O que eu recebi no Natal em que pedi para não me oferecerem nada

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O meu novo brinquedo que na verdade é muito mais um colega de trabalho

Nos últimos anos, muito por causa da crise que se vivia no País, e também para reduzir a quantidade disparatada de presentes que andávamos a oferecer uns aos outros no Natal, a minha família decidiu aderir ao amigo secreto. Um mês antes do Natal, reuníamo-nos todos num jantar, sorteávamos um amigo para cada um, e decretávamos um valor máximo para o presente — normalmente ficava ali pelos 50 euros. Assim, toda a gente sabia qual o máximo que iria gastar e receberia um presente que gostaria mesmo de receber e não dez presentes sem grande utilidade e que não eram propriamente uma prioridade na vida.

Este ano já não houve amigo secreto, mas fui ainda mais radical: decidi que não queria nada, não pedi nada e a toda a gente disse que não queria mesmo receber nada. Não há nada que me faça efetivamente falta, nada que sinta que é fundamental na minha vida, e se há coisa que eu preciso urgentemente é de destralhar, de me livrar de muita coisa que me enche os armários e não me faz falta nenhuma, por isso, tudo o que possa vir será quase sempre acessório e não fundamental.

Há algumas coisas que podem acrescentar algo à minha vida, e em que quero investir, mas não são propriamente coisas que se peçam no Natal, por isso, são coisas que quero ir oferecendo a mim próprio ao longo do ano. Por isso, a minha lista de recebidos no Natal começa com um presente que ofereci a mim mesmo: um Surface Pro.

1. Surface Pro

O meu novo brinquedo que na verdade é mais um colega de trabalho
O meu novo brinquedo que na verdade é mais um colega de trabalho

Na verdade, este primeiro presente está ligado a um segundo que recebi: um cartão presente da FNAC de 100 euros. Quem me conhece sabe que a FNAC é a minha segunda casa, é a loja de Lisboa onde mais vezes vou, onde mais dinheiro gasto, por isso, se alguém não sabe o que me oferecer, simples, um cartão presente FNAC e todo eu sou sorrisos. Foi isso que a minha mãe fez. Agarrei no cartão e não foi difícil escolher o que queria comprar.

Andava de olho no Surface Pro desde que ele saiu, sobretudo porque estou numa fase da vida em que tanto trabalho oito horas num escritório, como tenho de andar de café em café, de reunião em reunião, umas vezes em Lisboa, outras em Oeiras, outras em Sintra, outras em Algés e por aí adiante. O meu computador portátil é grande pesado e prejudica-me muito na mobilidade de que preciso. E o Surface parecia dar-me isso. Lá falei com o técnico da FNAC sobre o computador, e fiquei a perceber que era mesmo aquilo que eu precisava: um computador rápido, eficiente, que passa, em dois segundos, de portátil a tablet, que tanto me serve para editar um vídeo como ver um episódio da Netflix, escrever um post (o teclado é excelente, ao contrário da maioria destes portáteis que existem no mercado) ler um livro, editar um texto, tirar notas, usar a smart pen (estou fã) para escrever à mão por cima de textos do Word ou páginas da net (a minha funcionalidade preferida), enfim, é um computador a sério que pesa o mesmo que um tablet e que me cabe em qualquer mala ou mochila, por mais pequenas que sejam. Tive de comprar o teclado (que funciona como capa) à parte, tal como a pen, porque não vêm de raiz com o Surface.

No dia de Natal, fascinado com o meu brinquedo, mostrei ao Mateus como conseguia desenhar um T-Rex para ele pintar. Ele ficou fascinado, nem queria acreditar naquilo. Problema: ao fim de 5 minutos já tinha perdido o poder sobre o meu Surface. Tive de lhe dizer que iria ficar com os presentes todos deles, em troca do meu, para que ele o largasse.

