Sou eu que sou um cínico, ou é o La La Land que é só uma grande xaropada?

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Pois que durante uma semana andei a ver meio mundo a partilhar nas redes sociais juras de amor eterno a esse hino ao romantismo que é o “La La Land”. O filme do ano, a coisa mais linda de sempre, uma obra de arte. Pelo meio, uma ou outra pessoa a contrariar a ideia e a dizer que o filme era mau. “Olha-me esta, deve estar de mal com a vida, tsss”, pensava eu quando lia isso — o filme deve ser mesmo bonito.

Ontem, e depois de passar a fúria inicial nos cinemas, lá fui ver o “La La Land”. Ponto prévio importante: eu gosto de musicais. “Música no Coração” é um dos meus filmes preferidos, adorei o “Moulin Rouge”, gostei muito do “Chicago” e até tenho um carinho especial pelo “Everybody Says I Love You” (nem que seja para ver o Edward Norton a cantar, ridículo, mas engraçado). Por isso, nem sequer fui desconfiado, achei mesmo que ia sair do cinema feliz e alegre com uma história bonita, canções cheias de energia e coreografias incríveis.

Não. Não foi nada disso que aconteceu.

A primeira cena do filme, aquela cantoria no trânsito, pareceu-me logo muito farsola, com uma coreografia pobre, uma realização pouco inspirada e um ar muito low-cost, pouco imponente. Mas pronto, dei o benefício da dúvida. A história lá começou a andar, a coisa melhorou ligeiramente — a Emma Stone é uma fofinha, canta que é uma maravilha —mas depois apareceu o Ryan Goslin. Dito assim, pode pensar-se (sobretudo o universo feminino) que o filme cresceu. Mas não, enterrou-se. O rapaz, que é um talento natural da representação, é uma nulidade total a dançar e a cantar. E ele canta e dança durante longos períodos de tempo durante o filme. O resto do tempo está sentado ao piano a tocar. Ou seja, um gajo que passa metade do tempo sentado e a outra metade a dançar (mal) e a cantar (pior ainda) é nomeado para um Oscar de Melhor Ator. Recordo que este mesmo senhor fez um papel absolutamente genial em “Drive” e ficou de fora das nomeações.

Bom, o filme acaba por se perder em cenas aborrecidas de cantorias sem grande interesse ou impacto (nem sequer adorei a banda sonora, que muita gente diz ser o melhor do filme, e uma coisa maravilhosa), e houve mesmo alguns momentos de absoluto aborrecimento, como aquela sequência toda no planetário que termina com o primeiro beijo.

Para não variar, há aquela tradicional masturbação intelectual que Hollywood faz a si própria — a indústria adora-se e adora sentir que é o centro do mundo —, com problemas que interessam muito mais às pessoas da indústria do cinema do que às pessoas reais, mas também acho que este filme virado para dentro é um apelo claro ao Oscar, e pelos vistos a coisa resultou.

Esta espécie de sentimento de inquietação, frustração e revolta que fui sentindo (sobretudo pelas 14 nomeações) levou a que chegasse ao fim do filme impaciente, à espera que a coisa acabasse rapidamente, e, na altura, nem sequer consegui sentir de forma justa a (muito boa) sequência final. Agora, depois de dormir sobre o assunto, reconheço que sim, que o filme acabou muito bem, com uma sequência bem construída, bonita, forte, mas isso não anula ou apaga tudo o resto.

Achei o filme fraquinho, e espero muito sinceramente que leve um ou outro Oscar técnico, e não mais do que isso. Quem viu este “La La Land” e já viu o “Manchester By The Sea”, o “Moonlight” ou o “Hell or High Water” — os três melhores filmes, entre os nomeados —consegue perceber o que estou a dizer.

E com o La La Land tenho praticamente fechado o ciclo de filmes dos Oscars. Só me fica a faltar o “Hidden Figures”.

