Um por todos

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Confundir aquele bando de arruaceiros que ontem armaram confusão no final da festa do Marquês com “os benfiquistas” ou “o Benfica”, tomar uma ínfima parte por um todo, revela apenas duas coisas: pouca inteligência e um profundo mau perder (também conhecido por azia).

O que se passou no Marquês passou-se com gente idiota, que não está ali para festejar, mas sim para armar confusão. E gente idiota desse género há em todos os clubes, em muito eventos, não só em festejos de títulos, não só entre o universo de benfiquistas.

Da mesma forma que julgar “a polícia” pelo ato bárbaro de um sacana que espancou um homem em frente aos filhos em Guimarães (sim, não foi no Marquês, como já vi escrito em muitos sítios) também é absurdo. Dentro da polícia, há uma percentagem de idiotas proporcional à de idiotas que existem dentro das claques. Tem, tão só, a ver com probabilidades estatísticas. Não devia ser assim, espera-se das autoridades gente com mais formação e civismo, mas diz a natureza humana que há gente estúpida e mal formada em todas as profissões, e há coisas que não se ensinam nas escolas de polícia.

Há quem veja em repeat, para se indignar, a imagem do filho da puta que espancou o homem.

Eu prefiro ver esta, a do agente que abraçou a criança e a tentou proteger do festival de selvajaria do seu superior.

Só quem não esteve no Marquês pode achar que o que ali se passou foi um triste festival. Eu cheguei ao Marquês bastante cedo, estive lá até depois de se ter cantado o hino, fui para casa quando a festa já começava a ser desmontada, e não vi violência, nem sequer vi polícia.

O que se passou foi já quando muita, muita gente se tinha ido embora e foi, como escrevi, uma coisa de minutos numa festa que durou horas e horas. Infelizmente, a imagem que vai ficar para quem não esteve lá é esta, a da violência.

Sinceramente, não faço ideia de quem é a culpa, de quem começou, do que esteve na origem de tudo aquilo. Não foi a primeira, não será certamente a última vez que coisas destas acontecem. Acontecerão enquanto houver gente mal formada, vestindo uma farda ou uma camisola vermelha, verde ou azul, ou seja, acontecerá sempre. Infelizmente.

Podem ver as fotos e os vídeos que fiz da festa de ontem no meu Instagram.

17 Comentários

  1. Já fiz um comentário sobre este mesmo assunto no blogue da Pipoca mas volto a repetir, de forma resumida, aqui. Tem toda a razão quando diz que generalizar não é correcto e não faz sentido nenhum. No entanto, sempre fiz parte daqueles que são generalizados. Sou vitoriana e sou de Guimarães e estive no jogo no domingo; assisto a todos os jogos em casa e vou a jogos fora sempre que possível. E quando acontece qualquer episódio de violência em Guimarães ou ligado aos nossos adeptos sabe o que é que eu leio em jornais ou nas redes sociais? Que somos todos bárbaros e selvagens e que é impossível ver futebol em Guimarães porque nós não vamos para ver futebol, vamos para destruir e magoar as pessoas. Penso que foi no Record que um colunista nos comparou aos jihadistas do estado islâmico. Eu acho, sinceramente, que o Vitória tem a melhor massa associativa do país. A cidade está completamente ligada ao clube e vice-versa. Certamente que há adeptos de outros clubes mas é uma minoria porque a maioria apoia o Vitória, respeitamos aquela máxima esquecida em Portugal à muitos anos: “support your local team”. Sinceramente não esperava um comportamento destes da parte dos adeptos benfiquistas. É triste, muito triste que hajam situações destas no futebol.
    Quanto ao comportamento do polícia não tenho sequer comentários a fazer, fiquei revoltada quando vi as imagens. Os agentes da autoridade devem manter a segurança pública porque é para isso que são pagos e no entanto são eles próprios a causar distúrbios. A única atitude que poderia fazer o agente reagir assim seria se o homem que tinha à frente lhe apontasse uma arma ou o tentasse agredir, e isso todos vimos que não aconteceu. Cuspiu-lhe? Insultou-o? Ninguém saberá responder para além dos envolvidos mas nada disso poderia justificar aquilo, nem a pressão que poderia ter tido durante todo o dia. Já não é a primeira vez que vejo agentes a reagirem de forma exagerada no futebol, acham que são mais do que os outros e que podem tudo porque têm as costas quentinhas e nada lhes acontece.
    Aguardo o momento em que todos sejam punidos pelo mal que fazem ao futebol que é uma das melhores coisas da vida. É a única forma de solucionar o problema. O futebol não é uma batalha campal. Toda a gente deveria poder levar quem quisesse sem se preocupar com o que se poderia passar. É uma pena que estejam a transformar o futebol nisto.

