O 25 de Abril não nos ensinou o que é a Liberdade

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Liberdade. Esta é das palavras mais bonitas e emocionais que existem, que mais representam aquilo que é verdadeiramente importante para qualquer pessoa.

O 25 de abril sempre foi uma data especial para mim. Fui educado numa família de esquerda, fui simpatizante do PCP até aos meus 22 anos, desfilei dezenas de vezes pela Avenida da Liberdade de cravo ao peito, e, mesmo depois de me ter desiludido com o partido, com a esquerda em geral, e com muitas pessoas, continuo a sentir a Liberdade como um valor supremo, acima de todos os outros. Quando me perguntam de que partido sou, ou qual a minha ideologia política, costumo dizer, e acredito mesmo nisso, que sou um homem com coração à esquerda e razão à direita.

Muito mais do que para lembrar o que foi a revolução, o 25 de abril, hoje, deveria ser a oportunidade de muitas pessoas refletirem sobre o que é a Liberdade e o que é ser livre, porque, diariamente, percebo que há uma grande confusão na cabeça de muita gente. Quem lê sites, blogues, quem anda nas redes sociais, sente isso a cada minuto, em cada caixa de comentários, em qualquer perfil de uma figura conhecida. Muita gente, hoje, acha que ser livre é poder dizer o que lhe apetece, quando lhe apetece, nem que isso seja insultar alguém, ofender, humilhar, espezinhar, porque entende que ser livre é isso, é poder fazer tudo. Muita gente acha que o facto de ter liberdade significa que está acima dos outros, acima da lei, acima de valores como a educação, o respeito, a cordialidade, a honestidade intelectual, a igualdade ou a fraternidade. Todos os dias, constato que há pessoas que precisam que alguém lhes explique o que é, afinal, a Liberdade, e como é que se age numa sociedade livre, respeitando os outros, tratando toda a gente por igual, não impondo as nossas ideias pela violência verbal, não insultando, não procurando ofender quem pensa de maneira diferente, mas, sim, acrescentando a nossa opinião, apresentando os nossos argumentos, de forma civilizada.

A frase “25 de abril Sempre” deveria ser levada à letra. Todos os dias deveriam ser 25 de abril, todos os dias deveríamos lembrar-nos de que ser livre é, acima de tudo, ter liberdade de pensar e dizer o que achamos, mas também é respeitar o que os outros pensam e dizem. Mas muitos dos que andam de cravo ao peito e punho no ar a 25 de abril são os mesmos que, horas depois, desrespeitam os que pensam diferente e demonstram que, afinal, o conceito de Liberdade confunde-se, na cabeça deles, com o de anarquia.

O 25 de abril continua hoje, a 26, e amanhã, a 27, e deveria viver sempre dentro de nós.

25 de abril, sempre.

2 Comentários

  1. Boa tarde,

    Não tem nada a ver com o assunto, mas onde anda o Manolo? Tentei enviar um email mas não consegui. Estou só curiosa…nem no seu blog, nem no da Pipoca aparece o Manolo.
    Obrigada

  2. Subscrevo cada palavra. As pessoas tendem a utilizar a “liberdade” e a “oportunidade” para agirem de acordo com os seus valores e o seu carácter. Lá está: “Se queres conhecer verdadeiramente o carácter de um homem, dá-lhe poder e observa o que faz com esse poder.”
    É por isso que não sou de direita nem de esquerda. Para mim a ideologia pouco importa, o que conta é o carácter, intenções e actos dos homens e mulheres que têm mais poder. E a capacidade e vontade de cada um de nós para usar o cérebro e o raciocínio para agir da melhor forma. Se usássemos mais de alguma racionalidade, não veríamos e leríamos as coisas infelizes que proliferam pelas redes sociais. E isso, é um poder que nem da liberdade depende.

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