Os natais de antigamente não eram melhores, nós é que crescemos

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O Natal é a altura do ano em que estamos mais sentimentalistas, com as emoções e as recordações mais vivas em nós, em que quase tudo o que vemos nos faz lembrar uma pessoa, um momento, um tempo das nossas vidas. Há sensações misturadas, amargas e doces, há saudades do que um dia tivemos, que muitas vezes não é bem saudade, é uma sensação de conforto interior de uma determinada altura em que tudo parecia mais fácil, mais feliz, em que os problemas pareciam não existir.

Penso muitas vezes nessas coisas, e também eu me sinto mais sensível quando chegam as canções de Natal aos shoppings e as iluminações que deixam mais bonitas as ruas de Lisboa. Penso nos tais anos antigos, com a família junta e unida, a ansiedade das noites de 24, os intermináveis almoços de 25, o vai-e-vem entre casas de avós, pais, tios, para comer mais uma fatia dourada e abrir mais um presente, tempos bons, ou pelo menos que vivem confortáveis dentro de mim.

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Hoje sou adulto, na altura não era, dei muitas voltas à minha vida, tive de crescer, de passar por demasiadas coisas, e tudo isso, essa experiência, foi-me transformando num ser crescido daqueles que já não centram o Natal na alegria inocente dos doces de Natal e dos presentes debaixo da árvore. Hoje sou, antes, o pai que está à mesa a ver os filhos a viver a alegria que eu sentia quando estava na pele dele, estou do lado dos grandes e não dos pequeninos, embora conserve intactas as memórias boas dos meus tempos de criança. E a conclusão a que chego é que por muito que mudem os tempos e as vidas, o Natal é e será sempre o tempo das crianças, porque para elas quando chega o Natal não há cá problemas na vida, nem chatices, nem zangas, nem crises, nem depressões, só há Natal. E não há nada que nos faça melhor à vida do que ver a alegria inocente dos nossos filhos na altura do Natal. São essas experiências que lhes podemos proporcionar agora que eles irão recordar daqui a muitos anos. Por isso, e por mais tristes que nos possamos sentir, por mais que achemos que antigamente é que as coisas eram boas, está nas nossas mãos plantar nos nossos filhos, enquanto são crianças, as memórias boas que, daqui a muitos anos, eles terão dos natais de quando eram pequeninos. E é isso que eu quero fazer.

Há dias, quando passava no Amoreiras Shopping Center com o Mateus, ele puxou-me pela mão para ir ver o presépio. É já um clássico de Lisboa, diria até que é mesmo o presépio mais bonito da cidade, e em todos os natais me recordo de o ver ali, sempre imponente a subir a escadaria do centro comercial. Lá esteve imenso tempo a ver cada figura, sobretudo as que se mexem, e a fazer perguntas. Enquanto lhe ia explicando tudo, lembrava-me de quanto o meu avô gostava de fazer o presépio ali perto da árvore de Natal, de todo o processo que aquilo implicava, e da dedicação que ele punha na montagem das figuras. Ia buscar musgo real, palha real, areia real, construía coisas, e depois usava sempre as mesmas figuras, que provavelmente trouxe de Moçambique (digo isto porque já perdi a conta às coisas que os meus avós usavam no dia a dia e que já tinham trazido de Moçambique, em 1977). Desde que o meu avô morreu, nunca mais houve presépio como aquele, mas também nunca mais houve natais como aqueles.

A excitação do Mateus nesta altura é diária, e não se conseguem passar duas horas sem que ele fale no Natal, pergunte quantos dias faltam para o Natal ou mencione algo que quer de presente no Natal. Naquele dia, depois de vermos o presépio, quis ir mostrar-me o patrulheiro aéreo, que é aquilo que diz que mais quer receber. Mas se há coisa difícil de fazer com ele no Amoreiras é ir do ponto A ao ponto B sem ele querer parar 20 vezes em tudo e mais alguma coisa.

Ao pé dos cinemas:
— Olha, o Coco! Vamos ver outra vez!

Ao pé da Imaginarium:
— Olha, é aqui que há os talkie-talkies (ele ainda não sabe dizer walkie talkies). Eu quero!

Ao pé da SportZone:
— Posso ir andar nos skates?

Em frente à Knot:
— Vamos andar no carrocel?

A ver o McDonald’s:
— Posso comer um menu dos bonecos (é o happy meal)?

Quando avista a Hussel:
— Gomaaaaaas!

Isto já é assim no dia a dia, agora imaginem na altura do Natal, com o centro todo decorado, luzes e árvores por todo o lado, o miúdo parece que anda ali num mundo mágico tipo feira de diversões.

Antes do Black Friday, consegui fazer a lista quase completa dos presentes que ele foi mencionando, por isso, aproveitei os descontos de sexta-feira para despachar grande parte das compras. Aproveitei para, mentalmente, ir fazendo a lista de presentes que gostava de comprar para mim (sim, porque eu não peço presentes a ninguém, prefiro mesmo deixar esse dia para as crianças). E ainda consegui juntar uns quantos desejos, desde coisas mais pequeninas até àqueles sonhos mais distantes, mas que, se a vida me correr bem, quem sabe não se podem concretizar. Vou dizer só algumas coisas, porque anda sempre muita gente à procura de ideias para presentes.

Então, na FNAC andei a namorar um drone (o Phantom), que embora possa ser confundido com um brinquedo é, na verdade, um instrumento de trabalho. Gostava muito de investir numa coisa destas, que acho que para quem trabalha na área da criação de conteúdos pode ajudar a criar vídeos magníficos. Também andei a ver as diferenças entre as várias versões do PES 2018 (há três diferentes) para a PS4, e ainda peguei no CM2018, um jogo que já foi um vício na minha vida, que tive de cortar por razões de produtividade, mas que me trazia muita alegria.

Na SportZone, vi um relógio novo de corrida (o Garmin 235), que o meu 620 está velhinho e já não tem algumas funções que me davam jeito ter, e usei o painel de busca online que existe na loja para procurar as passadeiras. Durante muitos anos tive uma passadeira em casa, meti-lhe muitos milhares de quilómetros em cima, mas ao contrário do que acontece com a maior parte dos aparelhos domésticos de ginásio, o meu morreu por excesso de uso. Também andei a ver as opções de bicicletas elétricas — em 2018 compro uma, dê por onde der.

Ainda andei pela Bertrand a ver livros para as pessoas que me andam sempre a perguntar o que quero para o Natal e que já sei que não se contentam com um “não quero nada”, fui à Loja Gourmet ver cenas veganas, pisquei o olho a um casaco na Hugo Boss (suspiro), fui ver os ténis da Kicks (tem sempre coisas maravilhosas) e umas botas à Timberland. Pronto, eu avisei que a maior parte das coisas eram só sonhos, mas pronto, desenvolverei este tópico dos presentes noutro post.

Texto escrito em parceria com o Amoreiras Shopping Center.

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