2. Bilhete para o concerto dos Metallica

Desde os meus 16 anos que sou fã dos Metallica (e dia 1 de fevereiro lá estarei para os ver na Altice Arena)
Desde os meus 16 anos que sou fã dos Metallica (e dia 1 de fevereiro lá estarei para os ver na Altice Arena)

Os Metallica são uma das minhas bandas preferidas. Em Março, quando anunciaram que eles vinham tocar a Lisboa em fevereiro de 2018, pensei logo: o melhor é comprar o bilhete nas próximas semanas senão isto ainda esgota. É, não demorou umas semanas, demorou uns minutos. Nesse mesmo dia o concerto esgotou e eu fiquei apeado. Quase todas as semanas passava na bilheteira da FNAC do Chiado a saber se, porventura, iriam ter mais bilhetes à venda, mas levava sempre negas. Ao que parece, ainda vai haver mais uns quantos ingressos extra, mas já não tinha fé alguma em que conseguisse arranjar um. Ainda tentei um pedido misericordioso no Facebook, mas sem grande esperança, até porque, verdade seja dita, quem é que no seu perfeito juízo tem um bilhete para ir ver os Metallica e vai vendê-lo? Não faz sentido. Mas, pelos vistos, para uma pessoa fez. A minha mulher encontrou não sei bem onde uma menina que tinha um bilhete a mais (por razões tristes) e ofereceu-mo no Natal. É fácil deixar um homem eufórico com um pedaço de papel.

3. Drone Parrot Swing

Quero começar por praticar com este Parrot pequenino para depois não correr riscos quando comprar um drone mais a sério
Quero começar por praticar com este Parrot pequenino para depois não correr riscos quando comprar um drone mais a sério

Outro dos presentes que me irei oferecer este ano é um drone a sério, daqueles maiores, com estabilizador, função “follow me”, gravação em 4K, essas coisas todas. Mas antes, para treinar, precisava de um mais pequeno, que me permitisse sentir-me mais confortável antes de ter nas mãos um brinquedo caro que convém não escavacar ao fim de dois voos. Por isso, a minha mulher lá disse à minha tia para me oferecer um drone Parrot Swing, que custa menos de 60 euros, mas já dá para fazer umas brincadeiras interessantes. Ainda não consegui ir experimentar o meu, mas não passa desta semana.

4. PES 2018

Isto é sempre um presente que me deixa com mixed feelings: por um lado adoro, por outro preocupa-me que me possa afetar a produtividade e o sono
Isto é sempre um presente que me deixa com mixed feelings: por um lado adoro, por outro preocupa-me que me possa afetar a produtividade e o sono

O ano de 2017 foi muito, muito pobre de PlayStation, essencialmente por duas razões: primeiro, porque tinha a PS4 na NiT e a PS3 em casa, e no trabalho nunca tinha tempo para jogar, e em casa a PlayStation estava tomada pelos putos; depois, porque só tinha o PES 2016, já desatualizado, e não estava propriamente motivado para fazer campeonatos com equipas cheias de jogadores em clubes antigos. No entanto, no último mês trouxe a PS4 para casa e, um dia, decidi voltar a jogar um PES, só para perceber se ainda tinha jeito. Um jogo, mais um, depois outro, um torneio, um campeonato, e pronto, comecei uma Liga Master. Foi o fim. O vício voltou. Vendo-me agarrado à coisa, e constantemente a queixar-me pelo facto de as equipas estarem desatualizadas, a minha mulher recomendou à minha avó que me desse o novo, o PES 2018. Ela ofereceu-me a Edição Lendária. Ontem já o instalei e comecei só a fazer uns jogos-treino para aquecer.

5. Blusão de cabedal da Mango

A ver se é desta que deixo de ouvir coisas simpáticas da minha mulher tais como "pareces um sem abrigo"
A ver se é desta que deixo de ouvir coisas simpáticas da minha mulher tais como “pareces um sem abrigo”

A minha mulher tem qualquer coisa contra a minha roupa. A roupa em geral, algumas peças em particular. Implica, particularmente, com um casaco camel da Zara que tem uns 10 anos, e já está meio roto nas mangas e nas golas. E eu adoro-o. “Pareces um sem abrigo” é a coisa mais simpática que ela me diz quando o visto, como se o roto, hoje, não fosse a coisa mais normal do mundo. Mas pronto, para ver me convence a deitá-lo fora, lá me ofereceu um novo, da Mango. É muito giro, mas já tenho uma ligação sentimental com o outro.

Texto escrito em parceria com a FNAC.

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