O Faísca McQueen agora sou eu, somos nós, os pais

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Jackson Storm é o rival que vai fazer o Faísca perceber que não se é novo para sempre

Não sou muito preocupado com esta coisa do passar dos anos, da chegada dos 40, do sentir no corpo ou na cara que já não sou um miúdo. Invariavelmente, a idade é um assunto na minha vida — normalmente porque muita gente se admira de eu já ter 41 anos, o que é bom sinal — mas continuo a sentir-me mais jovem e capaz do que quando tinha 20 anos, por isso não estou preocupado ou apreensivo.

Um dos filmes da minha vida é o “Toy Story 3”, da Disney Pixar. Toda a trilogia é brilhante, mas o terceiro filme consegue uma coisa que os outros não conseguem, que é fazer-nos sentir uma parte da história. Quando vi o primeiro filme tinha 19 ou 20 anos, estava a começar a minha vida profissional, andava na faculdade, era um miúdo carregado de ideias e entusiasmo por tudo o tinha pela frente. O terceiro filme, apanhou-me à entrada dos 40, com a mesma energia de quando era puto, mas já consciente de que não era um miúdo, de que essa fase já passou, essa inocência desapareceu, um pouco como o Andy, que, no final, decide entregar os seus amigos, os brinquedos, a uma menina de 4 ou 5 anos, que está a começar a viver o que ele viveu. Essa cena final é absolutamente genial, deixa-me sempre à beira das lágrimas, também porque a sinto quase como que um fechar de ciclo quer da trilogia, quer da tal criancice inocente que há em todos nós.

Por ser um apaixonado por estes filmes, desde sempre quis passar este entusiasmo aos meus filhos. O Henrique, o mais velho, foi durante muitos anos um fã do “Toy Story”. Tinha os bonecos todos, via os filmes em repeat e já sabia muitas falas das personagens. Uns anos depois, passei-lhe o vício do “Carros”. A história do pequeno Faísca McQeen é uma inspiração, uma lição de persistência, e não há forma mais eficaz de ensinar as crianças do que contando-lhes histórias, mostrando-lhe histórias. É também por isso que eu continuo a gostar muito de os levar ao cinema, primeiro porque sei que eles gostam, depois porque eu também gosto, mas sobretudo porque sei que no meio destas histórias há sempre exemplos bons, uma moral saudável que eu posso usar em outras histórias que lhes vou contando.

Este sábado tive a oportunidade de assistir à antestreia do “Carros 3”, e levei os miúdos. Eles ficaram malucos com o lado vibrante do filme, a rivalidade entre o McQeen e o Storm, a forma como o Faísca e a Cruz se relacionam, as corridas, a emoção. Eu fiquei agarrado ao outro lado da história, bonito, genialmente escrito, que é a forma como o envelhecimento é tratado no filme. O Faísca, que era um carro jovem e sonhador no primeiro filme, tal como eu era quando vi o “Toy Story” pela primeira vez, é agora um carro que já não tem o que alguns jovens têm, mas que aprende que a vida é muito mais do que uma competição sem freios, é um carro consciente e inteligente, que percebe a importância de aprender com quem tem ainda mais vida e experiência (o velhinho treinador do seu mestre, Doc Hudson). Para os miúdos este é um filme de ação e aventura, para os pais este será um filme sobre como encarar o passar dos anos. “Carros 3” é o filme em que são os pais que se sentem o Faísca McQueen, que se revêm na forma como ele sente a passagem dos anos, e é também isso que torna este filme delicioso.

Depois do argumento genial de “Divertida… mente”, para mim o filme de animação mais bem escrito de sempre, este “Carros 3” só vem provar do que muito mais do que fazerem bonecos fixes, os senhores da Disney Pixar sabem tudo sobre como contar histórias. Para miúdos e para adultos.

Post escrito em parceria com a Disney

2 Comentários

  1. Tenho muita pena que os textos que escreve sejam só em parceria com determinada marca.
    Retira qualquer credibilidade ao blog porque se nota que só escreve porque é pago.
    Longe vai os tempos do velho arrumadinho.

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