24 Comentários

  1. Ricardo, a tua crítica ao La La Land é exactamente aquilo que sinto depois de ter visto o filme. A primeira cena deixou-me logo atordoada, tipo peixinho fora d´água a esgotar-se-lhe o ar… nao encaixa de maneira nenhuma com o que se segue, na minha opiniao. Depois, o filme em si, foi uma desilusao. Dei por mim algures a meio do filme, mega aborrecida, à espera do final que, curiosamente, foi a cena mais bem conseguida/realista.
    p.s- contrariamente a alguns leitores nao acho, de todo, que o estado civil ou “determinadas fases da vida” conjugal/ex-conjugal de uma pessoa estejam relacionados com uma análise/opiniao a um musical romantico. Eu nao estou a passar por nenhuma separacao, gosto de musicais, e continuo a achar o filme uma chachada.

  2. Não acha que se possa resumir este filme como aborrecido e que o Ryan Gosling dança e canta mal. Este filme é tão mais sobre sonhos e a realização destes, algo tão importante na vida, que não deveria sequer haver espaço para simplesmente “reparar” que o ator principal não é um cantor profissional. Aliás a favor do Ryan Gosling algo que me surpreendeu bastante foi o facto de ele conseguir mostrar um lado seu que eu desconhecia, pensava que ia encontrar um homem convencido e arrogante (personagens que este ator interpreta na perfeição) mas não, ele trouxe-nos um lado muito mais humano, frágil até, de um homem que queria concretizar um sonho ao mesmo tempo que se deparava com um amor inesperado. A vida é tão isto. Como pode ser aborrecido? Não pode.

  3. Adorei o texto João Iria, não diria melhor! Já agora uma sugestão para o arrumadinho: este rapaz percebe de cinema e demonstra paixão por aquilo que escreve, parece-me que seria uma ótima aquisição para a NiT 😛

  4. Concordo em absoluto contigo Ricardo. O Filme é superficial, sem densidade e sem carga emocional relevante. Não consigo compreender (mesmoooo) como é que está a ter este sucesso. 14 Nomeações? Nem consigo imaginar uma categoria em que se consiga destacar… Qualquer um dos que está em exibição é muitíssimo melhor: Lion, Manchester by yhe Sea, Daniel Blake, O Resgate do Soldado Ryan, Silêncio (este último quase sem nomeações!!)… achei total perda de tempo e dei por mim a desejar o final e a pensar que talvez as últimas cenas fossem espetaculares e salvassem o filme (e justificassem toda a veneração que a maioria parece ter). Não aconteceu. Um dia feliz para ti.

  5. Concordo em absoluto contigo Ricardo. O Filme é superficial, sem densidade e sem carga emocional. Não consigo compreender (mesmoooo) como é que está a ter este sucesso. 14 Nomeações? Nem consigo imaginar uma categoria em que se consiga destacar… Qualquer um dos que está em exibição é muitíssimo melhor: Lion, Manchester by yhe Sea, Daniel Blake, O Resgate do Soldado Ryan, … achei total perda de tempo e dei por mim a desejar o final e a pensar que talvez as últimas cenas fossem espetaculares e salvassem o filme (e justificassem toda a veneração que a maioria das pessoas parecem ter). Não aconteceu. Um dia feliz para ti.

