Pessoas destrutivas: vocês fazem mal ao mundo

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Mas tenho vontade todos os dias

Não suporto gente destrutiva. Nem gente destrutiva nem gente demasiado negativa ou pessimista. Eles estão em todo o lado, na nossa vida, no trabalho, no bairro, na mercearia, no café da esquina, na escola do filhos, na reunião de condóminos, na repartição de finanças.

Eu gosto de criar, de pensar em coisas novas e originais, de inventar, de arriscar. É uma coisa minha. Invariavelmente, tenho pessoas por perto que me puxam para baixo, sempre com o argumento de quem me estão a tentar “pôr os pés bem assentes na terra”. Só que não estão. E eu não quero que estejam. Estão só a tirar-me o entusiasmo, a força de querer fazer coisas disruptivas que acredito que vão divertir as pessoas, fazê-las viajar um bocadinho para fora do mundo delas. Por muito positivo que seja, é impossível não me deixar contagiar pelo excesso de negatividade que existe nas pessoas e no mundo em geral, um cinzentismo crónico, uma falta de imaginação e visão assustadores, que tantas vezes me deixam sem vontade de querer criar, resignado a fazer apenas aquilo que me pedem que faça. E isso é absolutamente frustrante e castrador.

Não sou mais do que ninguém, mas gosto genuinamente de arriscar e procuro, todos os dias, fazer qualquer coisa que surpreenda as pessoas, e que não seja só mais uma coisa igual a tantas outras. Tento fazer isto no trabalho mas também na vida. E sou mesmo muito feliz quando me deixam à vontade e me dão liberdade para fazer as minhas coisas. Só que na maior parte dos meus dias tenho de estar preocupado com a normalidade, atento às rotinas de sempre, empenhado em cumprir prazos que me são impostos. Ao contrário do que eu próprio pensava, não é por ser mais ou menos dono da minha vida que me sinto muito mais livre, porque continuo a ter de trabalhar com pessoas e para pessoas, porque continuo a ter de viver com pessoas e para pessoas. Claro que quem arrisca comete erros, dá tiros ao lado, faz disparates, mas isso tudo faz parte, e mesmo não gostando de errar, sei que vou errar muitas e muitas vezes, porque também sei que só erra mesmo quem tenta fazer qualquer coisa de diferente, porque andar a copiar a rotina é a coisa mais fácil do mundo, e, como é óbvio, isso diminui muito a margem de erro.

Tenho um certo pavor à normalidade e às coisas que toda a gente repete. Mas o tempo também me anda a mostrar há alguns anos que uma pessoa sozinha não muda o mundo, não muda o País, não muda a cidade, a empresa ou um produto. Uma pessoa sozinha não faz grande coisa, por melhor que possa ser. E se há coisa de que tenho saudades é de poder trabalhar com pessoas que acrescentem valor efetivo, todos os dias, que me puxem para cima com ideias construtivas, que adicionem criatividade e entusiasmo ao trabalho e à vida, e não se limitem a destruir, a deitar abaixo, a criticar, e tentar pôr-me os pés no chão. O problema é que as pessoas que sei serem verdadeiramente boas andam por aí, espalhadas, muitas delas perdidas, quase todas a lidar com gente destrutiva e negativa. Se calhar vai chegar o dia em que eles, os maus, vão ganhar esta batalha. Mas eu prometo dar luta.

Sim, hoje estou particularmente irritado, não sei se deu para perceber. Saiam-me da frente, só naquela.

9 Comentários

  1. O mundo anda cheio delas, e contaminam quem está ao lado.
    A “luta” de que fala, (para mim) é sermos mesmo nós os primeiro a mudar, e a dar o exemplo contrário ao desta gente que teima em contagiar o próximo. É sermos resistentes.
    A mudança, e o exemplo, deve começar única e exclusivamente em nós. Acredito que assim muita coisa ao nosso lado, mude, e para melhor.

    Desistir. Nunca.

    Raquel

  2. Olá Ricardo.
    Embora não seja uma pessoa extremamente positiva também não me considero negativa ou pessimista. Gosto de arriscar e costumo fazê-lo mas confesso que previamente dou umas tantas voltas ao assunto. Provavelmente algumas delas são desnecessárias. Penso que esta característica nasce ou não connosco mas, ao longo dos anos, tenho percebido que podemos educar-nos a ser mais positivos e menos ansiosos (talvez este até seja o meu “problema principal”). É um processo e, pela minha experiência, digo que pouco a pouco vamos conseguindo e a vida lentamente começa a brindar-nos com outras cores. Não sei se acredito na velha máxima “pensa positivo que atrais coisas positivas” mas a verdade é que, atraindo ou não, é muito melhor viver desta maneira.
    Uma das coisas que mais me custou ao longo deste tempo foi sem dúvida eliminar as pessoas negativas da minha vida. Estas pessoas tendem a ser tóxicas, pedem uma atenção desmedida e a cobram. Custa-me dizer que não mas sem dúvida a minha vida começou a melhorar a partir do momento que, não só comecei a fazê-lo, como a viver mais tranquila com isso. Não podemos permitir que nos tirem a tranquilidade, a alegria, a motivação e a energia de forma gratuita. Problemas todos temos, o que muda é a maneira como os encaramos e os resolvemos. Pessoas negativas nunca aceitarão que o são nem que nos consomem, para eles nós seremos sempre os egoístas da relação. Pois bem, que assim o seja e que nos deixem em paz a viver a nossa vida da maneira como achamos que devemos fazê-lo.