  2. Olá Ricardo, sou uma das pessoas que abordou hoje de manhã no Chiado para saber a opinião das mulheres em relação ao gosto dos homens pelo futebol. Aqui fica com uma pequena explicação da minha opinião relativamente a esse fenómeno, mais particularmente aos festejos dos benfiquistas no marquês de pombal: http://acavalonumburro.blogspot.pt/2015/05/mixordia.html

  3. Gostei do texto. Mas permita que diga o seguinte: gente idiota ou arruaceiros há realmente por todo o lado. Mas que o futebol parece ter um íman que os atrai, lá isso parece…

  4. Concordo com tudo que foi escrito, e acho triste que qualquer pessoa diga que esses adeptos representam “o Benfica” ou “Os Benfiquistas”, mas também gostava de referir que é igualmente condenável quando me confrontam a mim, portista, com comentários de “o polícia era mas é portista, cheio de azia! Vocês é que são uns arruaceiros, sua gentalha do norte!”. Infelizmente este tipo de condenações entre benfiquistas e portistas vai sempre acontecer, quando neste tipo de situações o clube é o que menos interessa. O ocorrido é a constatação de um acto condenável e impensável para pessoas bem formadas e de bons valores na sociedade, ponto.

  5. “Só quem não esteve no Marquês pode achar que o que ali se passou foi um triste festival. Eu cheguei ao Marquês bastante cedo, estive lá até depois de se ter cantado o hino, fui para casa quando a festa já começava a ser desmontada, e não vi violência, nem sequer vi polícia.

    O que se passou foi já quando muita, muita gente se tinha ido embora e foi, como escrevi, uma coisa de minutos numa festa que durou horas e horas. Infelizmente, a imagem que vai ficar para quem não esteve lá é esta, a da violência.”

    Eu estive no Marquês e aquilo foi um festival desolador, do mais triste que vi até hoje.
    Aquilo começou, sem se perceber porquê, quando o hino estava a tocar, quando ainda estava lá toda a gente. Não durou minutos, durou muito tempo. Tive de fugir da carga policial, tive de evitar as garrafas, tive de voltar atrás para ir buscar um amigo, fiquei com cortes numa perna por causa de uma garrafa, ia andando à batatada com uma besta que queria atirar uma garrafa, tive de me apressar a sair da Fontes Pereira de Mello. Enfim…se é para aquilo…

    Acredita, tiveste a sorte de estar do lado certo do Marquês, porque foi tudo demasiado triste.

  6. Eu não sou do Benfica, no entanto tenho a noção de que o tipo de pessoas que andou a provocar problemas, existe em todos os clubes. Mas não deixa de ser muito triste. Foi vergonhoso. E infelizmente para os benfiquistas, tirou um bocado o protagonismo ao “34”. Com isto só espero que os responsáveis sejam apurados, quer os polícias, quer os tipos que vandalizaram e roubaram o Vitória, quer os do Marquês.

    Por fim, parabéns ao Benfica 🙂

  7. Então e do tratamento dado ao bar do estádio?
    Foram um, dois, meia dúzia ou toda uma claque ilegalizada mas apoiada pelo clube?
    Esse sim, mereciam o tratamento do bastão.

  8. Quando vi o vídeo, a imagem que me ficou na mente foi a de um polícia de choque que, apesar de estar todo artilhado com “objetos criados para lidar com a violência com mais violência”, arranjou agilidade para abraçar e proteger aquele miúdo. Numa altura em que todos parecem mais direcionados para a perpetuação da raiva e da vingança, fico feliz por existirem outros que destacam e partilham o que realmente interessa: um ato de empatia e amor.