  6. Ai gente, tenham lá calma! Quanta indignação…
    Eu fui ver o filme contrariada. Adoro cinema. Não adoro musicais. Tudo o que tinha lido e visto sobre o La La Land parecia-me um exagero. Custava-me perceber como é que tanta nomeação se iria justificar neste caso. Parecia-me mesmo sobrestimado. Mas, claro, guardei minha a opinião e fui ver o filme. No final, logo tiraria as minhas conclusões.
    Detestei a cena de abertura. Tanto que não me consegui conter e tive que desabafar com a minha prima, com quem estava: “Eu sabia que não devia ter vindo. Já começa mal”.
    E não me interessa se, como o João Iria disse, foi difícil de fazer. Também não temos que gostar de algo tão somente por ser difícil. Isso por si só não é suficiente, como é lógico.
    A partir daí, foi sempre a subir. No intervalo já estava a amar o filme e na 2ª parte ainda mais o amei. O final é absolutamente incrível.
    Acho que merece vencer vários Oscars, sim.
    Acho que o Ryan Gosling não deve ser um deles.
    Gostava de perguntar ao João Iria se tem uma bola de cristal? E se foi lá que viu que o Miles Teller se iria sair pior neste papel?
    A Inês Silva critica o Ricardo mas acaba por fazer o mesmo que ele, embora no sentido oposto. Também bajula o filme sem fundamentar a sua opinião devidamente.
    E acho ridículo que falem do estado civil recente do Ricardo só porque ele não gostou do filme. Agora a razão para não gostar do filme é porque passou por uma separação há pouco tempo? Esse comentário é tão triste que até dá vontade de rir! Para além de que deviam respeitar a vida privada das pessoas. O Ricardo comentou aqui alguma coisa sobre isso? Não! Então respeitem. Não abusem do que descobriram nas revistas cor-de-rosa só porque não têm argumentos melhores.

    • Por acaso fiz uma crítica fundamentada ao filme, no meu blog, pode ler aqui: http://blogdainessilva.blogspot.pt/2017/01/movie-review-2-la-la-land.html

      Não costumo bajular ou criticar sem razões. Se o faço, é porque assim o penso e sinto. Mas, no caso, não iria usar a caixa de comentários para deixar as minhas mais profundas opiniões e anseios. Aqui apenas comentei o que estava escrito num blog que não é meu, pelo que não tenho o dever de cá vir fundamentar o que quer que seja. Entenda a diferença entre “artigo de opinião” e “comentário ao artigo de opinião” 🙂

  7. Odeio musicais…dito isto e sendo tendenciosa achei que a publicidade ao filme foi de um sensacionalismo desmesurado. Não o vou ver. Vi o Hell and High Water e adorei, chorei e acho que é um filme mal amado. Quem é que gosta de filmes que puxam ao tradicionalismo Americano ou reflectem os probemas da América profunda, esquecida e pouco cinematográfica? Os judeus de Hollywood? Eles já não podem com o convencional, conversador e muito republicano Clint. É a política em Hollywood. Também achei o filme Lion lindo, é mais exótico e dá jeito às gentes de Hollywood para a propaganda, talvez leve algum Óscar. Dito isto também vi o Arrival, não gostei tanto como os dois que mencionei mas achei muito bom também. Dito isto Hollywood pode propagandear o que quiser, os gostos são meus. Já não acredito em Óscars.

  8. Fui com as expectativas muito elevadas ver o filme e estas não foram nem superadas nem defraudadas. A história do filme poderia ser uma desgraça, mais um romance com altos e baixos e previsível. Mas não, o filme é muito mais do que isso. Há uma Emma Stone amorosa, realista que transpira emoções, que é, indubitavelmente, a estrela do filme. Há um Ryan Gosling revoltado, deprimido e mais apático, mas que merece o respeito pela forma como se apresenta e toca. É respeitável, no mínimo. Há uma química indiscutível entre os dois. Os diálogos são simples, nada de bradar aos céus, mas a direcção e realização são de louvar. É uma lufada de ar fresco o filme, pelo figurino, pela musicalidade, disposição, não obstante o sentido do mesmo nos remeter muitas vezes ao passado (tom nostálgico).
    “Mas também acho que este filme virado para dentro é um apelo claro ao Óscar, e pelos vistos a coisa resultou”. Quer mesmo falar sobre isso, Arrumadinho? Ora cá vai: Sniper Americano, The Hurt Locker, Argo, todos são apelo ao Óscar. Seja Bem Vindo à realidade da Academia que brinda o orgulho americano!

