O dia em conheci um dos meus ídolos

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O bairro cheirava a arte por todo o lado, com murais pintados com histórias, gravuras que protestavam ou passavam mensagens políticas, mas a grande obra, essa, estava lá ao fundo, um sítio que poucos dias antes exibia apenas um muro branco. Aquele pedaço de arte tinha tanto de imponente como de surpreendente, até porque tinha nascido de um dia para o outro, literalmente de um dia para o outro, porque nem sequer o guia turístico que nos liderava por aquelas ruas pouco conhecidas de Banguecoque a conhecia. “Isto não estava aqui”, disse-nos ele. “Isto é um Vhils”, expliquei-lhe eu. “Um Vhils”.

Em junho fui pela primeira vez à Tailândia. Era um daqueles países que estavam na lista obrigatória de visita, mas que andavam a ser chutados de ano para ano, não porque não fosse importante, mas, pelo contrário, porque era uma certeza. Eu sabia que iria lá, da mesma forma que sei que um dia irei a Tóquio, a Buenos Aires ou ao Peru, só que, por saber isso, vou dando prioridade a sítios mais surpreendentes, a oportunidades que vão surgindo e que não quero desaproveitar.

Em Banguecoque, quis ir conhecer os sítios obrigatórios, mas quis também andar por lugares menos turísticos, menos conhecidos, que acabam muitas vezes por nos trazer as maiores surpresas das viagens. Contratei um guia especialista em percursos pedestres, que me foi a guiar pelas ruas menos conhecidas e a contar histórias. Histórias de prédios, de pessoas, histórias sobre os reis, os príncipes e os políticos. Pelo meio, quis fazer-me uma surpresa e mostrar-me a embaixada de Portugal, que para ele era apenas uma embaixada, sem nada para contar, mas que tinha uma vantagem: ficava ao fundo do bairro dos artistas, o tal onde as paredes pintadas são mais do que as paredes em branco, o bairro onde cheira a tinta de spray e se vê arte sem pagar e sem horários de museu. A embaixada estava ali, à nossa frente, com a parede branca raspada pelo Vhils. “Por quem?”. E eu expliquei-lhe, com os pormenores que consegui, e orgulho nosso, quem era o Alexandre Farto, conhecido por Vhils, a importância que tinha na street art mundial, comparei-o ao Banksy, e terminei com aquela frase que nos enche por dentro: “Sim, ele é português”.

É este o mural do Vhils que podem ver em Banguecoque, à entrada da Embaixada de Portugal
É este o mural do Vhils que podem ver em Banguecoque, à entrada da Embaixada de Portugal

A admiração pelo Vhils vem de há muitos anos. É um dos artistas mundiais que mais admiro, com obras que me deixam absolutamente deslumbrado, não só pela imponência, mas sobretudo pela originalidade, pela linguagem única que encontrou, e que acrescenta ao mundo da street art.

Foi por isso com o coração cheio que na sexta-feira passada fui até ao Barreiro para o conhecer pessoalmente, e para conhecer o ateliê onde muitas das suas ideias nascem e ganham forma.

É aqui que muitas das obras do Vhils ganham forma
É aqui que muitas das obras do Vhils ganham forma

O convite foi da SEAT, que desde o ano passado apoia o artista português, e que pediu ao Vhils para se inspirar no novo SEAT Arona para criar uma nova obra original, que ficará pronta “entre janeiro e fevereiro de 2018”, como o próprio me explicou, e que estará exposta num novo museu em Cascais.

Nos minutos em que estivemos à conversa, o Alexandre contou-me um pouco melhor o que vai ser o novo museu de arte urbana de Cascais, que será inaugurado em maio, e que o terá como curador. “A ideia é misturarmos obras de novos artistas, artistas emergentes, com muita qualidade, mas ainda pouco conhecidos, com outras obras de gente mais consagrada”. Quem fará a escolha dessas obras e dos artistas que irão expor é o próprio Vhils. A SEAT é, desde o ano passado, uma das principais apoiantes do artista português. “As pessoas não se podem esquecer que muitas das minhas obras são ofertas às cidades, e ainda bem que existem estas parcerias como esta com a SEAT que permitem aos artistas continuarem a fazer o que sabem e o que gostam”, explicou o Vhils.

Este escrito na parede do armazém do Vhils parece que foi feito a pensar em eu ia lá
Este escrito na parede do armazém do Vhils parece que foi feito a pensar em eu ia lá

Esta união do artista com a marca automóvel vai ganhar forma com a tal obra que “está em desenvolvimento” e ficará finalizada daqui a dois ou três meses. Será inspirada no novo SEAT Arona, que foi apresentado neste evento, e que anda pelas nossas estradas desde início de novembro.

O carro é o novo SUV da marca, um crossover mais pequeno que tanto pode ser visto como um carro citadino como um veículo para aventuras de fim de semana. Tive a oportunidade de me sentar ao volante e fiquei impressionado com a qualidade tecnológica do carro. Está todo orientado para as novas necessidades digitais, com um ecrã tátil de oito polegadas, câmaras traseiras de grande qualidade, um sistema de som Beats, o sistema Apple Car Play, que permite conectar os nossos devices Apple ao carro (também há a versão Android Auto), enfim, todo um mundo novo. Ainda perdi ali muitos minutos a brincar com aquela tecnologia toda. Uma pessoa até se esquece que aquilo é um carro, não é um gadget.

Fiquei fascinado com o interior do Arona, com um painel digital brutal que nos permite fazer quase tudo
Fiquei fascinado com o interior do Arona, com um painel digital brutal que nos permite fazer quase tudo
O novo SEAT Arona serviu de inspiração para que o Vhils criasse a sua nova obra, que estará pronta em janeiro
O novo SEAT Arona serviu de inspiração para que o Vhils criasse a sua nova obra, que estará pronta em janeiro

De resto, o carro é lindo, a bagageira enorme, os assentos super confortáveis, já vem com as barras no tejadilho para se poderem aplicar suportes para bicicletas (e que lhe dão aquele ar de crossover, todo o terreno), e existe a possibilidade de se personalizar quase tudo, em particular as cores que queremos (há 68 combinações possíveis). O novo Arona vai ter motores a gasolina e gasóleo, ambos bastante económicos. Fiquei fã do carro, porque do Vhils já era.

Texto escrito em parceria com a SEAT

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