  9. Excelente comentário “homem sem blogue”. Também assisti a tudo através da TV e concordo com tudo o que escreveu. Felizmente o Ricardo que estava no Marquês só assistiu à parte que devia ter havido (a da festa).
    Nada como um #35 já em 2016, para quem esteve mal se redimir e fazer a festa que o Sport Lisboa e Benfica merece.

  10. Infelizmente a minha lesão impediu-me de ir ao Marquês este ano. Concordo quando dizes que não se pode tomar um grupo de pessoas pelo todo. Quer seja de adeptos, de polícias e por aí fora. Nisso concordo contigo.

    De resto, e como vi tudo na televisão, não concordo com a totalidade da análise ao problema. Aquilo começou pouco depois dos jogadores estarem no palco circular. Era cerca da 1h20 quando começou. Deixei de ver televisão às 2h30 e ainda não estava totalmente resolvido. Os jogadores começaram a ir para o palco perto da uma da manhã. E aquilo estava cheio quando o problema começou. O que aconteceu é que a intervenção da polícia assustou uma fatia do Marquês de Pombal que rapidamente ficou vazia. Essa parte era nas costas da festa dos jogadores, o que fez com que muita gente (e devia ser nesse lado que estavas) nem sequer se apercebesse da confusão. Acho que as pessoas só tiveram noção de que algo se passava quando o Luisão disse que o Benfica não era aquilo.

    O que é pena é que meia dúzia de “atrasados” pegaram fogo a uma multidão. E estragaram uma festa que estava a ser bonita e bastante organizada (até demais o que retira alguma naturalidade aos festejos) e profissional. E foi ficando sempre pior. Garrafas, pedras, garrafas e mais pedras pelo ar. Agressões. Polícias preocupados com a ordem., polícias preocupados em bater em pessoas que simplesmente estavam a passar. Polícias a tentar acalmar e polícias a apagar fogo com gasolina. Adeptos a querer festejar e “adeptos” (que não o são) a querer confusão com a polícia ou entre si.

    Felizmente, isto passou despercebido a quem estava de frente para os jogadores. E ainda bem que assim foi pois caso contrário era o caos com todas a pessoas a fugir. É lamentável que isto tenha acontecido.

    Aconselho, as pessoas que têm um clubite muito acentuada e uma azia ainda maior a ler o comunicado de Luís Filipe Vieira que diz tudo o que pode ser dito daquela situação.

    Abraço e ainda bem que estiveram apenas na festa e não viram o triste espectáculo que vi na televisão. E aqui tenho de fazer um reparo às televisões. Assim que começou o problema nunca mais foi mostrada a festa nem os jogadores. Só interessavam arruaceiros, polícias, bombeiros e pessoas a sangrar. Parecia uma reportagem sobre um motim e não sobre uma festa. Não digo que a notícia seja escondida porque deve e tem de ser dada. Mas defendo que a festa não pode ser esquecida enquanto decorria.

    Abraço e vamos ao 35

    homem sem blogue
    homemsemblogue.blogspot.pt

  11. Há que ter o bom senso de não misturar tudo. Aquele polícia foi um filho da mãe, sem comentários. Tal como havia alguns filhos da mãe no Marquês (demasiados, na minha opinião). Mas foi quase sempre bonito, isso ninguém pode negar!

  12. Sou portista e daquelas que digo que coisas destas acontecem em qualquer lado, em qualquer evento. Triste é fazerem disto estandarte. Em vez de mostrarem a violência, haviam de mostrar a festa, a alegria, o contágio de sorrisos. Arruaceiros que acendem rastilhos não deviam fazer notícia,mas fazem… Parabéns pelo campeonato 🙂

  13. Emboara sendo Portista e, como é óbvio, não ficando contente com a perda do meu clube,não podia concordar mais com o que diz.
    É mesmo isso. Também prefiro ver a imagem de um “bom” agente do que do FDP que fez o que fez….
    Quanto ao Marqês sem dúvida que quem instaurou a desordem não queriam festejar o título, mas sim fazerem o que fizeram.

  14. Não poderia estar mais de acordo.
    É arrepiante, revoltante ver as imagens de Guimarães e da violência gratuita por parte “daquele” policia. Esta nova imagem que partilha arrepiou-me novamente, mas pela positiva. Obrigada!

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