  9. Fui com as expectativas muito elevadas ver o filme e estas não foram nem superadas nem defraudadas. A história do filme poderia ser uma desgraça, mais um romance com altos e baixos e previsível. Mas não, o filme é muito mais do que isso. Há uma Emma Stone amorosa, realista que transpira emoções, que é, indubitavelmente, a estrela do filme. Há um Ryan Gosling revoltado, deprimido e mais apático, mas que merece o respeito pela forma como se apresenta e toca. É respeitável, no mínimo. Há uma química indiscutível entre os dois. Os diálogos são simples, nada de bradar aos céus, mas a direcção e realização são de louvar. É uma lufada de ar fresco o filme, pelo figurino, pela musicalidade, disposição, não obstante o sentido do mesmo nos remeter muitas vezes ao passado (tom nostálgico).
    “Mas também acho que este filme virado para dentro é um apelo claro ao Óscar, e pelos vistos a coisa resultou”. Quer mesmo falar sobre isso, Arrumadinho? Ora cá vai: Sniper Americano, The Hurt Locker, Argo, todos são apelo ao Óscar. Seja Bem Vindo à realidade da Academia que brinda o orgulho americano!

  10. Não gostar do filme é uma coisa, e, quando fundamentada, qualquer opinião é perfeitamente válida e não pode ser considerada melhor ou pior do que outra, é só diferente. Mas, de facto, esta crítica é aquela típica que mostra implicância, que mostra a vontade de ser do contra e aquela coisa do “ai o filme está a ter todo este alarido? Então vou dizer mal porque sou daquelas pessoas elevadas e intelectualmente superiores que gostam é daqueles filmes de 5h que só meia dúzia é que conseguem ver de início ao fim e que antigamente ganhavam Óscares”. Mentalize-se, Ricardo, que os Óscares hoje são mais abertos, já admitem nomear filmes normais, decentes, apelativos, que qualquer pessoa pode ver. E para ser um grande filme não é preciso ser um drama de meia noite, sobre coisas especialmente inspiradoras, tragédias, doenças ou simplesmente tristes. É possível um filme que traz leveza, alegria, sensação de bem estar e que aquece um bocadinho o coração ser também um grande filme. Parte daquela máxima, que trago intrínseca na minha pessoa, que “um dia de chuva é tão belo como um dia de sol. Ambos existem; cada um como é”. Manchester by the Sea é soberbo, que o é, mas não é por ser profundamente melancólico e triste que é melhor do que La La Land. Cada um é mesmo muito bom à sua maneira. O comentário que fez sobre a primeira cena, do “ar muito low-cost” acho que lhe retira toda a credibilidade. Como se a cena tivesse que ser passada num hotel de 5*, com pessoas especialmente bem vestidas e a atirar notas de 100 pelo ar. Achei triste e, realmente, do contra, um comentário tão desinteressante como esse. Se calhar é uma cena que mostra todo o tipo de pessoas, que deve ter sido infinitamente difícil de gravar e que “para começo de conversa”, é uma cena do caraças. E essa de o Ryan Gosling ser uma nulidade a cantar e a dançar soa-me muito a inveja e fica-lhe mal, Ricardo. O Ryan Gosling é um “actorzão”, também é tudo de bom que se pode querer na vida e, para acrescentar a tudo isso, ainda mostrou uma dedicação e um talento imensos neste filme. Queria vê-lo a aprender a tocar piano de propósito para adicionar credibilidade ao filme, a treinar coreografias e a dançar em harmonia com outra pessoa, talvez aí eu pudesse falar em “nulidade”. Neste caso, posso só falar de dois grandes actores, com uma química do outro mundo, que tiveram a sorte de se ver envolvidos num filme que é uma beleza só e que mostram ser merecedores de todo e qualquer prémio que recebam por este e por outro qualquer filme na vida. E aquela parte do “um gajo que passa metade do tempo sentado e a outra metade a dançar (mal) e a cantar (pior ainda) é nomeado para um Oscar de Melhor Ator” faz-me acreditar que o Ricardo, na realidade, está a criticar um filme que nem sequer viu. Porque ele, para além de fazer bem tudo aquilo que faz, também não faz só isso. É um comentário tão redutor quanto ridículo. Por essa ordem de ideias, a Anne Hathaway nunca teria sido merecedora do Óscar de Melhor Atriz Secundária pel’Os Miseráveis, uma vez que a personagem dela morre assim logo no início. Mas se calhar essa já é uma perfomance que o Ricardo aprecia, porque já não é um filme capaz de agradar às massas, por isso, já se pode gostar, é fino e é chique. Quanto à banda sonora, não sei, mas talvez lhe propusesse um daqueles aparelhos da Minisom, porque, de facto, algo de muito errado se passa com a sua audição. A banda sonora é tão, mas tão bonita, que arrebata e apaixona. Vá lá ouvir no spotify (coisa que tenho feito em loop) e pense melhor. Ou então não, que quem já está de pé atrás, se calhar já não vai a tempo de ter a mente aberta de apreciar a beleza em vez de querer ser polémico ou contraditório.
    E a parte que lhe escapou, e cujo comentário sobre isso é um tiro ao lado, é que este filme foca-se, precisamente, nas pessoas reais. Apesar da magia, apesar de tudo o que o envolve, temos pessoas, com sonhos, com frustrações, com tudo o que é cru e real na vida de qualquer pessoa. É um filme para todos, é um filme sobre todos. E talvez seja esse o seu problema, na sua redoma de hipster. Um rapaz que, ainda por cima, é do Benfica, devia saber que aquilo que é do povo é sempre o mais puro e genuíno. E este filme é assim, de todos e para todos. E por ser tão diferente, é “de todos, um”. Percebeu? Pois.

