito tempo de cu sentado e o resto do corpo online), acho que as crias devem, não deixando de criticar os anciãos, de os ESCUTAR.
    MST é um radical. Mas eu direi que é um SENHOR radical (radical aqui de agarrado a extremos, como entendes).
    E acho que tu, e os teus colegas da tua geração, têm tanto, mas TANTO a aprender com dinossauros como o MST, que a tua crónica é quase 'dispensável'.
    E vale a pena aprenderem para garantir uma maior qualidade dos jornais online que vão, inevitávelmente existir sempre.

  24. Meu caro arrumadinho, concordo e assino em baixo tudo o que escreveu acerca de MST.É preciso tê-los no sítio para ousar ter uma opinião destas sobre um indivíduo que parece quase ser intocável. Parabéns. Realmente, é pena que ele provávelmente não o leia…. Será que ele não vai mesmo à net? ou será como algumas pessoas que NUNCA….. veêm Telenovelas (que horror) mas depois sabem contar as histórias todas do enredo? E essa da abertura do telejornal com o tal pontapé, se fosse hoje, e muitas vezes é, deveria abrir, sei lá, digo eu, com meia dúzia de notícias sobre o Futebol Clube do Porto…. Eu que nem gosto de bola, tenha lá a cor que tiver, e como eu muiiitos portugueses!.Como lhe disse aqui há dias, cada vez gosto mais deste seu espaço. Continue.

  25. Concordo, Ricardo!
    Já deixei de o ler, de comprar e de oferecer livros dele!
    Há por aí muita gente melhor que ele e que merece muito mais!!

  26. Há um mundo de diferenças entre as posições defendidas entre o RPM e o MST. Talvez por ambos terem uma ligação ao jornalismo – uma mais actual outra menos – conferem essa bagagem argumentativa (esteja onde a razão esteja).

    Não concordo em absoluto com o MST. Mas o que acho, na minha opinião, é que há certas notícias que online parecem não tão cuidadas. O que me parece também claro – e por razões económicas facilmente compreensivas – é que online a grande parte das notícias são resumos do que está no formato papel.

    Agora, que o MST queria um jornalismo de referência todos queremos. Como o RMP também quer. Mas é preciso, e aí concordo com o RMP, ter cuidado com essa "referência". Não podemos confundir interesse público com o interesse do público. Mas a linha que as separa tem de ser manuseada com pinças, caso contrário caímos nessa questão elitista, nessa questão de pseudo jornalismo e criamos jornais (palavra ampla) classistas.

    Se me permite, o que falta em Portugal, ao invés de outros países, são jornais claramente políticos ou com orientação política clara. Claro que temos o Avante. Mas falta mais. Nos EUA, em Inglaterra, na Alemanha, já jornais com orientação. E eu não vejo isso como problema.

  27. MST tem opiniões muito extremistas sobre vários assuntos (nomeadamente futebol), no entanto é uma pessoa bastante inteligente. E deveria saber usar essa inteligencia para se atualizar, coisa que parece que não quer fazer.

    Mas eu não o leio há algum tempo porque perdi a paciência para as suas opiniões estrambólicas.

  28. Bem, Ricardo, se assim o é, lamento que o MST pense assim. Mas felizmente, ou infelizmente, é a pessoa que melhor sabe transmitir as suas opiniões. Como dizes, e bem: "admiro a forma firme como ele defende as suas opiniões, muitas vezes sustentadas em adaptações convenientes dos factos."

    Mas tudo bem. Ele vive num mundo muito seu. Pena é que lhe paguem tanto para ele viver no seu mundo. 🙂

  29. Wow! Tirou-me todas as palavrinhas da boca! E é preciso ter peito para o fazer…se bem que, estando este texto online, o Sousa Tavares não se permitirá achar nada. 😉
    Beijinhos, e parabéns pelo desabafo.

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