Rogue One: porque é que o novo Star Wars não me convenceu

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Devia ter uns 8 ou 9 anos quando vi pela primeira vez o “Star Wars”. Estava em Elvas, em casa dos meus primos, e eles tinham os três filmes em cassetes Beta, compradas em Badajoz — estavam, como é óbvio, em espanhol. Ainda assim, víamos os filmes em repeat durante dias a fio. É provavelmente por isso que ainda hoje sei quase de cor as sequências dos filmes, sobretudo dos dois primeiros, o episódio IV, “A New Hope”, e o episódio V, “Empire Strikes Back” (nunca achei particular graça ao episódio VI, o “Return of the Jedi” — ainda hoje gostava de saber quem é que achou que os ewaks acrescentavam qualquer coisa à história).

Foi por isso com enorme entusiasmo, e uma dose valente de emoção, que em 1999 voltei aos cinemas para ver o episódio I, “The Phantom Menace”. E nos anos seguintes todos os outros que foram estreando.

Em 2015, mais ou menos por esta altura, vivi um dos momentos mais emocionantes do ano no dia da estreia do episódio VII, “The Force Awakens”. Neste texto, conto porquê.

Isto tudo para que percebam que eu sou um desses maluquinhos do Star Wars que sabem tudo de cor sobre todos os filmes, que têm as figurinhas todas espalhadas pela casa, ensinam os nomes das personagens aos filhos desde que eles são bebés, e vibram com tudo o que tenha a ver com a saga. Ou seja, a estreia de mais um filme andava a mexer comigo há várias semanas. Foi ontem.

Quarta-feira, nove da manhã, já estava no Colombo, embora o visionamento de imprensa só começasse às 10h30. Estava excitado, ligeiramente nervoso.

Estão a ver estas personagens todas? Nenhuma me convenceu, nenhuma me marcou
Estão a ver estas personagens todas? Nenhuma me convenceu, nenhuma me marcou

O filme começou. Primeiro momento negativo: então e o tema inicial do Star Wars e o devido enquadramento histórico, com as letras a subirem no ecrã? Isto é uma das imagens de marca da saga, e desta vez não houve. Queria muito ouvir aquele tema pela enésima vez e emocionar-me, mas não, nada. Pior: desta vez a história pedia mesmo enquadramento. Uma pessoa que não tenha lido nada sobre o filme ainda demora muito tempo até o conseguir localizar temporalmente. Só ao fim de muitos minutos se consegue perceber que esta história decorre entre o episódio III e o IV.

Galen Erso (Mads Mikkelsen) é a melhor personagem do filme, cheia de carisma e força
Galen Erso (Mads Mikkelsen) é a melhor personagem do filme, cheia de carisma e força

Logo desde o início que uma personagem domina tudo: Galen Erso, o genial Mads Mikkelsen. Mas é o único com força e carisma. Cassian (Diego Luna) é um erro de casting (não tão mau como Adam Driver, o Kylo Ren de “The Force Awakens”), a personagem de Jyn Erso (Felicity Jones) está fraquinha, Sam Gerrera (Forest Withaker) tem força mas aparece pouquíssimo tempo, quase indiferente é a personagem Bhody (o excelente Riz Ahmed, genial em “The Night Of“, uma das séries do ano) e a história só ganha muita força com o crescimento do enorme Orson Krennic, interpretado por um dos atores do momento, Ben Mendelsohn.

Krennic, interpretado por Ben Mendelsohn, cresce com o filme e acaba por ser o grande vilão da história
Krennic, interpretado por Ben Mendelsohn, cresce com o filme e acaba por ser o grande vilão da história

Ao longo de quase todo o filme não consegui sentir aquela emoção constante que os outros filmes têm. Houve picos, houve alguma adrenalina (a entrada de Darth Vader), mas também houve momentos forçados (o aparecimento de R2D2 ou C3PO, metidos ali a martelo) e alguns aborrecidos, como a interminável cena final, do assalto dos rebeldes à torre para tentarem roubar os planos da Estrela da Morte. Por esta altura, já só estava à espera do momento em que iria aparecer a Princesa Leia, que iria fugir com os planos (o início da saga, no episódio IV, o primeiro a ser feito, arranca precisamente com a detenção de Leia na posse destes planos).

Em geral, não adorei o filme, fiquei ligeiramente desiludido, mas também não acho que seja um flop, ou o início do fim de uma saga épica. É sempre importante não nos esquecermos que mesmo na trilogia inicial há um filme fraquinho, o terceiro, por isso, é sempre possível que o próximo seja ótimo e isto volte tudo a ser fantástico e maravilhoso. Para o ano vemos.

3 Comentários

  1. Pior review do filme que já li, o que é pena, porque pode afastar pessoal de ir ver um filme que nada tem haver com o que aqui é descrito. Fiquei na dúvida se isto tinha sido escrito por um fã de Star Wars, ou por alguém a tentar ser hipster (até porque odiar cenas que estão na moda é cena de hipster). O filme está bom para um spin-off: comédia no ponto certo, bastante acção, boa banda sonora, bons efeitos especiais e CGI (para variar nos filmes de Star Wars), uma boa história que é mais ao menos o que se estava à espera com personagens, na minha opinião, propositadamente irrelevantes por não passarem de meros defensores rebeldes… Mas pronto, é melhor criticar o facto de não ter texto amarelo no início porque isso é que faz um filme ser mau. A cena agora é mesmo não saber se consigo levar a sério alguém que diz que a melhor parte do filme foi a parte em que aparece o Darth Vader quando essa foi, seguramente, a cena mais irrelevante que só foi colocada no corte final do filme para o pessoal ficar: “Wow, Darth Vader!”. Parece que funcionou com o autor deste texto mas não adiciona literalmente nada ao filme.

    • Olá Pedro. Eu não escrevi uma crítica ao filme. Escrevi um texto sobre a forma como eu senti o filme, e sobre a minha relação com o mundo Star Wars. O facto de eu não ter gostado particularmente do filme, e o Pedro sim, não faz do Pedro um entendido, nem de mim um hipster que gosta de dizer mal de cenas fixes. Se procurar aqui no blogue, poderá ler o que escrevi sobre o filme anterior, que considerei o segundo melhor de toda a saga, logo depois de “O Império Contra-Ataca”, ou seja, eu não disse que não gostava porque é fixe dizer que não se gosta, eu disse que não gostei porque… não gostei. E facilmente encontrarei 200 mil reviews que concordam comigo, e o Pedro arranjará 200 mil reviews que estarão de acordo com o que pensa. Mas, volto a referir, isto não é uma crítica ao filme — pensei, até, pela estrutura do texto que isso seria facilmente percetível, mas pelos vistos não.

  2. O Phantom Menace é um atentado ao cinema… Ainda não vi o Rogue One, não posso dizer se está a esse nível, mas não parece!
    E discordo completamente da opinião do Adam Driver. Acho que ele dá uma profundidade muito interessante ao papel, por ser um actor tão único, por não ser um daqueles vilões compostinhos à la Darth Vader. É uma pessoa (a personagem) com muitos problemas, muitas inseguranças e isso é demonstrado principalmente com a representação.

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