    (Já agora, para quem critica as cantorias e diz que o Ryan Gosling canta mal, dizer, logo de início que adorou o Moulin Rouge só joga contra si, a menos que considere a Nicole Kidman a melhor cantora do mundo. Se assim for, Minisom, novamente)

    • Fico admirada com o tempo que se perde a comentar uma OPINIÃO PESSOAL e, de UM FILME, minha gente! Mas, verdade seja dita, também posso ser acusada de ter tempo para ler. Verdade! Inês, fofinha, respire, inspire e deixe-se disso que lhe fica muito mal numa opinião de algo que não alimenta nem dá nada a ganhar a ninguém, partir para ataques pessoais.

      P.S.: Não conheço o Ricardo.

    • Após ler o texto do Ricardo e de seguida o seu comentário só consigo lembrar-me do velho ditado “os gostos são como os cus, cada um tem o seu” 😉

  11. O comentário da Rita, o primeiro, é certeiro. Definitivamente não aconselho o filme a recem separados.. e com está me fico. E eu q bem sou dada a coisas emocionais ou pseudo romances cinematograficos, que não vivo a vida a pensar que me vai acontecer um grande amor tipo titanic, estou muito bem resolvida como estou. Um excelente filme para ir ver ao cinema e entretermo nos- em casal ou sozinha (como eu fui e entrei feliz e saí Ainda de lá mais feliz). Menos amargura sff. TB poderia dizer que o moonlight é um rumo no estômago e realmente é. E por isso que deixa de ser bom? Não é. São estilos de filmes diferentes. Há cerca de 10 anos que os nomeados não tinham assim uma lufada tão grande de ar fresco. E Ainda bem que apareceu la la land- para cortar os pulsos com amargura já temos manchester by the sea. E os posts de Dezembro do arrumadinho . Devia ser mais positivo. Nem o reconheço

  12. Olá Ricardo,
    Eu também não achei especial graça à parte do planetário e tanto impasse em redor do primeiro beijo. No entanto, eu que não sou apreciadora de musicais (excepto o Música no Coração e porque associo-o a bons momentos da minha infância), gostei do La La Land. Acho que a essência do filme está justamente na simplicidade da sua mensagem, cuja tantas vezes passa-nos ao lado enquanto andamos distraídos com coisas mais triviais. Não entendo porque não adorar este filme faz de ti uma pessoa cínica…Tal como disse anteriormente uma leitora, há momentos da vida que as nossas emoções condicionam outras. Para mim o La La Land não é o filme do século mas também está longe de ser uma grande xaropada.

