Water Bottle Flip Challenge ou as cenas que os putos inventam

0
6130
Os miúdos passam horas a tentar atirar a garrafa ao ar e a fazer com que caia de pé

 

Um puto qualquer devia estar sem bateria no telemóvel, e provavelmente sem eletricidade em casa, aborrecido de morte, portanto, e, para se distrair, deve ter pensado: vou atirar uma garrafa de água ao ar, fazê-la dar uma volta sobre si, e tentar que caia em pé. E pronto, deve ter ficado algum tempo entretido com a coisa. O mais provável é que, mais tarde, a luz tenha voltado, ele conseguiu carregar o telemóvel e tenha achado que incrível, incrível era mesmo filmar-se a fazer este desafio e partilhar a coisa na internet.

Pronto, aqui está a minha versão inventada sobre como terá começado a nova moda entre putos: o Water Bottle Flip Challenge.

É à conta desta brincadeira que ando, há uma semana, com a casa toda molhada.

O mais fascinante no meio de tudo isto é mesmo ver como, efetivamente, os putos ficam distraídos e entusiasmados com esta brincadeira. Mais: não são só putos. Basta fazerem uma busca no YouTube e vão perceber como há milhares de adultos a fazer verdadeiros campeonatos disto. Gente com demasiado tempo livre, só pode.

Nos últimos dias, o meu filho mais velho, o Henrique, começou com esta brincadeira lá em casa. Obviamente que ao ver o irmão a atirar a garrafa ao ar, o Mateus quer imitá-lo, mas não faz ideia do que está a fazer, limita-se a lançar a garrafa só porque sim, e farta-se de rir quando ela cai no chão. Resultado: já por duas vezes as garrafas ficaram com ligeiros furos e começaram a entornar, coisa que os putos só repararam quando já tinham água quase pela cintura. Segunda-feira, acabaram os dois a noite de rabo para o ar, com um paninho a limpar a água toda do chão.

Uma das coisas mais divertidas para quem está a ver de fora é perceber a alegria deles quando conseguem, efetivamente, que a garrafa fique de pé. Já me chateei com os dois por causa disso. Soltam cada grito que acho que os vizinhos devem achar que estão a ser açoitados. No vídeo abaixo, que deixa o Henrique a rir durante cinco minutos de cada vez que o vê, podem ver ainda outra coisa que faz parte do desafio: quando conseguem que a garrafa fique de pé, devem fazer uma espécie de saudação de triunfo, parecida com a que o Usain Bolt faz quando vence uma corrida.

Embora seja uma coisa particularmente parva e monótona, a verdade é que fico contente quando os putos ainda fazem coisas de putos, não digitais, que não impliquem tecnologia. Lembro-me das brincadeiras que tinha quando era da idade do Henrique e eram, igualmente, coisas que hoje me parecem chatas, mas que me divertiam imenso.

Uma das minhas preferidas era sentar-me no chão ao pé de uma cadeira, e imaginar que os pés eram os postes de uma baliza. A ligar os pés estava uma ripa de madeira, que era a trave. Depois, agarrava num berlinde (que era a bola) e com uma mão (era o avançado) lançava-o na direção da baliza, e com a outra (era o guarda-redes) tentava defender. E fazia campeonatos disto. Criava ligas de equipas, por exemplo, em que todos jogavam contra todos, apontava os resultados e, no final, fazia a classificação. Às vezes estes campeonatos duravam semanas. Ia para casa, sentava-me à beira da cadeira, e lá começava o Penafiel-Tirsense, da oitava jornada do campeonato. Consoante o nível da equipa, ela tinha mais ou menos oportunidades de remate. Por exemplo, num Benfica-União da Madeira, o Benfica tinha doze possibilidades de remate, e o União apenas duas. Às vezes havia surpresas, e o Benfica só marcava uma, e o União outra e dava-se um empate.

Agora que penso nisto, bom, talvez o Water Bottle Flip Challenge até seja uma coisa relativamente normal.

DEIXE UMA RESPOSTA