Um adepto é um adepto, um criminoso é um criminoso

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Desde que saiu a primeira notícia sobre a morte de um italiano perto do Estádio da Luz, na véspera do Sporting-Benfica, que tentei não falar sobre o assunto, não postar nada nas redes sociais, porque já sei que nestas coisas é sempre mais prudente esperar, deixar a poeira assentar. Normalmente entre o que começa a ser publicado nos jornais e a verdade há quase sempre uma diferença enorme. Foi o que aconteceu, claro.

Agora que já se percebem melhor os contornos de tudo o que se passou, o mais importante é fazer com que as pessoas entendam que a batalha nas imediações do Estádio da Luz foi um confronto entre criminosos, que por acaso são do Benfica e do Sporting. Não foi uma guerra de adeptos, não foi uma luta por causa do futebol, não, foi um confronto entre criminosos, e é muito grave que se confundam estas pessoas com as outras, as que gostam de futebol e dos seus clubes, e que vão ao estádio para apoiar os jogadores e festejar os golos.

Nenhuma pessoa pode dizer que a claque deste clube é pior do que a daquele, porque isso é só ser desonesto. Também não é justo dizer-se que as pessoas das claques são todas criminosas, mal-feitores ou assassinos, porque, como em tudo, há gente boa misturada com trastes. Uma coisa é certa: as claques dos três grandes têm por lá muitos bandidos, pessoas que não trazem nada ao futebol, que já deviam ter sido identificadas, muitas delas detidas pelos crimes que comem, e proibidas de frequentar estádios de futebol. Nos Name Boys, Juve Leo ou Super Dragões há muita gente decente, mas também há muita bandidagem que só quer provocar, só procura confusão, e que vai à bola com o único propósito de arranjar forma de andar à pancada. São também estas pessoas que se organizam, e mobilizam os outros, para guerras como aquela que aconteceu perto do Estádio da Luz e que acabou com um morto. Claro que quem organiza estas coisas, quem combina guerras, sabe que, do outro lado, não vão estar meninos do coro, vão estar outros iguais a eles, que se movem no futebol com os mesmos propósitos, os de arranjar confusão, porrada, violência.

O futebol não é isto. Aliás, isto não tem nada a ver com futebol. Acredito genuinamente que das 50 mil pessoas que estão num estádio, haverá 100 assim, criminosos, gente disposta a espancar uma pessoa só porque é de um clube rival. E, como disse, estas pessoas não têm clube, são apenas criminosos, que deviam estar presos e impedidos de ir aos estádios.

Uma coisa também é verdade: não embarco nesta loucura generalizada de que agora não é seguro ir aos estádios. Há muitos e muitos anos que vou a vários estádios, e só me senti inseguro duas ou três vezes, sempre em jogos grandes, e sempre em estádios de adversários. Levo, e vou continuar a levar, os meus filhos ao futebol, e continuo a achar que num estádio estou rodeado de gente de bem. No dia em que estes animais, sejam de que clube forem, fizerem com que nós, os que gostamos de bola, deixemos de ir aos estádios, então, eles é que vão ganhar a guerra. E por mim não ganham, e a forma de não os deixar ganhar é continuar a ir ao futebol, a puxar pela minha equipa e a cumprimentar os adversários no fim, seja qual for o resultado.

Com isto, penso que é escusado dizer que lamento profundamente a morte de uma pessoa num confronto de claques, e espero sinceramente que os responsáveis sejam apanhados e condenados pelo crime.

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