  13. Acho que as fases da nossa vida tendem a deturpar muito a nossa opinião sobre determinados filmes.
    E penso, sinceramente, que é esse o seu caso 😉

  14. Eu percebo totalmente o que dizes. Em muitos aspetos qualitativos o filme pode deixar a desejar. E tem a artificialidade que eu considero própria dos musicais (embora também venere Música no Coração e Moulin Rouge – os únicos que tinha gostado até hoje).

    Mas…e é um grande mas…o filme vai ganhar o Óscar (vi já o Manchester By the Sea, que é 5*). Porquê? Porque é um filme que é uma homenagem aos filmes. Porque é um filme que é uma homenagem aos sonhos. Porque tem uma banda sonora fabulosa. E sobretudo porque tem uma mensagem que nem todos os filmes passam: há mais de um final feliz.

    Dito isto, acho que ninguém deve ir se não tem vontade, mas para quem fica agora na dúvida entre o ver e não ver com este post, contraponho outro: (os 7 tipos de pessoas que não devem ver La La Land)
    http://www.mariadaspalavras.com/os-7-tipos-de-pessoas-que-nao-devem-ver-595012

  15. Tenho de concordar que aquela primeira cena foi má, especialmente a notarem-se os carros amassados dos ensaios…
    Mas não concordo com o restante, acho que a banda sonora é excelente e o filme também, Ryan Gosling não canta bem é um facto, mas não acho que dance mal, é claro que quem viu Drive acha que ele merecia muito mais a nomeação por esse filme.
    Mas aprender a dançar, tocar piano e o mínimo para cantar faz com que mereça a nomeação, não o prémio.
    La La Land é um filme inspirador, que faz sonhar e que no fim nos dá um valente murro no estômago, eu gostei.
    Se o filme que merece ganhar o Óscar de melhor filme? Não, Manchester By The See é mais intenso, até O Herói de Hacksaw Ridge é melhor.

  16. Não acredito que uma pessoa seja automaticamente cínica apenas por não gostar de um filme. Contudo acredito que esta opinião é explicitamente cínica. Tenho pena disso porque já li críticas negativas a este filme mais interessantes e com opiniões fundamentadas em vez de resumir tudo de forma exagerada, quase cómica e recusar-se a compreender o furor por detrás do filme. Vou agora ser responsável pelo problema principal deste texto e resumir toda a crítica nas seguintes palavras “odiar por odiar”, pois foi tudo o que retive desta.

    Os comentários deambulam todos em redor da mesma frase: “Eu não gostei”. Sei que a expressão comum é “Opiniões não se discutem,” no entanto acho que essa frase é utilizada apenas para evitar conhecer novas perspetivas ou entrar em discussão, porque a pessoa recusa pensar de outra forma. Opiniões têm de ser discutidas pois é assim que conseguimos descobrir novas ideias, perspetivas e possivelmente evoluir, ou até alterar a nossa opinião.

    Senti-me ligeiramente ofendido, sendo uma pessoa apaixonada por cinema, com o simples resumo da cena de abertura do filme como “farsola”. Qualquer pessoa que siga cinema está consciente da dificuldade de criar uma cena inteira em apenas um plano, e refiro-me meramente a uma cena com atores a interpretar as suas personagens num momento emocional; agora incluir um grande número musical coreografado, câmara em movimento por uma estrada em Los Angeles, com timing preciso no seu movimento e ainda lidar com a iluminação imprevisível por se situar num lugar aberto, penso que merece pelo menos respeito e não ser resumida como “Farsola”. Este número musical criou o ambiente necessário para o filme, um que consegue homenagear filmes clássicos e ainda resumir a magia musical da primeira parte, tudo através de ritmo, música e espaço.