  3. Sou totalmente de acordo com aquilo que escreveste. O mundo empresarial de hoje espera resultados positivos, mas as pessoas têm de o conseguir dentro de uma certa normalidade. Sem grandes margens para sair da caixa e tentar coisas novas. Não sei em que tema específico estás a enquadrar este assunto. Mas eu, que passo atualmente por uma privação de criatividade e entusiasmo profissional, dou por mim a pensar que aparentemente tens tudo para estares feliz profissionalmente. Sendo tu dono da NIT podes dar largas à imaginação, experimentar, sem quem te chateiem muito a cabeça.

  4. Estou farta do meu trabalho. Sem objetivos ou estratégia. Somos número nada mais. Eu falo e todos me dizem para ca lar, que não é possível mudar nada. Estou quase vencida. Estão a matar-me. Estou a tentar encontrar outro caminho e Vou conseguir. Bahhhh para gente Fraca.

  5. Ui…. andam por aí aos magotes, parece produção em massa. Sei bem… pessimistas, negativistas profetas do “diabo”, é vê-los!
    Já me irritaram, hoje vejo que é uma perda de tempo. Mas mesmo assim, ainda me conseguem por um bocadinho a ferver quando querem fazer parecer que quem não é pessimista é iludido ou mesmo tontinho. Ui… fico doida!
    Mas, sinceramente, os cães ladram e a caravana passa. 🙂

  6. “Tenho um certo pavor à normalidade”.
    Parecendo que não, esta frase diz muito da forma como poderá encarar a sua vida pessoal.
    Não sou hater, antes que comecem com essa conversa. Apenas, e por ler o Ricardo há muitos anos, dou por mim a pensar que o Ricardo, precisamente pelo que escreveu nessa mesma frase, não saberá lidar com a rotina própria e normal de casamentos e relações com filhos. Nas duas situações, divorciou-se quando os filhos eram muito pequenos. Isso dá que pensar se será incompatibilidade do Ricardo com a vida normal de quem tem filhos, as privações de sono, as preocupações constantes, a rotina de horários (que é essencial para as crianças), etc.
    Seria porventura um óptimo exercício de descoberta interior para o Ricardo, para ser uma pessoa melhor, who knows. Acho essencial irmos olhando para dentro ao longo da vida, irmos conhecendo a nossa própria pessoa, os nossos defeitos, as nossas manias.

    • Olá. É uma opinião demasiado marcante baseada em tão poucos elementos que tem, sobretudo porque não me conhece, não sabe como eu sou em privado, não sabe nada sobre as minhas relações. Por isso, a sua opinião é um tiro ao lado da verdade. Não tenho nenhum problema com rotinas normais de casamentos e relações com filhos. Quem me conhece sabe isso. As separações não têm rigorosamente nada a ver com isso, nem com privações de sono, nem rotinas de horários. Olho frequentemente para dentro e procuro, muitas vezes, melhorar o que sou e corrigir erros que sei que vou cometendo. Mas gosto quando as pessoas dizem o que pensam, de forma cordial e educada, e, por isso, muito obrigado.

      • Olá Ricardo, não sou a mesma pessoa que comentou em cima, nem concordo ou discordo com o que foi dito em cima, porque não sei, não tenho dados que fundamentem uma opinião. Mas acho que falo em nome de várias leitoras que vos adoram e que ficaram muito tristes por saberem que se estavam a divorciar (para mim vocês eram relationship goals, até saber que já estavam em casas separadas eu tinha esperança que resolvessem os vossos problemas), acho normal as pessoas quererem perceber o que se passou, tentar chegar a uma conclusão. Porque como eram relationship goals para mim, tenho a certeza que eram para muita gente. Se bem, que continuam a ser relationship goals para casas separados, o Ricardo não posta com tanta frequência como a Ana, e através dela conseguimos perceber mais que têm uma óptima relação e que a prioridade é o Mateus.
        xoxo

    • Olá, Ricardo.
      Confesso-me uma nova leitora. Estou a ler tudo de rajada e parei aqui, para comentar – nem sou muito de comentar desconhecidos, mas vá….
      Compreendo, indentifico-me e subsescrevo.
      Eu sou assim. A que dá ânimo a todos, a “sempre bem disposta”. Uma canseira…
      Mas os parasitas andam por todo o lado e hoje sou eu que estou assim, como estava no dia que escreveu tudo isto.
      Que irritação, pessoas que fazem gala em andar sempre de trombas! Deve ser uma exaustão de existência, ser sempre “normal”.
      Foi só um desabafo. Obrigada pelo mote no dia certo!

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