O que é isto de ser um velho de 40 anos

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Já esperava que a transição dos 39 para os 40 anos fosse a oportunidade para todo o tipo de piadas e considerações sobre a minha entrada na velhice. Estava preparado para isso, e sabia que a brincadeira continuaria durante muito tempo. Confirmou-se tudo. Em maio chego aos 41 e há dez meses que ouço as tais graçolas sobre a minha idade.

O que é que isto tudo me ensinou? Que a idade, o preconceito, o peso do número 40, estão muito mais na cabeça dos outros do que dentro de mim. O ter 40 anos incomoda mais as outras pessoas, faz mais impressão a outras pessoas, do que a mim. A sociedade olha para os quarentões de uma forma muito mais depreciativa do que muitos dos próprios quarentões. Falando por mim, sinto-me hoje, com quase 41, muito mais jovem, dinâmico, criativo, saudável do que quando tinha 25. Não acho que tenha perdido nada do que tinha há 15 anos, e garantidamente ganhei muito mais coisas. Sei que sou hoje um homem muito mais interessante, atento, focado, completo, do que era quando todos olhavam para mim como um puto. Só que parece que há pessoas que não gostam de sentir o otimismo dos outros e minam-no com aquelas piadas venenosas ou considerações meio patetas sobre o facto de termos atingido os 40 anos (e há brincadeiras, claro, mas também há muita parvoíce).

Sinto muito mais isto agora do que há uns meses. “Com 40 anos já não é tão fácil”. “Olha que já tens 40 anos”. “O problema é que já tens 40 anos”. “Já pensaste que daqui a 20 anos tens 60?”. “Se quiseres ter outro filho já vais ser um pai velho”. “Com 40 anos já tens de olhar para as coisas de forma diferente”. Já ouvi tudo isto várias vezes. E o que é que eu tenho a dizer? Várias coisas, tais como:

  1. Com 40 anos é quase tudo mais fácil;

2. Bem sei que tenho 40 anos, e estou muito feliz com isso;

3. Ter 40 anos só é um problema na cabeça dos outros, para mim não é;

4. Verdade, daqui a 20 anos já vou fazer 61, e tenho a certeza de que serei um sexagenário muito ativo, dinâmico, cheio de energia e que continuará a correr maratonas;

5. Se tiver um filho com 42 ou 43 vou ser tão interessado, atento, paciente e dedicado como quando tinha 37, mas vou ter muito mais disponibilidade do que quando tinha 30, por exemplo. Também gosto de pensar que quando as pessoas dizem que um pai de 50 anos é um pai velho esquecem-se de que o Brad Pitt ou o Tom Cruise já têm 51, e não parecem propriamente velhotes acabados — e não, não me estou a comparar com eles, estou só a dar o exemplo de dois homens que já passaram os 50 e podem perfeitamente ser pais neste momento, que vão ter tudo menos um ar acabado.

6. Claro que com 40 anos olho para as coisas de forma diferente, mas aqui o diferente significa de forma muito mais adulta, tranquila, exigente.

Quando tinha 18 anos e pensava num homem de 40, de facto, achava que era um senhor já com uma certa idade. Ajudava o facto de, no início dos anos 90, os homens de 40 anos vestirem-se quase todos de forma muito mais formal, clássica, e terem também uma postura muito mais conservadora. Pelo menos era essa a perceção que eu tinha. Hoje, um homem de 40 anos anda de calças de ganga rotas, ténis, joga à bola com os amigos, PlayStation, vai para os copos com os amigos, está em todas as redes sociais, vive a vida da mesma forma que um homem de 25. É muito mais provável que tenha filhos, certo, uma mulher, certo, compromissos profissionais, tudo muito bem, mas também a vida hoje é muito mais do que o casa-trabalho-casa e as rotinas de sempre, muito como era nos anos 80 e 90 em pessoas com 40 anos. A minha avó, por exemplo, foi avó aos 39 anos. A minha mãe, com 40 anos, já tinha dois filhos na universidade, ou seja, eram outras vidas, outras dinâmicas.

Quando se diz que os 40 de hoje são os 30 de há 10 anos não é mesmo mentira, ou eu pelo menos quero muito acreditar que isso é verdade. Uma coisa é certa: as coisas são verdade se as sentirmos como verdade. E eu, quarentão orgulhoso, ainda poupado a rugas graves e cabelos brancos, sinto-me verdadeiramente com 30, ou com 40, que vai dar ao mesmo.

6 Comentários

  1. Como diz o meu sábio Pai o importante é ir fazendo anos. Já vai fazer 78 em Abril e a cabeça dele está melhor que a minha… Oxalá possa ir envelhecendo e celebrar cada ano. A mim o que mais confusão me faz são pessoas de 20 anos com espírito de 60… Não trocaria os meus 40 anos pelos meus 20, mas admito que o número 40 ao início me fez uma certa confusão. Aos 40 sinto-me mais segura, confiante, tranquila e sexy que nunca. A minha irmã foi mãe co 39 e 41 e o marido com 45 e 48, ele já com duas filhas crescidas.

  2. “Hoje, um homem de 40 anos anda de calças de ganga rotas, ténis, joga à bola com os amigos, PlayStation, vai para os copos com os amigos, está em todas as redes sociais, vive a vida da mesma forma que um homem de 25.” Pois, exato. Já não há homens de jeito, nem aos 25 nem aos 40 (suspiro…).

    • Exatamente; cada um vive a sua vida como bem quer e entende, mas eu, pessoalmente, não quero um homem de 40 que se comporte como um miúdo de 25 (ou de 15, a descrição é a mesma). Confesso que esta cena Peter Pan me incomoda bastante; tenho 37, não me sinto velha, mas já não sou a mesma pessoa que era aos 27 (e ainda bem…), por isso quero um homem-homem que honre a idade que tem, em vez de se agarrar aos tempos áureos da adolescência. Com esta sede toda de juventude, em que ou se é novo ou se é velho, parece que já não sabemos ser adultos.

  3. O meu marido já tinha 50 anos quando foi pai (temos 12 anos de diferença). Se é fácil? Bom… não, não é. O cansaço já pesa. Correr já custa e pegar ao colo quando já tem mais de 30 kilos custa, mas à parte da parte fisica é um pai fantástico.

  4. Sem dúvida, é mesmo isso. Entrarei este ano nos 40 e de facto sinto que todas as pessoas à minha volta estão bem mais preocupadas com isso do que eu. Quem não me conhece a história, teima em dar-me 30; tenho sorte, em manter uma certa jovialidade e um ar gaiato, mas já vivi muito e apesar dos desaires da vida sinto-me bem mais segura agora.

    Se daqui a 20 anos fizer 60, é bom sinal, sinal que cá continuo a tentar viver o melhor possível.

    Bela partilha,
    BE

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