    Penso que a melhor forma de demonstrar o quão fantástica foi a performance de Ryan Gosling, para além de simplesmente ver o filme, é pensar no ator original, Miles Teller, que ia interpretar a personagem de Sebastian, e o quanto errado ele era para o papel. Sebastian é uma pessoa cheia de sonhos, mas que se recusa a comprometer-se na sua carreira, no seu futuro e na sua vida amorosa. Tudo segue um padrão, as suas ideias e a sua forma de pensar. Este género de personagem torna-se complicada de interpretar sem parecer um “Douchebag”, e apesar de gostar bastante de Miles Teller, ele não tem o carisma necessário para interpretar Sebastian. Contudo Gosling oferece a sua paixão e charme que tornam esta numa pessoa fácil de simpatizar e relacionar, a sua raiva em relação à atitude perante o jazz torna-se a nossa raiva, ainda que não tenhamos sequer metade da paixão ou conhecimento que este tem por Jazz. Quanto ao seu talento musical, resta-me apenas discordar pois não vi qualquer problema, tanto Emma Stone como Ryan Gosling demonstraram neste filme que são o Casal Maravilha de Hollywood, um semelhante aos tradicionais. Penso que basta a festa onde voltam a encontrar-se e no seu primeiro número musical para verificar a sua química, voz e excelente técnica.
    O seu aborrecimento perante a primeira parte do filme inteira é algo complicado de refutar pois é o seu sentimento perante o filme, mas admito esperar algo mais complexo do que resumir tudo a “aborrecido”, uma opinião que consigo ouvir do adolescente sentado atrás de mim no cinema que parece mais focado em querer comer pipocas do que ver o filme.

    Considerar o problema de lutar por sonhos resumido apenas ao cinema é uma noção ridícula. Acredito que a maioria se relaciona profundamente com sonhar por uma vida melhor, quer seja o cliché de ganhar a lotaria ou tornar-se numa estrela de cinema ou até querer aprender a dançar a valsa ou trabalhar numa área profissional que apela à pessoa, seja ela qual for. Todos temos sonhos pelos quais queremos lutar e receamos desistir, todos nos apaixonamos fortemente por alguém com quem não conseguimos ficar. Estas duas emoções e experiências de vida não se restringem a Hollywood. Fazem parte do nosso dia e novamente está presente num texto cínico.

    A ideia de masturbação intelectual que Hollywood faz a si própria vai ser sempre o comentário repetido em todos os filmes acerca de Hollywood. Vamos ser sinceros, quem é que não gosta de masturbar-se? Se podemos resumir estas histórias dessa forma, então uma pessoa a falar acerca da sua vida ou do seu sonho pode ser referido como masturbação também? Sim, este estilo de filme pode ser masturbação, mas é a punheta mais fantástica que alguma vez vi. Compreendo que possa ter ficado desapontado, especialmente tendo em conta que há imenso tempo que um filme não era tão aplaudido publicamente, tanto por críticos como audiências, no entanto uma crítica tem de oferecer uma perspetiva única e ainda que seja semelhante a muitas outras tem de ser pensada e elaborada, e ler isto fez-me pensar que foi tudo escrito no calor do momento de uma raiva desapontante perante o filme e o louvor que está a receber. Eu não devia ler uma crítica e associar esta às reclamações de um adolescente a sair da sala de cinema. Espero não o ofender com estes comentários, não o conheço e tal como referi uma pessoa não se torna cínica por não gostar de um filme: a minha opinião é acerca deste texto apenas e também do filme.

    Eu já vi Manchester by the Sea, Moonlight e Hell or High Water e apesar destes três filmes serem fantásticos, especialmente Moonlight, nada retira a grandiosidade de La La Land que perdurará na memória e na história do cinema como um filme que se distingue como sendo tradicionalista e futurista simultaneamente. “La La Land” é a magia do cinema e de nos apaixonarmos, sentimentos bastante semelhantes. Nas palavras do ator que ficou metade do filme sentado a tocar piano, “It’s very, very exciting!”

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